Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
DUPLO HOMICÍDIO

Sobrevivente de tiroteio que vitimou policiais em Manaus visita cabo morto durante velório

O borracheiro Robson Almeida Rodrigues, 25, compareceu a cerimônia fúnebre de uma das vítimas fatais assim que recebeu alta hospitalar



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05/01/2019 às 17:36

O borracheiro Robson Almeida Rodrigues, 25, um dos sobreviventes do tiroteio que levou a óbito dois policiais militares e deixou o próprio borracheiro e mais um major feridos na madrugada deste sábado (5), em Manaus, compareceu, assim que recebeu alta hospitalar, ao velório do cabo Grasiano Monteiro Negreiros, 36, na Igreja Assembléia de Deus, na rua Vitória Régia, bairro Coroado, Zona Leste.

Abalado e ainda com curativos nos ferimentos, ele não quis comentar sobre o caso com a imprensa. No local, todos estavam sob forte comoção.

A operadora de caixa Isabelle Ribeiro, 19, sobrinha do cabo Grasiano, disse que o tio era uma pessoa boa e querida por todos. A família está extremamente abalada, segundo ela. “Ninguém quer acreditar no que aconteceu”, afirmou, destacando que Grasiano deixou uma esposa e três filhos, com idades de 9 meses, 3 anos e 10 anos.

A enfermeira Ana Paula Nogueira, 37, vizinha do cabo, comentou que a morte dele deixou todos em choque. “O relacionamento dele com os vizinhos era muito bom. Estamos todos tristes com o que aconteceu”, relatou. 

Luis Carlos, o Lula, presidente da comunidade onde o cabo Grasiano morava com a família, falou que ele era parceiro de todo o mundo. “Era um vizinho superbacana, que ajudava a comunidade. Não tinha pessoa melhor”, destacou. 

O sepultamento do cabo Grasiano deve acontecer amanhã, domingo (6), por volta de 15h, no Cemitério Parque Tarumã, Zona Oeste. 

Outra vítima fatal

A outra vítima fatal da ocorrência foi o sargento Edizandro Santos Louzada, 40. O velório dele foi realizado na Funerária São Francisco, ao lado do Terminal 2, na Cachoeirinha, Zona Sul. Familiares, amigos e vizinhos dele estavam transtornados. "Não caiu a ficha. Estamos tentando entender primeiro o que aconteceu. Sobre o fato ninguém sabe de nada", comentou o agente de portaria Welligton Lousada, 30, primo de Edizandro.  O homem disse ainda que o primo era uma das melhores pessoas que ele já conheceu. 

Opinião semelhante tem os vizinhos de Edizandro. "Era uma pessoa maravilhosa. Não tinha hora para ajudar as pessoas. Não ofendia ninguém, pelo contrário, defendia todos. Não perdemos um vizinho, perdemos um irmão, um, uma pessoa da família. Era muito querido por todos", relatou a doméstica Zeneide de Assis, 58.

Edizandro deixa esposa e uma filha de 12 anos. O corpo do sargento deve ser sepultado às 9h deste domingo (6) no Cemitério Parque Tarumã.

Entenda o caso

O sargento Edizandro e o cabo Grasiano foram assassinados a tiros na madrugada deste sábado (5), em Manaus, na rua Monte Horebe, bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte da capital. Os tiros foram disparados por outro PM, o tenente Joselito Pessoa Anselmo, que é chefe dos dois policiais mortos e comandante da 18ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). Ele preso em flagrante.

Segundo a polícia, tanto as duas vítimas fatais quanto os dois feridos, o borracheiro Robson e o major Lurdenilson Lima de Paula, 40, estavam dentro do mesmo veículo com o atirador, uma viatura descaracterizada da PM, retornando de uma festa, por volta das 2h. Bebidas alcoólicas foram encontradas no interior do carro.

O automóvel estava sendo conduzido pelo cabo Grasiano e todos seriam levados para casa, quando, em certo momento, houve um desentendimento entre eles. Durante a briga, de acordo com a polícia, o tenente Joselito efetuou um disparo na nuca do cabo Grasiano, que perdeu o controle do veículo e acabou capotando. O sargento Edizandro foi atingido com um tiro na cabeça e ainda chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

O major Lurdenilson, que sobreviveu, foi baleado no ombro esquerdo. Ele teve a coluna vertebral atingida e corre o risco de ficar paraplégico. Já o borracheiro Robson, que era funcionário do cabo Grasiano, teve a mão estourada por um projétil e recebeu alta.

Preso em flagrante

Joselito foi preso em flagrante por policiais da Força Tática que patrulhavam a área no momento do crime. Ao ser preso, ele alegou que as vítimas foram baleadas por ocupantes de um veículo prata que atacaram o Voyage dos policiais militares, versão contestada pelo major. Os PMs da Força Tática que prenderam o tenente Joselito também relataram que não observaram na lataria do carro Voyage perfurações de tiro externo.

Após ser preso, o tenente suspeito do duplo homicídio foi levado ao 6° Distrito Integrado de Policia (DIP), onde foi apresentado. Depois ele passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e por exame de resíduos de pólvora nas mãos, cujo resultado não tem prazo.

Hoje de manhã, ele foi conduzido para ser ouvido na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que investiga o caso, e, depois, foi levado para a sede do Batalhão de Choque situado na rodovia BR-174, onde permanecerá à disposição das autoridades.

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