Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
PROTESTO

Sumiço de jovens no Grande Vitória completa 3 anos e famílias cobram respostas

Alex Júlio Roque, Rita de Cássia Castro da Silva e Weverton Marinho desapareceram após uma abordagem policial em 2016 e nunca foram localizados. Familiares e amigos fizeram uma manifestação para cobrar celeridade da Justiça a respeito do caso



gv_259F1E05-F44B-4B61-837C-6613AFD9F5C2.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica
29/10/2019 às 17:02

Cerca de 20 pessoas, entre familiares e amigos de três jovens que desapareceram em 2016 após uma abordagem policial no bairro Grande Vitória, na Zona Leste, se reuniram em protesto para cobrar celeridade da Justiça. A manifestação ocorreu em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, nesta terça-feira (29), data em que o caso completa três anos.

Até hoje os jovens Alex Júlio Roque, Rita de Cássia Castro da Silva e Weverton Marinho não foram localizados. Oito policiais foram indiciados por triplo homicídio e ocultação de cadáver. Em março do ano passado, seis deles tiveram a prisão preventiva revogada e passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.



A mãe do jovem Weverton Marinho, Iraci Marinho, 48, contou que o que ela mais deseja é que os culpados sejam punidos. ‘’Eu quero que a pessoa que fez isso com nossos filhos seja julgada. A Justiça deveria olhar pela gente e nos dar uma resposta. Somos pobres, mas pagamos os nossos impostos. Se fossemos nós a matar alguém, estaríamos condenados e aprisionados há muito tempo’’, disse.

Nos últimos três anos, a lembrança mais recorrente que a dona de casa carrega do filho é ele fazendo o café e avisando que iria sair. “Ele se despediu e lembro de não ter olhado pra ele. Se eu pudesse voltar no tempo, eu iria abraçar ele bem forte e dizer pra não sair de casa’’, lamenta.

A mãe de Alex Júlio, Arlete Roque, 50, disse que os últimos três anos sem o filho foram atribulados. ‘’Quero ter o direito de poder enterrar o meu próprio filho. Ocultaram o corpo dele. Dói não saber onde ele está. E me pergunto o tempo todo o porquê dos suspeitos terem ficado presos por tão pouco tempo. Só queremos uma resposta justa a respeito do que fizeram com os nossos meninos’’, questionou.

‘’Hoje completa três anos do desaparecimento da minha filha. Deram sumiço nos nossos filhos e ninguém foi punido por isso até hoje. Clamamos por justiça pra ver se ameniza um pouco a nossa dor’’, reforçou o pai de Rita de Cássia, Francisco Farias, 45.

‘’Trabalhavamos juntos na mesma empresa. Depois do ocorrido, a minha vida acabou, tive que sair do emprego e mudar de rotina porque passei a ter medo de ser perseguido desde que passamos a pedir pela punição dos culpados’’, contou.

A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para saber se o julgamento dos envolvidos já tem data prevista, entretanto, não houve resposta ao questionamento até a publicação deste material.

Relembre o caso

Os jovens Alex Júlio Roque, Rita de Cássia Castro da Silva e Weverton Marinho desapareceram no dia 29 de outubro de 2016 após uma abordagem policial no bairro Grande Vitória, na Zona Leste da capital. Eles voltavam de uma festa. Um vídeo registrado por uma câmera de segurança flagrou a ação dos PMs.

O aspirante da Polícia Militar Luiz Ramos foi apontado como o mandante do crime. Baseado no inquérito policial da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o Ministério Público (MP-AM) denunciou oito policiais militares da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) como os responsáveis pelo desaparecimento dos jovens.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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