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Manaus
PREOCUPAÇÃO

Surto de H1N1 faz procura por vacina aumentar em postos de saúde de Manaus

Imunização só deve começar a ser realizada em abril, caso órgãos não consigam adiantar campanha para o mês de março. Até o momento, nove mortes pela doença foram registradas no Estado 27/02/2019 às 02:06 - Atualizado em 27/02/2019 às 07:50
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AM registrou 149 casos de H1N1, com 9 mortes (Foto: Sandro Pereira)
Luiz G. Melo Manaus (AM)

Quando o estudante Paulo Ricardo Furtado, 20, soube, na última segunda-feira (25), que o Estado estava atravessando um surto de H1N1, a primeira reação foi procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. José Rayol, na Chapada, Zona Centro-Sul, para tentar se imunizar. Contudo, o que ele até então não sabia é que as vacinas só devem chegar em abril no Estado. Isso se o Ministério da Saúde (MS) não atender ao pedido dos governos estadual e municipal de antecipar a campanha de vacinação no Estado para meados de março.

Uma equipe com quatro técnicos do Ministério da Saúde está em Manaus desde ontem para auxiliar na investigação dos casos. O último boletim divulgado relata que houve 149 casos registrados em Manaus e no interior, com nove mortes confirmadas, sendo cinco na capital, duas em Manacapuru, uma em Parintins e uma em Itacoatiara. O próximo boletim será divulgado nesta quinta-feira (28).

A preocupação de Furtado reflete a de muita gente que, nos últimos dois dias, correu para os postos de saúde atrás da vacina contra o H1N1. “Fiquei com medo porque anunciaram que estávamos vivendo um surto da doença. Agora que fui informado que não tem vacina. Talvez só em março. Enquanto isso vou tomar todas as precauções possíveis: lavar mais as minhas mãos, tomar vitamina C e evitar andar na chuva”, enumerou o estudante.

Quem também chegou na mesma UBS preocupado foi o professor José Miranda, 32. Pertencente ao grupo de risco, por ser profissional da educação, ele conta que o que mais o apavorou foram os relatos da esposa dele, que trabalha no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul de Manaus.

“Minha mulher me contou que todos os dias têm chegado gente com os sintomas dessa doença no hospital, e ela me pediu para correr atrás de me vacinar. Só que agora fui informado de que ainda não tem”, disse, frustrado. “Só me resta redobrar o cuidado pra não gripar”.

Grupos prioritários

Na Policlínica Castelo Branco, no Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, a procura pela vacina também foi grande. Segundo uma funcionária, que não quis ser identificada, só na tarde de ontem pelo menos 30 pessoas foram à unidade saber se poderiam se imunizar.

“Ainda estamos aguardando uma decisão do governo federal a respeito, porém, caso a campanha de vacinação seja antecipada para o Amazonas, provavelmente seguirá o mesmo protocolo das campanhas anteriores. Ou seja, a prioridade de imunização serão as pessoas que pertencem ao grupo de risco [bebês, idosos, grávidas, mulheres até 45 anos em resguardo, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores da saúde, da educação e do sistema prisional, detentos de unidades prisionais e indígenas]. As doses remanescentes é que são disponibilizadas a toda a população”, contou.

Vacina em março nas clínicas particulares

Nas clínicas particulares a procura pela vacina contra o H1N1 também aumentou nos últimos dias. De acordo com uma funcionária da clínica Vacinar, que pediu para não ser identificada, as vacinas contra o vírus H1N1 só estarão disponíveis na primeira quinzena de março.

“Desde ontem [quando as autoridades de saúde do Estado anunciaram o surto] muitas pessoas têm ligado para a clínica procurando pela vacina”, disse.

Na Vacinar, uma dose da vacina contra o influenza chegou a custar R$ 150 para adultos e R$ 100, para crianças, ano passado. A expectativa é que essa dose sofra um reajuste esse ano. “Como acontece todos os anos, pois as nossas vacinas são importadas”, explicou ela.

Envio de tamiflu para o AM

O Ministério da Saúde informou, em nota, que instalou, ontem, em Manaus, o Centro de Operações de Emergências em Saúde (COES) para apoiar as ações de prevenção e controle da doença. A pasta também enviará mais do antiviral “tamiflu” ao Amazonas para ser utilizados no tratamento da H1N1.

Ainda de acordo com o MS, a produção da vacina contra a Influenza A leva cerca de seis meses e só começa após avaliação da mutação dos vírus que mais circularam no hemisfério sul no ano anterior. Com base nessas informações e após autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS), os laboratórios produtores da vacina começaram a produzir as doses desse ano, em setembro do ano passado.

Adultos e crianças de qualquer idade que já se vacinaram no ano passado ou em anos anteriores, e que querem ou devem se proteger, precisarão tomar a vacina novamente. Isto porque o vírus da gripe sofre pequenas modificações de um ano para outro.

Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que a Sala Municipal de Situação de Vigilância em Saúde, instalada em março de 2018 para monitorar os casos de sarampo na capital, vai passar a englobar o acompanhamento dos casos confirmados e suspeitos de Influenza A (H1N1).

O objetivo é disponibilizar informações para subsidiar a tomada de decisão dos gestores, como a investigação epidemiológica e manejo clínico dos casos, buscando interromper a transmissão da doença entre a população, além de elaborar e liberar informes e boletins epidemiológicos  junto à população.

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