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Manaus
MONITORAMENTO

Antenas instaladas na torre do Musa passam a rastrear migração de aves andorinhas

Monitoramento vai permitir que Brasil seja incluído em sistema internacional de estudo de migração de aves. Dados vão colaborar com pesquisas 28/11/2018 às 11:37 - Atualizado em 28/11/2018 às 11:45
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Antenas foram instaladas no topo da Torre de Observação do Musa, na Zona Norte da capital, a 42 metros de altura (Foto: Antônio Lima)
Izabel Guedes Manaus (AM)

Estudar o processo migratório da andorinha-azul é o objetivo de um sistema de monitoramento feito por antenas instaladas no topo da Torre de Observação do Museu da Amazônia (Musa) em Manaus. A ação fez com que o País ingressasse em um sistema internacional sobre o estudo de migração dessa ave. Os dados coletados vão colaborar com pesquisadores do mundo e devem ajudar ainda a identificar se essas aves podem, durante o processo de migração, trazer alguns tipos de doenças transmitidas por vírus.

O equipamento pode detectar qualquer espécie da fauna que tenha um transmissor compatível, um tipo de chip, numa distância de 20 quilômetros e a andorinha-azul  foi escolhida inicialmente por ser uma espécie que se reproduz na América do Norte, mas inverna entre os meses de setembro e março na América do Sul, principalmente na Amazônia brasileira.

O  ornitólogo Mario Cohn-Haft, responsável pelo sistema, explica que essa espécie foi escolhida para marcar o início da pesquisa por já ser muito conhecida na América do Norte e por ser presente na nossa região durante essa etapa. “As aves migratórias vêm de outros continentes, passam aqui, às vezes,  longos períodos e a gente conhece muito pouco sobre como  navegam, como sobrevivem a essa viagem e como vivem enquanto estão aqui. Então já existe todo um programa de estudo dessa espécie na América do Norte e eles nos procuraram para saber se podiam aprender mais, o que ‘casou’ muito com os nossos interesses em pesquisa e acabou virando uma colaboração internacional”, explica.

Além disso, o monitoramento vai ajudar a identificar, segundo o especialista, doenças que podem, por ventura, ser levadas ou trazidas por essas espécies. “A migração traz, além do próprio migrador, vários acompanhantes e algumas doenças podem acompanhar as aves migratórias. Há alguns anos, houve  uma preocupação grande com  o vírus do Nilo ocidental e a febre aviária, essas são doenças que podem ser  levadas por aves. A gente não sabe se são culpadas ou têm algum papel nisso. Mas maneira de descobrir é acompanhando a migração e capturando aqui e acolá essa ave, fazendo amostragem e estudos”, afirma.

“Então  esse é um outro aspecto importante porque a gente tenta controlar muito isso em agricultura, nas pessoas, mas essas espécies que migram livremente a gente não sabe o que estão trazendo e levando”, completa.

Objeto de estudo

O projeto da andorinha-azul será objeto de estudo da estudante Phamela Barbosa, que faz mestrado  em parceria com a  universidade da Manitoba, em Winnipeg, no Canadá.   A universidade é um dos órgãos apoiadores do estudo, feito em Manaus. Lá, eles já identificaram, por meio de outros projetos, que nos últimos anos tiveram declínio  dessas aves migratórias, mas  na metade do tempo,  as aves estão aqui e eles não sabem o que ocorre.

“O nosso principal objetivo é caracterizar os locais onde elas ficam para saber se elas estão perto de habitações  humanas, se têm algum perigo iminente perto delas, porque essas populações estão em declínio. Então alguns indivíduos estão morrendo. Por isso,  é muito importante saber o que está acontecendo aqui,  que é a principal área de invernagem delas”, explicou a estudante.

Torre de 42 metros

Uma das antenas tem capacidade de captação de 360 graus, as outras duas são direcionais. O sistema foi instalado no dia 19 de novembro na torre que tem 42 metros de altura e fica acima da copa das árvores, dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Zona Norte de Manaus.

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