Terça-feira, 04 de Agosto de 2020
impasse

Sindicatos acenam com greve para frear volta às aulas no AM

Sinteam solicitou ao Ministério Público que intervenha junto às Administrações Estadual e Municipal com a finalidade de adiar o retorno das aulas presenciais



aula_F6422A98-7AAD-4CBA-85FD-ABAD19BDCF05.JPG Foto: Reprodução / Internet
14/07/2020 às 19:21

Em meio à indefinição e ao impasse pela data de retorno das aulas presenciais nas escolas públicas os sindicatos de trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas bateram o pé e começaram a se articular para impedir o reinício do ano letivo sem total segurança por conta da pandemia do Covid-19.

No último sábado, a Assembleia Geral Extraordinária do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical) decidiu pelo não retorno às aulas presenciais se não houver segurança para a categoria e também votou por uma possível greve contra “o retorno total sem segurança”.



“Uma consulta sobre uma possível greve será feita no transcorrer dessa semana com a categoria, e o resultado será debatido em Assembleia Geral na próxima sexta, dia 17”, afirmou Lambert Melo, diretor-financeiro da Asprom Sindical.

“Sobre o possível retorno das aulas presenciais a Assembleia votou que, como as secretarias não se dispõem a dialogar com o Sindicato e não permitem que o Sindicato participe do planejamento desse possível retorno, a categoria entende que as secretarias não estão sendo transparentes no planejamento e não estão assegurando as medidas necessárias para que haja a total segurança para o retorno. A Assembleia votou que sem total segurança a categoria não retornará às aulas presenciais”  informou o dirigente sindical.

A reunião também tratou de outras pautas como as datas-bases da Seduc e Semed e o atraso no pagamento das cargas dobradas na Semed.

Sinteam e MPE

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (SINTEAM) solicitou ao Ministério Público Estadual (MPE) que intervenha junto às Administrações Estadual e Municipal com a finalidade de adiar o retorno das aulas presenciais, previstas, segundo o órgão da categoria, para final deste mês.

 O Sinteam também pediu que o órgão ministerial intervenha para garantir o cumprimento de protocolos de proteção determinados pelos órgãos competentes.

O sindicato informou que a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) não respondeu ao pedido de reunião com o Sinteam e nem encaminhou a minuta do plano de biossegurança para ser debatido e divulgado entre a categoria.

“Nossa intenção é primar pela saúde dos alunos e trabalhadores em educação na retomada das atividades presenciais, uma vez que o vírus em questão possui alta capacidade de contaminação e ainda não foi descoberta vacina ou remédios que atuem contra o mesmo”, afirma a presidente do sindicato, Ana Cristina Rodrigues.

No pedido, o sindicato alega que grande parte dos profissionais da Educação, alunos e responsáveis não estão de acordo com o retorno das aulas presenciais, pois não sentem segurança para que isso ocorra. Ela rebateu pesquisa recente feita pela Seduc na qual mos 82% dos pais e responsáveis são a favor do retorno híbrido, sendo 43,90% na forma em dois grupos

“O receio de retomar as aulas presenciais ainda é muito grande entre pais e trabalhadores da rede estadual de ensino. Essa pesquisa, segundo o que chegou até nós, não dava a opção de ser contra a volta às aulas. Não temos garantia de que as recomendações sanitárias serão seguidas, não tem vacina, o vírus ainda é desconhecido, o número de casos continua subindo no interior do Estado. Tentamos diversas vezes conversar com a Seduc mas não tivemos retorno. Numa live realizada na última quinta-feira, dia 9, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)  defenderam retardar o reinício das aulas presenciais por causa da aglomeração de pessoas nas escolas. São milhares de alunos que podem levar o vírus pra dentro de casa. Nesse momento, o que predomina é o medo”, afirmou a dirigente do Sinteam.

Não há data definida, diz Seduc, que fez consulta

A Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) informou que ainda não possui data definida para a volta das aulas presenciais. No entanto, a pasta destaca já estar finalizando o seu Plano de Retorno às Atividades Presenciais, que deverá ser apresentado, oficialmente, nos próximos dias. “O documento contém não somente os protocolos de Saúde e Segurança que deverão ser seguidos por toda a comunidade escolar como explica, também, de que maneira se dará este retorno às aulas presenciais na rede estadual, que deverá acontecer gradativamente e de forma escalonada”, diz texto divulgado pela assessorias de comunicação do órgão.

 

A secretaria informa que trabalhará por meio de ensino híbrido (atividades remotas e presenciais), onde as turmas serão distribuídas em dois grupos (A e B). Enquanto um grupo estiver na escola, o outro seguirá em casa acompanhando as transmissões do projeto “Aula em Casa”.

No mês passado a secretaria lançou uma série de pesquisas on-line voltadas a toda comunidade escolar, como pais ou responsáveis, gestores, professores, pedagogos e administrativos.

A pesquisa mostrou que 82% dos pais e responsáveis são a favor do retorno híbrido, sendo 43,90% na forma “Híbrida, em dois grupos”, que consiste em metade de cada turma assistir a aulas em dias alternados e, nos dias em que não tiverem que ir às escolas, assistir aos conteúdos do “Aula em Casa”, e outros 38,35% na forma “Híbrida”. A opção “Completamente presencial” foi votada por 17,75%.

“Por meio dos questionários, a pasta buscou entender os anseios destes públicos para que o Plano de Retorno às Atividades Presenciais fosse conduzido com as percepções de todos que compõem a Educação no Amazonas, além de atender, ainda, às medidas de prevenção estipuladas pelos órgãos de Saúde. Ao todo, mais de 82 mil pessoas responderam à pesquisa. Mais informações sobre os questionários: www.educacao.am.gov.br/governo-do-estado-consulta-comunidade-escolar-sobre-retorno-das-atividades-presenciais”, enfatizou a secretaria.

Ao ser perguntada pela reportagem de A CRÍTICA sobre qual o posicionamento do Estado tendo em vista que as entidades representativas dos professores já se comunicaram que se não houver total segurança nas escolas e medidas do Estado e Prefeitura para as aulas presenciais a categoria não volta ao trabalho, a Secretaria de Educação e Desporto informou que “entende os anseios e preocupações da comunidade escolar no que diz respeito ao retorno das aulas presenciais e reafirma que esta volta se dará com todo o planejamento, responsabilidade e segurança necessários, como o aval, também, dos órgãos de Segurança e Saúde”.

Município ‘desenha’ plano e divulga pesquisa hoje

A Secretaria Municipal de Educação (Semed-Manaus) informa que não há previsão para o retorno das aulas presenciais e que isso só será possível a partir das deliberações dos órgãos de saúde. Para tanto, informa o órgão, um Grupo de Trabalho (GT) intersetorial foi criado, com participação das áreas de saúde, educação e assistência, a fim de fazer o monitoramento epidemiológico, bem como organizar os protocolos de segurança para o retorno. “As equipes de infraestrutura já começaram a verificar os equipamentos necessários para que professores, gestores e alunos se sintam seguros em um possível retorno”  divulgou a Secretaria por meio de sua assessoria de comunicação.

A Semed destaca, ainda, que tem “desenhado um plano de retorno às aulas presenciais, agindo conforme as orientações do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto”, e reforça que “jamais optará por qualquer decisão que coloque alunos, professores e outros servidores da educação em risco”.

Por conta disso, a secretaria informa ter lançado uma pesquisa on-line para saber a opinião dos pais ou responsáveis, educadores e estudantes sobre o assunto em questão.

Repórter de A Crítica

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