Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
CASO WILSON JUSTO

Sotero tem coração raro, que só ajuda as pessoas, diz esposa de delegado

Danielle Maciel se arrepende de não ter acompanhado o marido na casa de show onde ocorreu a morte de Wilson Justo Filho. Há seis meses, o filho do casal nasceu



mulher_sotero_7BF0D0A6-9415-41C3-9C17-1C08EDE60157.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
29/10/2019 às 13:37

A esposa do delegado Gustavo Sotero, Danielle Maciel, minutos antes de ser informada sobre o adiamento do julgamento do seu marido, nesta terça-feira (29), destacou que se arrepende de não ter ido acompanhá-lo na casa noturna, em 2017, onde ocorreu o fato que resultou na morte de Wilson Justo Filho e em três pessoas feridas. À época, segundo ela, estavam reatando o relacionamento que há seis meses resultou no nascimento do primeiro filho do casal.

"Minha vida tem sido em prol dele. Eu conheço o Gustavo há 8 anos e há 4 anos temos um relacionamento. Como trabalhava muito no interior, a gente deu uma afastada. Como veio para Manaus [em 2017], nós estávamos reatando o namoro na época. Eu fico pensando, às vezes, porque eu não estava lá [na casa de show] naquele dia? Eu sempre ia. Eu trabalhava muito cedo no outro dia, ia inaugurar um quiosque [em um shopping] e estava muito cansada", relatou Danielle, que classifica o ocorrido no dia 25 de novembro de 2017 como uma tragédia.



Ela destaca que confia em Sotero e diz que ele é uma pessoa maravilhosa, sempre bom amigo, filho e pai. "Aquilo que aconteceu foi uma tragédia para ambas as famílias. Todo mundo está sofrendo. O Wilson tem família, o Sotero também tem. A mãe dele é costureira. Nós temos um filho de seis meses, que quase nunca ver o pai, só em dia de visita. É muito difícil o que estou passando, mas eu não abandono meu marido e não o coloco na linha de fogo".

Antes do adiamento, ela explicou que acredita na legitima defesa do marido em relação à morte de Wilson Justo. "A verdade deve ser mostrada e isenta de julgamentos, do senso comum, porque uma fatalidade acontece na vida de todo mundo", afirmou. "Um belo dia você pode estar dirigindo seu carro, seu telefone apita, você olha, rapidamente levanta a cabeça e você atropela e mata uma criança. Quem foi você antes disso? Você foi um bom filho? Você foi um bom marido, um bom amigo? Essa vida acabou para você? Você só é um monstro porque aconteceu um acidente, uma tragédia?", complementou.

Danielle relatou que Gustavo é "uma pessoa rara de coração, que só ajuda as pessoas". Segundo ela, graças a uma 'vaquinha' realizada com amigos policiais e familiares, eles conseguiram parte do dinheiro para custear o pagamento dos advogados da defesa de Sotero, entre eles Cláudio Dalledone, especializado em defender policiais. 

"O Gustavo ficou mais de um ano sem ver a mãe. O Gustavo é de família humilde, não tem dinheiro. Nós ligamos para cinco advogados e todos eles disseram que a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas] barra Choy [Marco Aurélio] proibiram de advogarem para o meu marido. Então tivemos que ligar para alguém de fora", disse, acrescentando que um dos advogados que teriam negado advogar para o seu marido por medo de Choy faz, atualmente, parte da defesa de Alejandro Valeiko, no caso que apura o homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues.

Durante passagem hoje no Fórum Ministro Henoch Reis, onde estava previsto iniciar o julgamento de Sotero, Marco Aurélio Choy, na condição de presidente da OAB-AM que veio acompanhar a sessão, declarou que a defesa do delegado subestima a opinião pública e a capacidade dos jurados.

"Para você ter ideia, o Gustavo Sotero está custodiado na Delegacia Geral. Nós em momento nenhum resistimos a isso, mesmo a lei dizendo que ele deveria ficar em um Batalhão da Polícia Militar e não na Delegacia Geral. Mas entendemos que era uma prerrogativa dele como delegado. Entendemos que isso é um caso isolado, vitimou um advogado, um pai de família, que estava em uma casa de shows, um fato que podia acontecer com qualquer um. [...] Onde um delegado tinha alternativas e todas as expertises para reagir em uma situação como essas. Podia ter chamado segurança, podia dar voz de prisão, dar tiro de advertência, e não disparar uma arma até travar".


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.