Terça-feira, 26 de Maio de 2020
PANDEMIA

'Somos agredidos o tempo todo', lamenta sindicato dos bancários do AM

Sindicalista Nindberg dos Santos alerta para aumento das denúncias de agressões contra bancários da Caixa em Manaus. Falta de organização nas filas aumenta tensão entre os clientes e atendentes



show_WhatsApp_Image_2020-04-30_at_19.33.47_A606A8DE-04E2-430D-A150-E432FEB21E03.jpeg Foto: Euzivaldo Queiroz
08/05/2020 às 11:56

Se multiplicam as denúncias de agressões contra bancários da Caixa Econômica Federal em Manaus desde o ínicio da liberação de saques emergenciais para conter o impacto econômico causado pela pandemia do novo coronavírus. Aumento das filas e problemas de sistema nos caixas e aplicativo, vem acompanhado da avalanche de registros de violência contra atendentes. ​As unidades da Caixa, que detém o sistema de pagamento do benefício, concentram o maior número volume de atendimentos.

De acordo com o Sindicato dos Bancários do Amazonas (SEEB-A), as denúncias chegam a cada hora, e preocupam. "Na semana passada um atendente da Caixa tomou tapa na cara, fora as agressões verbais. É dificil mensurar as agressõees verbais, porque é a toda hora. E isso está nos deixando adoecidos, preocupados", conta Nindberg dos Santos, presidente do SEEB-AM. 

O aplicativo criado pelo Ministério da Economia, segundo os bancários, possui númeras falhas registradas pelos usuários no funcinonamento de comandos virtuais, e de sistemas, e que acabam sendo resposanbilizadas aos funcionários do banco no momento do atendimento."As pessoas pensam que o bancário da caixa tem que resolver todos os problemas, não é assim. Maioria dos problemas são de tecnologia, problemas de sistema", desabafa.

Até o momento, o banco estatal afirma ter pago mais de R$ 32 bilhões como crédito para parcela das cerca de 50 milhões de pessoas em condição informal, ou que se enquadram em programas sociais do Governo Federal, e que se cadastraram por aplicativo para receber o auxílio emergencial. O valor varia entre R$ 600 a R$ 1200, dependendo de condições como ser mãe solteira ou pai solteiro. Ministério da Economia deve divulgar calendário de pagamento da segunda parcela hoje (8).

Principal queixa dos bancários é a falta de organização entorno de uma coordenação ampliada sobre a situação específica das filas. "Eu tenho pedido para a Prefeitura e o Governo, além da Polícia Militar que organizem a fila, e o tempo de atendimento. Eu não vejo nas autoridades engajadas a Caixa a fazer esse trabalho social", diz. 

Filas quilômetricas e o desrepeito a diversas normas de defesa do código do consumidor, levaram a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) a recomendar em reunião conjunta com a superintendência da Caixa no Amazonas, e representantes de órgãos públicos, adoção de medidas mais restritas para organizar o fluxo, e diminuir a tensão criada pela expectativa do recebimento.

A reunião aconteceu no dia 16 de abril, e desde lá a Caixa afirma que está realizando melhorias no atendimento e ampliando a capacidade tecnológica do sistema. ​Na ocasião, a instituição informou que já tem licitações em aberto para abertura de novas casas lotéricas, mirando dar maior agilidade nos saques a serem realizados.

Apesar do esforço de algumas agências em demarcar e demilitar as áreas para permanência nas filas ser visível em Manaus, segundo o sindicato, a população ainda não está colaborando de uma maneira efetiva. "É complicado, a populacão infelizmente ainda não entendeu que tem que ter o isolamento, usar a máscara, manter o distanciamento", desabafa Nindberg.

Uma das propostas que ainda não foram adotadas, e que para o sindicato dos bancários poderia contribuir com a maior organização das filas, seria a implementação de bloqueio do trânsito de veículos nas áreas próximas às agências bancárias.

"A partir do momento que passa a diminuir o trânsito nas áreas como na Avenida Autaz Mirim, por exemplo, a baixa aglomeração de pessoas com carro, veículos, com certeza é um dificultador para a proliferação do vírus nas agências e filas. Se tiver uma situação de evitar o trânsito, alem de organização das filas, apoiamos", afirma o presidente.



O fechamento de ruas e avenidas foi empregado com êxito no Pará e em Itacoatiara, a 269 quilômetros de Manaus, para citar alguns exemplos. A superintendência da Caixa ainda não retornou o pedido de resposta sobre o estágio da implementação da recomendação feita pela DPE-AM. Assim que obtivermos será inserida na matéria.

Mais 50

Ontem (7), a Caixa anunciou que ampliou para 50 bancos a realização do pagamento do auxílio emergencial. De acordo com o sindicato, a medida é acertada, mas é necessário que se verifique se as condições sanitárias pelas quais estes trabalhadores, agora mais expostos ao vírus, condizem com os manuais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.
 

Repórter

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