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Socialite Marcelaine Schumann depõe na delegacia sobre acusação de ser mandante de crime

“Não quero um paletó, quero um óculos”, teria dito a socialite Marcelaine ao chegar à DEHS para depor. Ela é acusada de mandar matar uma universitária em Manaus, rival com quem dividia amante em triângulo amoroso 15/01/2015 às 16:30
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Marcelaine Santos Schumann, acusada de tentativa de homicídio, chega à DEHS para depor
Vinicius Leal e Nelson Brilhante Manaus (AM)

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Usando camisa branca, calção e chinelo – a farda do presídio – a socialite Marcelaine Santos Schumann chegou à sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para depor na manhã desta quinta-feira (15) sobre as acusações de que ela teria arquitetado um plano para matar uma universitária em Manaus, rival dela em um triângulo amoroso.

“Elaine”, como gosta de ser chamada, já começou a depor. Ela era esperada na delegacia pela imprensa, pelo delegado titular da DEHS, Paulo Martins, e pelo advogado dela, José Bezerra de Araújo. Ela chegou acompanhada de três policiais, que foram pessoalmente buscá-la no Centro de Detenção Provisória (CDP) Feminino, no Km 8 da BR-174, onde estava presa desde o dia 5.

A socialite chegou em um carro comum da polícia vestindo uma blusa branca, uma calça e um par de chinelos, farda das presidiárias do CDP. Ela estava sem algemas e de “cara limpa”, mas quando percebeu a presença de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, entrou novamente na viatura para pedir a “cobertura” do advogado.

José Bezerra tentou usar o paletó dele para encobrir o rosto de “Elaine”, mas a socialite recusou. “Não quero um paletó, quero um óculos”, teria dito a socialite. Durante o trajeto do carro até a porta da delegacia a socialite desistiu da “proteção” e “enfrentou” as câmeras da imprensa, usado óculos. Ela não quis falar com os repórteres e entrou na DEHS.


Agora, o delegado Paulo Martins deverá colher o depoimento da socialite acusada de tentativa de homicídio. O promotor de Justiça que acompanha o caso, Rogério Marques, do 3º Tribunal do Júri, também é aguardado para acompanhar o depoimento de “Elaine”. Marques foi o promotor que deu parecer favorável à prisão preventiva de Marcelaine.

Calada

O advogado José Bezerra disse à imprensa, antes da chegada de “Elaine” na DEHS, que a cliente dele apenas “cumpriria tabela” na DEHS e ficaria calada, dando somente em juízo, durante o julgamento, a versão dela sobre a acusação – como uma estratégia da defesa. Entretanto, com a chegada do promotor Marques, Marcelaine concordou em falar tudo.

Tentativa

“Elaine” é acusada de ter pagado R$ 7 mil para que pistoleiros matassem ou deixassem aleijada a estudante de Direito Denise Almeida, que foi alvejada com um tiro no dia 12 de novembro em uma academia de Manaus. Conforme a polícia, Marcelaine e Denise seriam rivais de dividiriam o mesmo amante, o empresário Marcos Souto – mesmo as duas sendo casadas.


Por ciúme doentio, “Elaine” teria arquitetado o plano contra a inimiga, que foi baleada no estacionamento da academia Cheik Clube, na av. Getúlio Vargas, Centro de Manaus, no dia 12 de novembro. O atirador disparou três vezes contra o carro em que ela estava. Dois tiros atingiram a vítima. Depois de ser preso, o pistoleiro, Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, confessou o crime e apontou Marcelaine como a mandante.

Depoimento

A solicitação para que “Elaine” prestasse depoimento na DEHS foi feito no último dia 8 pelo delegado Martins à Justiça, à Vara de Execuções Penais (VEP). O requerimento foi aceito pela juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha, que acompanhou parecer favorável da promotora de Justiça Sheyla Dantas Frota de Carvalho. 

Acareação

O delegado Paulo Martins pretende fechar o inquérito sobre a tentativa de homicídio com o depoimento de “Elaine”, suspeita de ser a mandante. Para isso, ele também tentará fazer uma acareação entre todos os envolvidos do crime, Marcelaine e os outros quatro participantes – Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, o atirador, Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, o negociador, Karen Arevalo Marques, 22, quem conseguiu a arma de fogo, e o vigilante Edney Costa Gomes.

Usando o recurso da acareação, quando os suspeitos são interrogados ao mesmo tempo, frente a frente, o delegado buscará arrancar deles a verdade sobre o crime. Na segunda-feira (12) os advogados de Marcelaine e de Charles “Mac Donald” deram uma nova versão sobre a tentativa de homicídio, tentando mudar o rumo das investigações.

Os advogados José Bezerra e Jonilson Maia Pereira, defesa de Charles, disseram que Charles não foi contratado por R$ 7 mil para matar a universitária Denise. Segundo eles, Charles contratou “Salsicha” para ir ao local do crime cobrar uma dívida de cheque de R$ 40 mil que Marcos Souto tinha com Marcelaine e, “acidentalmente”,  “Salsicha” alvejou Denise, achando que Souto estava no carro também.

Viagem à Miami

Marcelaine foi presa em Manaus pela Polícia Federal dentro do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes ao chegar de uma viagem de Miami, nos EUA, onde estava desde dezembro com o marido. Ela teve voz de prisão decretada dentro da aeronave. Após isso, “Elaine” foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames e depois para a cadeia. A condução dela pela PF e não pela Polícia Civil causou mal estar entre as polícias.

O amante

Em dezembro, o jornal A CRÍTICA também publicou matéria com o conteúdo do depoimento de Marcos, o amante, dado à polícia. Na época, segundo o delegado Martins, Souto se mostrou surpreso, mas confessou ter um caso amoroso com “Elaine” há nove anos.

Segundo Martins, o empresário Marcos Souto se negava a acreditar que “Elaine” teria sido capaz de ter encomendar a morte de Denise, quem conhecia apenas como amizade, segundo ele. Marcos chegou a repetir várias vezes “eu não acredito que ela foi capaz. A Elaine não”, relatou o delegado Martins à reportagem.

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