Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
'CONSCIÊNCIA LIMPA'

Sotero diz para advogado que 'agiu de acordo com a lei' em confusão no Porão do Alemão

A afirmação foi dada por Claudio Dalledone, responsável pela defesa do delegado Gustavo Sotero no processo do homicídio do advogado Wilson Justo



WhatsApp_Image_2018-06-14_at_17.59.16.jpeg Foto: Antônio Lima
14/06/2018 às 18:44

“Quem precipitou tudo isso, tragicamente, foi o Wilson". A afirmação é de Claudio Dalledone, responsável pela defesa do delegado da Polícia Civil Gustavo Sotero no processo de homicídio do também advogado Wilson Justo Filho, ocorrido em novembro de 2017 na casa de shows Porão do Alemão, na Zona Centro-Oeste de Manaus. A declaração foi dada ao término da primeira audiência de instrução e julgamento do caso, realizada nesta quinta-feira (14), no Fórum Henoch Reis, na Zona Centro-Sul da capital.

"Nós estamos conhecendo o que a acusação tem contra o Sotero. Muita coisa se desmistificou. Muito do que se disse não se provou. Conversei com o Gustavo e ele se sentiu muito tranquilo. Ele me confidenciou: 'Sou um homem da lei, doutor. Eu agi de acordo com a lei. Eu reagi e não dei causa a isso'. E não dando causa a isso ele não precipitou essa tragédia", afirmou Dalledone, que insiste na tese de que seu cliente agiu em legítima de defesa.



Os disparos que mataram o advogado Wilson Justo foram feitos por Sotero. O delegado foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado.

Nesta quinta-feira, foram ouvidas as três vítimas sobreviventes, que também foram atingidas pelos disparos de Sotero, incluindo a viúva de Wilson Justo, Fabíola Oliveira, três informantes e duas testemunhas de acusação. No caso das vítimas sobreviventes, pode ser imputada a Sotero as penas por homícidio tentado com os mesmos qualificantes do assassinato de Wilson Justo.

Estão marcadas para os próximos dias 17 e 18 de julho duas novas audiências de instrução, onde novas testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas. Apenas ao término das oitivas da 18 pessoas convocadas, o réu Gustavo Sotero será interrogado.

"Os informantes não prestaram compromisso legal com a verdade. As testemunhas prestaram e as vítimas, por serem vítimas, não prestaram compromisso. As partes fizeram pergunta, o juiz fez pergunta e todos responderam de acordo com aquilo que viram, sabem e tem conhecimento. Como não vai dar tempo de ouvir todas as testemunhas hoje, em julho vai ser dado sequência à oitiva das testemunhas e o réu será interrogado", explicou o juiz Celso Souza de Paula, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Depoimento da viúva

Segundo a assistente de acusação e advogada da esposa de Wilson Justo, Catharina Estrela, sua cliente chorou muito durante o depoimento. “Foi muito emocionante para ela. É um momento muito difícil relembrar tudo que aconteceu. Mas ela conseguiu esclarecer as dúvidas de todos e sabe da importância de ser ouvida”, contou Estrela.

O também assistente de acusação, advogado Josemar Berçot, enfatizou que, durante o testemunho, Fabíola contou que ontem foi aniversário da filha do casal. “Ela disse que a filha deles perguntava 'cadê o papai?' e ela só respondia que ele estava no céu”, disse Berçot.

Sotero não acompanhou todas as oitivas

A primeira audiência de instrução e julgamento do processo do homicídio de Wilson Justo Filho começou por volta de 9h. O delegado Gustavo Sotero, réu no processo, não pôde acompanhar os depoimentos das vítimas e de uma testemunha, que foram ouvidas na primeira metade da audiência. A medida adotada pelos convocados para depor visava evitar constrangimentos. O Código de Processamento Penal permite que as testemunhas deponham sem a presença do réu.

Por volta de 14h40, a audiência foi interrompida por uma hora para almoço dos participantes. Às 17h10, Gustavo Sotero, que aguardava na carceragem do Fórum, foi chamado para ouvir os últimos três depoimentos. 


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