Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
RACHADURAS

Sinos da Igreja São Sebastião voltarão a 'tocar' somente após reforma

Laudo feito por engenheiros e arquitetos foi divulgado ontem. Os sinos foram silenciados no mês passado, quando o pároco do local notou rachaduras em uma das torres de sustentação



agora_sinais_07E56A11-C4D3-4BDA-A658-E79F834A686F.JPG O pároco do local notou rachaduras em uma das torres de sustentação. Foto: Jair Araújo
04/06/2019 às 08:17

Obras feitas para a automatização do soar dos sinos da Igreja São Sebastião, no Centro da cidade, foi uma das causas das rachaduras presentes na torre do local. Foi essa a conclusão do laudo feito por engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-AM), após constatarem os riscos estruturais detectados no mês passado. Por isso o soar dos sinos só deve voltar a acontecer após obras de reparos na torre da igreja.

Os sinos foram silenciados no mês passado, quando o pároco do local notou rachaduras em uma das torres de sustentação. O resultado do estudo foi apresentando em coletiva de imprensa, na manhã de ontem.



Um dos especialistas que ajudou no laudo, o engenheiro e arquiteto Arlindo Frota, explicou que primeiramente fizeram  um levantamento de patologias existentes para que a orientação fosse feita. “Constatamos existir coisas já previstas, para uma torre centenária e outras por negligência humana em decorrência de determinadas intervenções. Especificamente a rachadura do sino, se deve por uma intervenção feita para se colocar motores elétricos para badalar o sino de forma automática. Quando essa intervenção foi feita, foi de forma descriteriosa, o que acabou gerando esses problemas na torre, problemas estruturais severos”, afirmou.

Justamente por isso a orientação dos engenheiros é que a torre permaneça interditada, por tempo indeterminado, e os sinos não voltem a soar. “A parte da madeira, onde as pessoas sobem para fazer manutenção, está muito deteriorada também. Então cada dia que passa vai acontecendo mais coisas e se não tiver uma providencia pode acontecer algum dano maior. É uma situação bem grave. O que a gente recomenda é que seja feita uma obra emergencial. A estrutura do sino precisa ser retirada. Precisa ser algo paralelo a estrutura da torre, uma estrutura metálica ou outra que não deixem os sinos ancorados na torre já existente”, orientou o engenheiro do CREA Jhosnny Lima. 

A situação, segundo os responsáveis pela igreja, vai ser levada ao poder público e sociedade em geral com a intenção de angariar fundos para as obras serem iniciadas.   

“A partir de agora vamos recorrer aos órgãos públicos e apresentar toda essa situação. A gente pensa em fazer uma campanha. As campanhas continuam na verdade, pois sabemos que a igreja são Sebastião, como as igrejas do centro histórico, estão sempre buscando alternativas para salvar o patrimônio. E salvar o patrimônio significa correr atrás de recursos, buscar condições, junto às instâncias que são de direito e responsabilidade. Vamos recorrer as alternativas que temos em relação a isso, seja governo, Iphan e outros que puderem nos garantir esse caminho, para não perdermos este patrimônio”, explicou o  pároco da igreja, Frei Paulo Xavier.

Tombamento

A igreja São Sebastião foi inaugurada em 1888 e em setembro de 2012 a igreja comemorou o centenário de sua elevação à categoria de paróquia. Ela faz parte do centro histórico de Manaus, que foi tombado em 2012 pelo IPHAN. O tombamento do  centro histórico abrange uma área entre a orla do rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas.

Iphan diz que realiza vistorias

Em nota o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan)   informou que a Igreja de São Sebastião está localizada dentro do conjunto protegido pelo tombamento federal, realizado pelo órgão e que por conta disso, recebe uma rotina de fiscalizações por parte da equipe da instituição, visando o acompanhamento de seu estado de conservação e preservação.

O que, segundo a assessoria da instituição, foi feito inclusive na semana passada. Porém, de acordo com o órgão,  a responsabilidade por sua conservação, uso e gestão continua sendo dos proprietários, o que vale para qualquer bem tombado, seja de uso público ou privado. O órgão informou ainda que o tombamento  não interfere nas competências institucionais de outras esferas, como as Prefeituras, Governos Estaduais e outras áreas do governo federal e que porta, da parte do Iphan, não há previsão de intervenções no local.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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