Sábado, 19 de Outubro de 2019
impasse dos custos

Sinetram diz que não tem dinheiro para pagar reajuste de 8% aos rodoviários

O advogado do sindicato das empresas de ônibus declarou que o órgão vai recorrer da decisão da Justiça do Trabalho, que estabeleceu aumento salarial de 8% aos trabalhadores



Diss_dio_Coletivo.JPG Rodoviários reunidos em protesto em frente à sede do TRT, em maio deste ano (Antônio Menezes)
06/07/2016 às 20:39

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou nesta quarta-feira (6) que não tem como pagar o reajuste de 8% no salário dos rodoviários, conforme estabelecido pela Justiça do Trabalho. O órgão afirmou, por meio de advogados, que não tem dinheiro suficiente em caixa para fazer tal pagamento.

“Não tem como garantir o pagamento. A gente não tem como fazer agora, não tem dinheiro, não tem recursos”, declarou o advogado do Sinetram, Fernando Borges. A decisão que autorizou o aumento de 8% dos salários foi tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT) na quinta-feira passada (30), no Dissídio Coletivo Econômico da Categoria.



De acordo com o advogado Fernando Borges, o Sinetram vai recorrer da decisão do TRT com o argumento de que não tem como pagar o aumento. “Da decisão cabe recurso. Vamos recorrer com várias justificativas, inclusive com essa da impossibilidade de pagar. Mais isso vai demorar. O recurso demora a ser julgado”, explicou Borges. “Ainda estamos trabalhando no recurso”.

Conforme o advogado, para dar o aumento de 8% nos salários de cada funcionário, as empresas de ônibus de Manaus teriam que desembolsar, juntas, cerca de R$ 3 milhões mensais. “Não tem como aumentar gastos, custos. A gente está tentando adequar o serviço à tarifa de R$ 3,00”, disse Borges.

Aumento de 8%

Para dar o reajuste salarial de 8% aos rodoviários, o TRT considerou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mesmo percentual que também deveria ser aplicado a benefícios como cesta básica, ticket alimentação e vale lanche.

O dissídio da categoria, que fez parte da decisão do TRT, se referia a condições de trabalho e ao reajuste salarial, e foi ajuizado no dia 30 de abril pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), mas só recebeu decisão final, em forma de julgamento, dois meses depois (30 de junho), após não haver acordo entre as partes. Inicialmente, os trabalhadores queriam aumento de 20%.

A reportagem tentou questionar, por telefone, com líderes do STTRM qual seria a reação da categoria em relação ao não pagamento do reajuste de 8%. Entretanto, até a publicação desta matéria, nenhum deles atendeu as ligações.


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