Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
Perseverança

Jovem que tinha expectativa de vida de apenas 7 anos completa 22 realizando sonhos

A estudante de fonoaudiologia Ana Itárica Venâncio, 22, tem paralisia cerebral e conseguiu realizar dois sonhos: se formar e se tornar modelo



ana_itarica.JPG A jovem ao lado da mãe, a quem ela inspirou a retomar os estudos. (Evandro Seixas)
16/04/2017 às 05:00

A jovem Ana Itárica Venâncio, 22, conseguiu realizar um sonho de infância: virar modelo. Apesar de parecer algo comum para meninas com a mesma idade da dela, a jovem estudante de fonoaudiologia teve que aprender a superar limites desde cedo para mostrar do que é capaz. 

Itárica nasceu com uma deficiência em decorrência de uma gravidez de risco. Durante a gestação, a mãe dela, Maria de Jesus, 43, teve rubéola e tumores na cabeça que quase lhe tiraram a vida. Mas, no sétimo mês de gestação, a menina nasceu, mas a doença da mãe fez com que ela desenvolvesse  paralisia cerebral, que só foi descoberta após o nascimento. 



Na infância, Itárica chegou a ser desenganada pelos médicos. “O médico disse que eu não passaria dos sete anos. Hoje eu tenho 22. Eu não tinha movimentos, não falava, não era uma criança comum. Então desde pequena eu aprendi o significado da persistência e nunca desisti de viver”, relata ela. 

E foi com essa alegria  de  viver que a menina chegou onde muitos não acreditavam. “Hoje eu estou no sétimo período de fonoaudiologia e ninguém acreditava que eu fosse chegar aqui por ter paralisia cerebral. Tenho dificuldades motoras mas o meu cognitivo foi preservado”, disse ela, que se forma no final do ano. “O preconceito está em todos os cantos e eu sou a prova de que uma pessoa com deficiência pode, sim, estudar, se formar e ter uma profissão”, contou após afirmar que pretende trabalhar para ajudar outras crianças com deficiências. 

Ana Itárica  tem paralisia cerebral e é estudante de fonoaudiologia (Evandro Seixas)

Superação
Além de vencer as barreiras impostas no dia a dia, Ana Itarica venceu outros limites. Ela foi uma das 29 pessoas, a maioria crianças com diversas deficiências, que participaram da exposição “Arte sem preconceito”, realizada semana passada pela agência BM Moldes. 

O projeto teve a proposta de exibir fotografias de crianças e jovens deficientes para comprovar que eles também podem estar nas passarelas. “Eu me inspirei na a história na Ana Vitória, que tem microcefalia, e isso me motivou a procurar a agência para fazer parte desse trabalho. E agora eu estou muito feliz com o resultado”, contou. 

“O projeto Arte Sem Preconceito tem como objetivo  mostrar na prática que, com seriedade e responsabilidade, um ser humano com deficiência pode ser inserido em contato com os demais e pode ter a chance de novas experiências de vida. O projeto ganhou repercussão internacional e estamos muito felizes porque o mundo abriu os olhos que estavam vendados a esse público”, relatou a gerente da agência e mentora do projeto, Creuza Rodrigues. 

Exemplo e inspiração na própria filha

 A dona de casa Maria de Jesus, mãe de Ana Itárica, conta como foi difícil criar a filha praticamente  sem apoio. Mãe solteira, até hoje ela vive em função da filha.  “Eu sempre acreditei nela e hoje ela é  um incentivo pra mim. Tanto que voltei a estudar por causa dela”, contou Maria, que  cursa pedagogia.  

Para ela, a melhor forma de vencer o preconceito foi  permitir e incentivar o sonho da filha de se tornar fonoaudióloga. “Às vezes os pais querem tomar decisões importantes no lugar dos filhos. Eu decidi deixar a Ana sonhar e acreditar no sonho dela. E tenho certeza que isso fez  a diferença para ela”, comentou a também universitária.

Projeto ‘dando’ frutos

 A exposição “Arte sem preconceito” reuniu 29 telas, todas elas com modelos infantis e adultos. O diferencial do projeto é que todos os modelos possuem alguma deficiência seja ela física, auditiva, autismo e microcefalia.


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