Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
INVESTIGAÇÃO

Sob ameaças, advogada da família da soldado Deusiane pede novos depoimentos

Policial de 31 anos morreu na tarde de 1º de abril de 2015. Militares que são acusados, e respondem pelo crime em liberdade, são apontados como responsáveis pelas ameaças



deusiane_65BFF159-E8DF-4B98-B3A8-F07848CF5CA4.JPG Foto: Antônio Lima/Arquivo/AC
02/04/2019 às 22:11

Quatro anos após a morte da soldado Deusiane da Silva Pinheiro, 31, dentro das instalações do Batalhão Ambiental da Polícia Militar de Manaus, situado no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, o caso ainda não foi totalmente esclarecido.

Além de problemas com a elucidação do caso, os familiares e a advogada da policial alegam que sofrem constantes ameaças por parte dos acusados. Eles já registraram diversos Boletins de Ocorrência, mas, mesmo assim, os quatro policiais militares acusados de matar e encobrir o homicídio respondem ao processo em liberdade. 

A advogada da família da soldado Deusiane Pinheiro, Martha Gonzales, solicitou novos depoimentos para que sejam elucidados alguns “buracos” deixados por laudos periciais e depoimentos prestados desde a ocorrência, em 2015. Segundo Martha Gonzales, o Ministério Público deu parecer favorável ao pedido feito à Justiça.

A defesa quer esclarecimentos sobre a arma que estaria de posse da militar e usada no suposto suicídio, tese que é alegada pela defesa do cabo Elson Santos Brito, ex-namorado de Deusiane. O cabo é acusado de assassinar a jovem por ciúmes após ela ter terminado o relacionamento com ele.

Atitude estranha

Martha Gonzales pediu um novo depoimento do tenente Marlon Ribas Andrade, que estaria de folga no dia da ocorrência. O oficial foi até a delegacia apresentar os armamentos que estavam no batalhão e em posse dos policiais presentes no local. Ele levou, inclusive, a arma que teria sido responsável pelo disparo que matou a soldado. 

“Quero que eles expliquem porque o tenente Marlon saiu da folga para levar as armas e como houve uma troca de armas na apresentação. Também queremos saber porque um policial foi duas horas antes da morte da Deusiane e pegou as chaves das embarcações que estavam lá. Nada disso foi esclarecido”, disse.

Troca de armas

Na denúncia, o Ministério Público do Amazonas ressalta que o auto de exibição e apreensão informou que a soldado estava de posse de uma pistola PT 100, cujo número de série era 51035, com nove munições e uma cápsula. O laudo pericial que apontou as causas da morte de Deusiane diz que o tiro disparado na cabeça se originou de uma arma com a mesma numeração. 

Contudo, nos registros do armeiro não consta a assinatura de Deusiane Pinheiro para o recebimento de armamento no dia de sua morte, o que leva família e defesa a acreditar que a policial estava desarmada e sem condições de se defender de um possível agressor. 

Ainda segundo os registros do livro, uma arma de numeração 51035 estava de posse do sargento B. Andrade e o cabo Elson tinha posse de uma arma com numeração 71893. O exame feito na arma dele constatou que o ferrolho do armamento estava trocado por outro com número de série 51035, o mesmo que vitimou Deusiane. 

Segundo o documento, ainda que as trocas de ferrolhos demandem pouco tempo, só poderiam ser feitas se houvesse o consenso dos demais policiais presentes no batalhão e que foram os primeiros a ver Deusiane Pinheiro morta.

Namorado é suspeito

O ex-namorado da policial Deusiane Pinheiro, o cabo Elson Santos Brito, responde ao processo do crime por homicídio. Também são réus no processo os policiais Jairo Oliveira Gomes, Júlio Henrique da Silva Gama, Cosme Moura Souza e Narcísio Guimarães Neto.

Suspeita rechaçada e agressão

A policial de 31 anos, que havia terminado um relacionamento amoroso conturbado com o colega de farda, morreu na tarde do dia 1º de abril de 2015, com um tiro na cabeça. Na época, foi levantada a suspeita de suicídio, o que foi contestado pelos familiares. 

Segundo a mãe, três dias antes de morrer, Deusiane foi agredida pelo então namorado que não aceitava o fim da relação. 

O ex-namorado, o cabo Elson Santos Brito, responde ao processo por homicídio. Também são réus no processo os policiais Jairo Oliveira Gomes, Júlio Henrique da Silva Gama, Cosme Moura Souza e Narcísio Guimarães Neto.

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