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Suspeita de mandar matar rival, socialite nega autoria e diz que triângulo amoroso nunca existiu

Acusada de arquitetar tentativa de homicídio em Manaus, Marcelaine Schumann negou o crime e disse que nunca dividiu mesmo amante com Denise Almeida. Polícia dá caso por encerrado e inquérito será enviado à Justiça 15/01/2015 às 16:32
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Marcelaine em retrato para os arquivos da Polícia Civil
VINICIUS LEAL E NELSON BRILHANTE Manaus (AM)

A socialite Marcelaine Santos Schumann, suspeita de arquitetar a morte da rival com quem dividia o mesmo amante, negou na tarde desta quinta (15), em depoimento à polícia, as acusações de que seria a mentora do crime. Ela disse que nunca participou de triângulo amoroso e não quis assassinar então “inimiga”. A polícia dá o caso por encerrado.

“Elaine”, como gosta de ser chamada, confirmou para o delegado Paulo Martins, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), responsável pelo caso, a nova versão dada pelo advogado de defesa na última segunda-feira (12). Ela afirmou que não pagou R$ 7 mil para que um pistoleiro matasse ou deixasse aleijada a “rival”.

O crime aconteceu no dia 12 de novembro no estacionamento da academia Cheik Clube, no Centro de Manaus. A universitária Denise Almeida saia do local quando foi surpreendida por um homem que bateu no vidro do carro e efetuou três disparos. Denise foi alvejada duas vezes, foi hospitalizada e sobreviveu. Ela dividiria o amante com “Elaine”, o empresário Marcos Souto.

Depoimento

Segundo “Elaine”, ela não pagou R$ 7 mil para que Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, matasse Denise. Ela nega que Charles tenha contratado por R$ 3 mil o pistoleiro Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, para matar ou deixar aleijada Denise.

Segundo ela, “Salsicha” teria ido ao estacionamento da academia para cobrar uma dívida que Marcos Souto mantinha com Marcelaine, um cheque de R$ 40 mil emprestado a ele. Assim, “Salsicha” teria alvejado Denise “acidentalmente”, achando que Souto estava no carro. 

Ainda de acordo com “Elaine”, ela apenas teria emprestado o dinheiro ao empresário Marcos Souto, mas eles não eram amantes. Marcelaine é casada com outro grande empresário de Manaus, dono de uma importante agência de publicidade. Denise e Souto também são casados com outras pessoas.

‘Amizade’

Conforme Marcelaine, ela conheceu Charles quando ele era funcionário de uma agência bancária em Manaus onde ela era cliente. Os dois se tornaram amigos e “Elaine” visitou Charles no hospital quando o mesmo ficou doente. A polícia tem imagens da socialite entrando no hospital

Segundo “Elaine”, durante a visita ao hospital, Charles disse que estava com problemas financeiros e ela sugeriu a ele, pela amizade, que o mesmo fizesse a cobrança da dívida dos R$ 40 mil, já que o mesmo era funcionário de banco e tinha “habilidade” para cobranças. “Elaine” disse que, na época, prometeu pagar de comissão à Charles parte dos R$ 40 mil.

A socialite ainda relatou que não pediu que Charles, ou “Salsicha”, fossem armados até o local da cobrança, e que o tiro disparado contra Denise não foi ordenado por ela e nem que queria ver Marco Souto morto. Ela culpou o amigo Charles pelo crime.

Acareação

O delegado Paulo Martins disse que acrescentará no inquérito policial o depoimento de Marcelaine e que o caso agora está encerrado. Ele afirmou que não pretende mais fazer acareação entre todos os envolvidos no crime (interrogação frente a frente). Martins declarou que só faria uma acareação à pedido da Justiça e do Ministério Público.

Encerrado

Conforme o delegado, o inquérito atualizado com o depoimento deve ser enviado à Justiça até amanha (16), mas ele manterá a mesma linha de acusação. “O que a polícia tinha que fazer, já fez”, disse Martins. Agora, o juiz que receber o ‘caso Marcelaine’ deverá decidir qual versão para o crime é verdadeira e quem é o culpado pela tentativa de homicídio contra Denise Almeida.

Investigação

A primeira versão para o atentado contra Denise, a de que “Elaine” teria mandado matá-la por ciúme do amante, foi divulgado pela equipe de investigação da DEHS através do depoimento dos quatro envolvidos: Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, o atirador, Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, o negociador, Karen Arevalo Marques, 22, quem conseguiu a arma de fogo, e o vigilante Edney Costa Gomes.

Prisão

Marcelaine está presa desde o dia 5 de janeiro no Centro de Detenção Provisória (CDP) Feminino, no Km 8 da rodovia BR-174. Ela foi presa pela Polícia Federal dentro do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes ao chegar de uma viagem de Miami, nos EUA, onde estava desde dezembro com o marido.

“Elaine” teve voz de prisão decretada dentro da aeronave. Após isso, ela foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames e depois para a cadeia. A condução dela pela PF e não pela Polícia Civil causou mal estar entre as polícias.

Vítima

A universitária Denise Almeida disse em entrevista ao A CRÍTICA no dia 19 de dezembro que nunca foi amante de Marcos Souto e que nem conhecia Marcelaine, mas que era ameaçada pela suspeita. “Eu não sou a amante desse homem (Marcos) que sequer conheço, assim como não conheço essa mulher (Elaine). Sou casada e vivo muito bem com o meu marido. Meu marido não é o corno da jogada”, disse Denise.

A universitária explicou, à época, os motivos do crime: “O que aconteceu é que há pelo menos um ano essa mulher começou a ligar para a minha casa, para mim e para o meu marido. Ela dizia que tinha encontrado algumas ligações com o número do meu celular na conta do telefone do amante dela”, disse.

A vítima continuou: “Algumas vezes eu e o meu marido fomos seguidos pelo carro do amante dela. Ele chegou a ligar para o meu celular dizendo que queria se encontrar comigo para me pedir desculpas pelos insultos e ligações que ela fazia, mas não aceitei e acabou acontecendo o que vocês já sabem”.

O amante

Em dezembro, o jornal A CRÍTICA também publicou matéria com o conteúdo do depoimento de Marcos, o amante, dado à polícia. Na época, segundo o delegado Martins, Souto se mostrou surpreso, mas confessou ter um caso amoroso com “Elaine” há nove anos.

Segundo Martins, o empresário Marcos Souto se negava a acreditar que “Elaine” teria sido capaz de ter encomendar a morte de Denise, quem conhecia apenas como amizade, segundo ele. Marcos chegou a repetir várias vezes “eu não acredito que ela foi capaz. A Elaine não”, relatou o delegado Martins à reportagem.

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