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Sufoco na hora do ‘rush’ é um dos principais problemas do trânsito

Com frota crescendo em ritmo bem maior ao das intervenções viárias para dar vazão a tantos carros, resta ao condutor ter paciência para enfrentar o caos diário do trânsito 28/09/2015 às 11:07
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No cruzamento das ruas Codajás e Marques da Silveira, no bairro de Petrópolis, em frente ao Colégio da Polícia Militar, Zona Sul, a ausência de passarela, semáforo e fiscalização transforma o trânsito em um caos
augusto costa ---

Com uma frota de mais de 680 mil veículos entre carros, motos, caminhões e ônibus somente em Manaus, o desafio de conseguir espaço para se locomover e evitar acidentes nas ruas estreitas e mal planejadas da cidade se repete todos os dias. A falta de alternativas viárias para desafogar o tráfego tem aumentado as dificuldades de mobilidade urbana, principalmente nos horários de pico.

Apesar do tema da Semana Nacional de Trânsito 2015 - “Seja Você a Mudança” - que terminou na última sexta-feira, sugerir a conscientização dos motoristas brasileiros em prol de um trânsito mais seguro e com menos acidentes, na prática, muita coisa ainda precisa mudar.

Um dos exemplos desse caos urbano que virou rotina nas grandes cidades acontece todos os dias entre os cruzamentos das ruas Codajás e Marques da Silveira, no bairro de Petrópolis, em frente ao Colégio da Polícia Militar, Zona Sul. A situação se complica principalmente no horário de 12h às 13h e das 17h às 18h, quando os veículos dos pais dos alunos e outros motoristas que trafegam pelo local travam uma disputa acirrada para se livrar do engarrafamento no final das aulas.

Quem sente isso na “pele” todos os dias é o gráfico Kemerson da Silva Freitas, 31, que tem dois filhos que estudam no local. Ele disse que a falta de semáforos aliada ao estresse dos motoristas, que enfrentam o engarrafamento e até o calor de Manaus, tem contribuído para tornar a situação quase insuportável.

“É um sufoco e o trânsito fica caótico aqui a partir das 17h30, quando os pais têm que vir apanhar os filhos na escola. Fica tudo parado e a fila de carros chega até o hospital da Codajás. Os motoristas param em fila dupla na frente da escola e complica ainda mais. Os cruzamentos têm muitas faixas de pedestres e os carros têm que parar. O ideal seriam passarelas para as pessoas e a instalação de semáforos nessas ruas que não têm”, sugeriu Freitas.

O principal motivo de reclamação de motoristas é que a cidade de Manaus, apesar de ter quase dois milhões de habitantes, ainda é considerada ainda uma “província” que não adaptou as vias à grande quantidade de veículos que, todos os anos, chegam às ruas.

Paciência

Depois de um dia de trabalho cansativo, o despachante aduaneiro, Dalison Menezes, 28, apela para a paciência e muito bom humor para suportar o engarrafamento na avenida Rodrigo Otávio, Zona Sul, no horário do rush. “Fazer o quê? Tenho que passar por aqui todos os dias para ir para casa. Manaus não foi planejada e essas ruas estreitas ficam congestionadas nesse horário. Tem que ter muita paciência o trânsito está piorando cada vez mais. Faltam mais agentes de trânsito nas ruas para coordenar o fluxo de veículos”, enfatizou Menezes.

Outro que também não estava nada satisfeito com a lentidão do trânsito no final de tarde, na avenida Rodrigo Otávio foi o analista de sistema Vicente Sarudo. “É complicado. Todo dia temos que passar por isso aqui. O trânsito é devagar, tem muito carros e poucas opções viárias” lamentou o cansado motorista.

Maior desafio é a conscientização

 Mas enquanto o manauara sofre com as deficiências enfrentadas na mobilidade urbana de Manaus, o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran) aposta na conscientização do motorista. Para o diretor-presidente do órgão, Leonel Feitoza, o difícil não é organizar o trânsito na cidade, o maior obstáculo está na mudança de comportamento de muitos condutores, que insistem em não respeitar os limites de velocidade e as leis de trânsito.

“Recentemente realizamos a Semana Nacional de Trânsito 2015, onde trabalhamos o lado da mudança de atitude dos motoristas através de palestras. A cidade cresceu, temos mais de 680 mil veículos somente em Manaus, que tem uma população de 2 milhões de habitantes. As pessoas estavam acostumadas a sair de casa cinco minutos antes do seu compromisso e a realidade é outra. Cada um tem que fazer a sua parte, o trânsito somos todos nós. Está faltando conscientização do motorista”, enfatizou Feitosa.

O diretor do Detran confirmou que, nos horários de pico, aumentam o número de acidentes. “Sempre tem acidente em porta de escola e faixa de pedestre. No trânsito, o mais fraco é o pedestre e o ciclista, que têm prioridade. Este ano, até o momento, já tivemos 12 mil acidentes leves sem vítimas fatais. Temos poucas ruas e não temos como crescer mais. Temos várias barreiras naturais que são os igarapés, que não permitem o aumento das vias ou condomínios e prédios, além de muitos bairros que nasceram sem planejamento”, avaliou.

Vias não suportam demanda

Já pelo lado do Manaustrans, as medidas para melhorar e fiscalizar o trânsito estão sendo realizadas, garante o institito. Nos horários de pico, mais de 300 agentes de trânsito são espalhados em pontos estratégicos para ajudar no fluxo de veículos em vários pontos da cidade.

Segundo o presidente do órgão, Paulo Henrique Martins, os horários de pico acontecem pelo fato de terem uma carga de tráfego muito superior aos demais horários.

“Acontecem congestionamentos nestes horários porque a demanda é maior do que a capacidade das vias, variando de alguns minutos a algumas horas, dependendo dos locais. No caso da saída da Ulbra para avenida Rodrigo Octávio, o congestionamento acontece no horário da saída do Distrito Industrial, entre 17h e 18h, por conta do grande número de veículos e ônibus que saem ao mesmo tempo. O Manaustrans mantém agentes de trânsito em todo este vetor de deslocamento e está fazendo o ordenamento através de semáforos e mudança de circulação”, afirmou Martins, por intermédio da assessoria de imprensa.

Em números

750 mil veículos é a frota do Amazonas. Só em Manaus entre carros, motos, ônibus e caminhões, são mais de 650 mil e, todo mês, 5 mil novos veículos são emplacados.

300 agentes de trânsito são distribuídos nas vias de maior movimento na capital, para organizar o trânsito durante os horários de ‘rush’.

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