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Só em agosto, 20 mulheres foram presas tentando entrar nos presídios com drogas ou celulares

As esposas, namoradas ou companheiras dos presos são a maioria entre as pessoas presas tentando entrar nos presídios com itens proibidos 14/09/2015 às 08:40
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Apesar da fiscalização rígida nos presídios, muitos objetos proibidos acabam chegando aos presos e só são apreendidos nas revistas, como esta feita pela SSP.
Joana Queiroz Manaus (AM)

A quantidade de drogas apreendidas durante as revistas a visitantes de detentos nos presídios surpreende os órgãos responsáveis pela segurança das unidades prisionais. Mas é a criatividade, a ousadia e até o desespero de quem tenta entrar em uma penitenciária portando celulares, dinheiro e até drogas que mais impressiona, principalmente quando o flagrante passa a ser rotina e levar para trás das grades núcleos familiares inteiros.

É que, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), as esposas, namoradas ou companheiras dos presos são a maioria entre as pessoas presas tentando entrar nos presídios com itens proibidos. Só no mês de agosto foram 20 mulheres presas com drogas, celulares, bebidas e até armas durante as revistas. E, de acordo com dados da Seap, a média de prisões em flagrante é a mesma todos os meses.

Mas as companheiras dos presos não são as únicas que se arriscam ao tentar entrar na cadeia com itens proibidos. Segundo o titular da Seap, Louismar Bonates, as mães e avós dos detentos também figuram na lista dos flagrantes mais frequentes durante as revistas nos presídios. Filhos, amigos e outros familiares completam o perfil mais comum entre as pessoas presas durante as revistas nos presídios.

“Elas são induzidos pelos detentos a entrar como ilícitos. Escondem dinheiro, droga e chip de celular em absorventes usados, bebês com fraldas recheadas com droga, dinheiro e celular, sem contar os telefones e carregadores que são encontrados em ânus e vaginas”, relatou o secretário.

Escondidos

De acordo com Bonates, embora a revista na entrada dos presídios seja rígida, muitos ilícitos conseguem entrar e só são encontrados e retirados durante as revistas de rotina nas unidades prisionais, quando é comum encontrar armas brancas, entorpecentes e celulares, que são a maioria entre os itens proibidos dentro das celas.

A criatividade dos criminosos impressiona os policiais mais leigos, mas alguns “truques” já estão “batidos”, de tão frequentes. Bonates relatou que, muitas vezes, esses materiais proibidos entram nos presídios escondidos dentro de alimentos como bolos e frutas, que são recheados com drogas e até mesmo celulares. “Já pegamos ilícitos escondidos dentro de abacaxi, de melancia, tão bem disfarçados que só os agentes mais experientes são capazes de detectar”, disse Bonates.

Lei desafiada à luz do dia

A ousadia das pessoas que tentam abastecer presidiários com materiais proibidos, principalmente armas brancas, celulares e drogas, é tanta que os criminosos se arriscam atirando os objetos por cima da muralha da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, na avenida 7 de Setembro, Centro, em plena luz do dia.

Não é preciso esperar muito para flagrar uma situação dessas. Na maioria dos casos, os infratores se aproximam, lançam os objetos sobre o muro e fogem correndo.

Mas quem entra na cadeia para visitar um preso também abusa da ousadia, colocando em risco, inclusive, a própria saúde. É o caso de um rapaz que, de acordo com Louismar Bonates, tentou entrar no presídio com um celular Blackberry, uma bateria reserva, o carregador e o fone do ouvido, tudo escondido no ânus.

Tecnologia para ‘pôr freio’

Para evitar a entrada dos materiais ilícitos nos presídios, máquinas de raios-X estão sendo implantadas nas entradas das unidades para detectar a presença de objetos proibidos. Atualmente, o equipamento já está em funcionamento em duas unidades no Compaj fechado e no Centro de Detenção Provisória (CDP).

 Além do equipamento, as mulheres que pretendem entrar em uma unidade prisional passam por uma revista íntima, que visa detectar se há material ilícito no corpo.

Além do raios-X, raquetes e bancos detectores de metais também são usados durante a revista. No caso das mulheres, quando há desconfiança de que elas estejam levando algum material nas cavidades do corpo, elas são encaminhadas para um hospital, onde são submetida a exame de raios-X ou ultrassonografia, o que for necessário.

Antigamente, as mulheres  também passavam por uma revista íntima “mais rígida”, em que eram obrigadas a ficar nuas e fazer dois ou três agachamentos, que tinham o intuito de expelir materiais introduzidos na  vagina. Atualmente, essa revista, classificada de “vexatória” pela Justiça, foi suspensa por uma determinação judicial.

Seguindo a orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que recomenda que as revistas feitas de forma manual nos presídios devem ser realizadas somente em situações excepcionais, o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) do Amazonas, Luís Carlos Honório de Valois Coelho, publicou, em agosto do ano passado, uma portaria que proíbe a revista vexatória nos presídios do Amazonas.

Segundo o magistrado, a revista pode ser feita somente nos casos em que há suspeita de porte de objetos proibidos nos presídios. A portaria 007/14 determina: fica proibido qualquer ato que vise fazer com que os visitantes dos presos fiquem nus ou apenas de roupas íntimas, façam agachamentos e deem saltos, submetam-se a exames clínicos invasivos ou a toques íntimos genitais, além de ter as partes íntimas revistadas com o uso de espelhos”.

Punição

As pessoas flagradas na revista tentando burlar as normas das unidades prisionais são encaminhadas para o Distrito Integrado de Polícia  mais próximo, onde são autuadas. No caso do porte de entorpecentes, elas são encaminhadas para uma unidade prisional. Quando o ilícito é um celular ou outros, é lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência e ela é liberada.

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