Publicidade
Manaus
Manaus

Solução esquecida

Enquanto famílias vivem debaixo de pontes e em áreas invadidas, casas contruídas pelo poder público ficam vazias e abandonadas 09/03/2013 às 20:34
Show 1
Na rua 20 do conjunto Galiléia 1, na Zona Norte, esta casa de esquina nunca foi habitada e hoje fica ' escondida' em meio ao matagal
NELSON BRILHANTE MANAUS (AM)

Enquanto o casal Hamilton Vasconcelos, 49, e Roberta Costa, 26, por falta de opção, estão morando há quase três anos embaixo da ponte sobre o Igarapé do 40, dezenas de casas financiadas pelo Governo do Estado estão abandonadas no conjunto residencial Galiléia 1, Zona Norte. Nesse caso, a velha máxima do “poucos têm muito e muitos não têm nada” pode ser substituída por “o Governo do Estado dá casas a quem não sabe cuidar e nem precisa morar”.

Para abrir o mais novo leque de carências, basta lembrar que mais de 300 famílias acabam de ser expulsas da invasão “Comunidade Nobre”, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. Sem ter onde morar, aproximadamente 100 delas passaram dois dias em uma nova invasão, na rotatória em frente ao terreno reintegrado.

O objetivo inicial dos conjuntos residenciais construídos pelo Governo do Estado era beneficiar o funcionalismo público, com moradia imediata e pagamento a longo prazo, por meio de prestações muito abaixo do salário, descontadas mensalmente em folha. Só que a maioria dos beneficiados, desde que essa política habitacional foi colocada em prática, ou morou por pouco tempo e depois repassou a terceiros (mesmo sendo uma prática ilegal), ou nunca ocupou, nem alugou, cuidou e muito menos devolveu o imóvel.

Abandono e perigo

Um exemplo claro dessa prática é a casa nº 1 da rua 20, quadra 20, do Galiléia 1, conjunto construído há aproximadamente dez anos. Uma casa de esquina, com o formato original, nunca habitada, está quase desaparecendo no meio de um matagal. De acordo com os vizinhos, o imóvel pertence a um delegado de polícia que só aparece no local quando alguém tenta invadir. Enquanto isso, ano após ano, vem servindo como esconderijo de marginais e de usuários de drogas.

A menos de 50 metros dali, uma outra imagem parece a mesma da anterior. Também de esquina, o imóvel, segundo vizinhos, pertence a um taxista que o teria colocado à venda, sem ao menos desbastar o matagal que já está “engolindo” a casa. A cena se repete a cada rua do conjunto, multiplicando os problemas e reclamações entre a vizinhança.

A professora aposentada Norma Portilho mora há nove anos no conjunto e não tem gostado nada do que tem visto ultimamente. “Como os donos só aparecem quando alguém tenta se apossar, essas casas representam perigo para os moradores. Eles não alugam, não vendem e nem devolvem ao Estado. Esses locais viram lixeiras e esconderijos de bandidos”, criticou Norma.

Publicidade
Publicidade