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Manaus
Transporte coletivo

Sindicato dos Rodoviários avisa que 70% da frota de ônibus deve parar na quarta

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira apenas os 30% da frota exigidos pela legislação será mantido. Sinetram diz que não foi notificado sobre greve 21/11/2016 às 05:00
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Na sexta, paralisação dos ônibus parou o trânsito na Zona Sul. Foto: Márcio Silva
Geizyara Brandão Manaus

O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM) cancelou a paralisação prometida para segunda-feira (21) durante o protesto que parou parte da cidade na última sexta-feira, mas anunciou o início de uma greve da categoria a partir de quarta-feira. O presidente do sindicato, Givancir Oliveira, afirmou que 70% da frota de ônibus da capital vai parar, mantendo-se apenas os 30% exigidos pela legislação.

Questionado sobre se pretende manter a greve mesmo diante de liminar judicial que a suspenda, ele disse apenas que vai aguardar ser notificado para “adotar as devidas providências”.

As principais reivindicações da cateogoria envolvem o aumento de salário para rodoviários e a garantia da segurança no transporte coletivo. “As empresas já foram comunicadas sobre nosso aumento e a Secretaria de Segurança tem que  apresentar um plano para garantir nossa segurança, pois esse negócio de blitz nunca resolveu nada”, enfatizou Givancir.

A onda de protestos por parte dos rodoviários chegou ao ápice  após a morte do motorista de ônibus Feitoza de Amorim Félix, 41, ocorrida no último dia 13. Para Givancir, crimes como esse podem ser facilmente solucionados, mas falta atitude por parte da Secretaria de Segurança. “Todos os ônibus têm câmera de segurança. [...] É só o secretário pegar 15 policiais militares e civis para indetificar e pedir a preventiva de todos. Assim acabaria com essa onda de assaltos. Não  é preciso ser perito em segurança para fazer isso”, afirmou.

Multas
Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) até a última sexta-feira o setor jurídico não havia recebido nenhuma notificação por parte do STTRM.

O sindicato patronal informou que, caso haja alguma paralisação sem obedecer ao aviso de 72 horas antes, a medida será irregular e a justiça será acionada, uma vez que a liminar expedida na última terça-feira pela desembargadora Francisca Rita Albuquerque do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) continua em vigor, alega o Sinetram.

A ação determina que não ocorra qualquer tipo de paralisação no transporte coletivo pelos rodoviários, o não cumprimento resultará em multa aplicável de 50 mil reais por dia.

Ainda de acordo com o Sinetram, a utilização de sinônimos para a greve como: “paralisação”, “protesto” e “manifestação” não isenta o STTRM das regras que precisam ser cumpridas. Prova disso é a paralisação de mais de 400 coletivos que aconteceu na manhã de quinta-feira passada, sobre a qual o Sinetram notificou o TRT.

Proposta de audiência pública
O deputado estadual Wanderley Dallas (PMDB) propôs uma audiência pública  para ser realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) com os rodoviários, com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e a população para tratar da reivindicação de segurança no transporte coletivo.

A proposta de audiência passará por aprovação do plenário amanhã. O entrave para a legitimação da audiência está no bloco de apoio do Governo, segundo o deputado. “Nós queremos fazer essa audiência pública não como oposição ao Governo, nós queremos fazer para ajudar ao povo da cidade. Não com o intuito de tentar prejudicar o Governo”, disse Dallas.

O deputado critica a solução dada pelo secretário da SSP-AM de extinguir o uso de dinheiro nos ônibus. “Ao nosso ver, a solução só beneficia e dá segurança aos empresários, que devem também ter segurança. Mas o povo que usa o transporte coletivo não tem segurança nenhuma retirando o dinheiro de circulação, porque o povo sempre vai andar com celular e com dinheiro no bolso”, avaliou.

Usuários apoiam os protestos
Apesar de se mostrarem preocupados com possíveis paralisações no sistema de transporte coletivo,  os usuários apoiam as reivindicações dos rodoviários em relação à falta de  segurança.

A industriária Rayane Souza conta que é a favor da manifestação. “Essa onda de assaltos não está fácil, tá virando costume isso aí! Eles estão mais do que certos em reivindicar mesmo, afinal é a vida deles que está em jogo”, afirmou.

A estudante Ana Raquel Carvalho ressalta que as empresas de ônibus não atentam para as necessidades dos motoristas e cobradores, mas sugere outro tipo de manifestação. “Os empresários não ligam, quem sofre é a população. A verdadeira manifestação seria liberar a catraca”, disse.

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