Domingo, 26 de Maio de 2019
TRANSPORTE COLETIVO

Sinetram afirma que houve erro na divulgação de projeto para uso do PassaFácil

Segundo advogado do sindicato, a medida não limitava as linhas 037, 050, 056, 081 e 084 a aceitar somente o pagamento com cartão



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Fotos: Evandro Seixas
09/04/2018 às 17:22

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) afirmou que houve falha na comunicação em nota divulgada na última quarta-feira (4) onde indicava que o pagamento de passagens do sistema de transporte público seria apenas com o cartão PassaFácil.

Conforme o advogado do Sinetram, José Perseu Freitas, o projeto piloto do Sistema de Bilhetagem Eletrônica (SBE) não limitava as linhas 037, 050, 056, 081 e 084 a aceitar somente o cartão. Em vez disso, os cobradores poderiam deixar o passageiro pagar em dinheiro dentro do ônibus, caso não tivesse o PassaFácil.

“O sistema de comunicação para com o nosso passageiro nesse tipo de situação é de conscientizá-lo a ter a cultura de comprar passagens pelo sistema eletrônico, para que assim no futuro pudéssemos ver alternativas que encaixassem com a realidade dos passageiros. Acredito que deva ter ocorrido uma falha na comunicação, pois nossos cobradores continuarão aceitando dinheiro”, disse.


 

A explicação de José foi concedida durante reunião entre o Sinetram e representantes da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da Câmara Municipal de Manaus (CMM), da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB/AM), além da Defensoria Pública do Estado e Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM).

Linhas selecionadas

Segundo ele, as linhas foram escolhidas após uma reunião, em setembro do ano passado, em consenso com a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) para que a campanha fosse realizada. Ao ser questionado pelo grupo sobre a efetividade do projeto, primeiramente, José informou que de janeiro até março deste ano, 798 ônibus haviam sido assaltados. Em 2017, o número foi de 3,8 mil. Logo em seguida, ele comparou a efetividade do sistema no estado de Goiás e enfatizou que por lá, os índices de roubos em ônibus chegaram a zero.

 “A média de dinheiro levado por roubo é de R$250 reais. Nós incentivamos os passageiros a se modernizarem, mas o verdadeiro objetivo é tentar diminuir os assaltos, pois vimos que em estados que o SBE funciona, os dados de ocorrências reduziram drasticamente”, explicou.

Sem audiência pública

Já os representantes do consumidor contestaram o Sinetram, principalmente, sobre não realizar uma reunião ou qualquer audiência pública com a população, após implantar o projeto. O defensor Público Carlos Almeida, por exemplo, questionou a autorização formal dada pela SMTU ao Sindicato para realizar o projeto.

“Caso mude o sistema, é preciso desenvolver um processo administrativo que seja discutido e aprovado, inclusive com audiência pública. A meu ver, existem pontos a serem revistos, como a incapacitação do cidadão de exercer seu direito de ir e vir do jeito que puder, além de outras questões como a própria segurança dentro dos coletivos”, disse.

Números contestados

O representante do Sindicato dos Rodoviários, vereador Jaildo dos Rodoviários (PCdB), disse que a mudança só prejudicará a população e beneficiará as empresas, já que não haverá renda dentro os ônibus. Além disso, os dados de assaltos nos últimos três meses, divulgado durante reunião, também foram contestados pelo sindicato.

“Os bandidos vão entrar nos ônibus para roubar o que puderem. Eles sabem que dentro dos ônibus a renda é baixa e os objetos de valor os passageiros é o que vai valer a pena. Além disso, o sindicato dos trabalhadores faz um levantamento diários das ocorrências e o número de assaltos reduziu nos últimos três meses. Acredito que o Sinetram só quer se beneficiar nas costas do trabalhador”, relatou.

O vereador Álvaro Campelo (PP) afirmou que haverá uma audiência de custódia em caráter de urgência nas próximas duas semanas para avaliar novamente o projeto piloto do Sinetram.


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