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Manaus
ASSALTO

Soldado confundido com bandido foi alvejado por Policial Militar, dizem familiares

Família de Luiz Augusto Carneiro Filho, 23, questiona procedimento adotado por policial; o jovem foi atingido com um tiro no tórax 12/06/2017 às 05:00 - Atualizado em 12/06/2017 às 09:02
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O soldado do Exército Luiz Carneiro Filho,23, continua internado em estado grave após ser baleado na última quinta (8). Foto: Arquivo Pessoal
Dani Brito Manaus (AM)

“Meu neto estava sendo preparado para defender uma pátria inteira e foi atingido por um policial de uma corporação que tem por dever proteger o cidadão”. Esta foi a definição que o avô do soldado do Exército Brasileiro, Luiz Augusto Carneiro Filho, 23, que foi baleado por um policial militar, por engano, na noite da última quinta-feira (8), no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte de Manaus, fez ao ser perguntado sobre o fato.

Três dias após ser confundido com um assaltante, o soldado continua internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Hospital e Pronto Socorro Dr. João Lúcio. A família da vítima permanece apreensiva e a partir desta semana, irá entrar com recursos junto a Corregedoria da Polícia Militar, bem como abrir um processo criminal junto ao Tribunal Militar do Exército, para que tudo seja apurado. Eles denunciam que o tiro que atingiu o soldado partiu de um policial militar.

“Já coletamos provas documentais e concretas, por meio de imagens, além de relatos de testemunhas que afirmam que meu neto foi baleado covardemente por um policial militar. Nas imagens vimos detalhes de como tudo aconteceu e agora queremos que os responsáveis sejam punidos. É inadmissível uma pessoa do bem ser tratada como bandido. Cadê a preparação desses policiais?”, questionou o avô da vítima, um advogado de 71 anos.

O soldado foi atingido com um tiro no pulmão enquanto tentava fugir de um assalto. Segundo os familiares, no momento que corria na rua, uma viatura da Polícia Militar passava pelo local. Ao perceber o homem correndo, um policial teria descido da viatura e atirado contra o soldado. Para o pai da vítima, o sargento do exército reformado, Luiz Augusto Carneiro Santos, a abordagem foi completamente errada.

“Um policial passa por treinamentos de como abordar uma pessoa na rua. No caso, se eles suspeitavam que meu filho era bandido, deveriam ter atirado nas pernas, para impedir que ele fugisse e não no peito, para matar”, ressaltou o sargento.

Após ser baleado e agredido fisicamente por populares, com o aval da polícia, o homem foi salvo graças a esposa dele, Rielem Soares Bagata, 20, que a todo momento implorava que parassem de agredir o marido. “Os policiais me viam desesperada pedindo socorro, mas fingiam não ouvir. Somente depois que eu gritei que ele era do exército, eles resolveram agir e intervir. E se ele não fosse soldado, iriam deixar ele morrer assim?”, questionou a mulher, ressaltando que o marido ainda teve a carteira com cerca de R$900, documentos pessoais e cartões de crédito roubada.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar do Amazonas durante todo o domingo (11), no entanto, até o fechamento desta edição não recebeu respostas.

Entenda o caso

O tiro perfurou o pulmão esquerdo de Luiz Filho. O rapaz permanece internado e o estado de saúde dele é considerado grave. Na madrugada do domingo (11) o quadro de saúde tinha alterado devido a uma inflamação do pulmão, no entanto, após mudança de medicação a inflamação regrediu. Ele permanece respirando com ajuda de aparelhos e ainda não tem previsão para receber autorização para ser transferido para o Hospital do Exército Brasileiro.

O sonho da carreira militar

Filho de militar, Luiz Augusto sempre sonhou seguir os passos do pai.  Ano passado ele ingressou no exército e após passar em diversos exames, em março deste ano conseguiu incorporar em definitivo. Antes de entrar para o exército, Luiz fez curso profissionalizante de caldeireiro, profissão que iria dar seguimento dentro da instituição.

Casado há dois anos e cinco meses, o soldado tem uma filha de um ano e meio com a esposa e cria outra menina, de três anos. “Ele tem um coração muito grande e pegou a minha filha para criar como o mesmo amor que tem pela filha que temos. No dia que tudo isso aconteceu, tínhamos ido comprar um refrigerante para comer uma pizza em casa”, lembrou Rielem, ressaltando que assim que conheceu Luiz, começaram a namorar e em um mês resolveram morar juntos. “Temos muito amor um pelo outro e apesar de nos conhecermos a menos de três anos, parece que já vivemos juntos há muito tempo”, disse a esposa.

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