Sábado, 20 de Abril de 2019
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Abastecimento precário

População manauara recolhe água da chuva para fugir da falta de abastecimento

Com abastecimento de água irregular e, em algumas ruas, totalmente interrompido, moradores da Zona Leste precisam recorrer a poços comunitários e coletar água da chuva para atividades domésticas


07/04/2017 às 05:00

Só este ano, 121 reclamações referentes à falta de água foram registradas pela Ouvidoria da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos (Arsam). A maioria oriunda da Zona Sul da capital. Até ontem, a Arsam havia sugerido multa de mais de R$ 1,3 milhão à concessionária Manaus Ambiental por deixar de adotar as providências necessárias para restabelecer a regularidade ou garantir a qualidade e eficiência dos serviços de abastecimento em diversas áreas da cidade. 

No bairro Armando Mendes, um dos maiores da Zona Leste, o problema da falta de água é recorrente, mas tem se agravado nos últimos dias, de acordo com moradores. Há ruas na parte alta da região onde, há pelo menos um mês, o abastecimento de água ocorre dia sim, dia não. A interrupção do fornecimento de água também tem gerado reclamações frequentes em outros bairros da cidade, como Santo Antônio, na Zona Oeste, e Terra Nova, na Zona Norte. 

O comerciante José Tavares da Silva, 64, afirmou que o desabastecimento é um problema sério no Armando Mendes, especialmente na parte alta do bairro, onde, para ter água em casa, é preciso ir pegar em um poço comunitário que fica ao lado da feira do bairro. Ou esperar chover para coletar água em baldes. “Tem ruas em que a água vem pela tarde por um pequeno tempo e só retorna novamente no dia seguinte. O abastecimento é complicado. Entra prefeito e sai prefeito e ninguém consegue resolver nada”, disse. 

Poço e chuva

Em outras ruas, a água não chega às torneiras há pelo menos quatro dias, como é o caso das ruas H e I, conforme relatos de moradores. “Todo dia a gente vem pegar água do poço (comunitário) para beber e, para as outras coisas, utilizamos água da chuva. Coloquei uma calha no telhado para aparar a água toda vez que chove porque tem gente cobrando R$ 50 para encher uma caixa d’água de mil litros”, revelou o mecânico Vicente Damião, 64. 

O vigilante Everaldo Machado, 42, há dois dias faz várias viagens até o poço comunitário do bairro para pegar água para atender as necessidades básicas da família. Para carregar os vasilhames cheios de água ele usa um carrinho de mão, uma vez que sua casa fica na rua ao lado.  “Venho pegar água para fazer o almoço e para dar banho nas crianças que precisam ir para a aula. Já perdi as contas de quantas vezes vim ao poço esta semana”, afirmou. 

Vistoria
A Arsam informou que não recebeu nenhuma reclamação de moradores dessas regiões, mas nada impede de a equipe do órgão ir verificar in loco o problema, o que será feito ainda esta semana. De acordo com a instituição, só este ano foram realizadas 169 fiscalizações. 

A Manaus Ambiental informou que uma equipe técnica da concessionária realizaria, ainda ontem, vistorias nas ruas J, I e H.

Gatos e vazamentos

Conforme a Arsam, geralmente a falta de água em partes altas é um problema ocasionado por falta de pressão, que ocorre por vários fatores, sendo o mais recorrente vazamentos ou ligações clandestinas, que geram desperdício e prejudicam a pressão da água. Em outros casos, pode ser problema pontual. Por isso é necessário a presença dos engenheiros no local para saber a razão da falta de água e solicitar a intervenção da concessionária.

Reclamações para a Arsam

As denúncias e reclamações não atendidas pela Manaus Ambiental  podem ser registradas na ouvidoria da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos (Arsam) no PAC São José, que fica nas dependências do Uai Shopping São José, na avenida Cosme Ferreira, Zona Leste, ou ainda por meio do 0800 280 8585.

Punição por falhas no serviço

No ano passado, por conta da demora para a normalização do sistema de abastecimento de água  após uma manutenção preventiva, a Arsam sugeriu três multas à Manaus Ambiental, que totalizaram mais de R$ 1 milhão.

A sanção é aplicada quando a concessionária deixa de adotar as providências necessárias para restabelecer a regularidade ou garantir a qualidade e eficiência dos serviços de abastecimento por corte no serviço de abastecimento de água potável ou esgoto imprevisto maior que 12h. 

As multas de R$ 1 milhão referem-se apenas às paradas programadas, mas o total de sugestões de multa da Arsam contra a Manaus Ambiental em 2016 foi mais de R$ 7.7 milhões.

Na última quarta-feira, a Manaus Ambiental cancelou a parada programada para manutenção elétrica preventiva devido à chuva e informou que uma nova data será programada e informada previamente.

A concessionária informou que por obediência a política interna, não comenta os atos da Arsam nem de órgãos fiscalizadores.

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