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Manaus
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Suspeitas de sarampo em Manaus são 15,8% maior do que em todo o estado de Roraima

Roraima foi o estado em que os primeiros casos apareceram no novo "surto" brasileiro da doença 09/05/2018 às 17:55 - Atualizado em 09/05/2018 às 19:24
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Foto: Shutterstock
Vitor Gavirati Manaus (AM)

O número de casos suspeitos de sarampo notificados na cidade de Manaus é 15,8% maior do que o registrado em todo o estado de Roraima, onde o recente surto brasileiro da doença começou, de acordo com as últimas atualizações dos órgãos de saúde locais.

Segundo o 9º Informe Epidemiológico de Monitoramento do Sarampo, divulgado nessa terça-feira (8) pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Manaus contabiliza 395 casos notificados da doença. Ou seja, 54 notificações a mais do que Roraima, estado com 341 suspeitas, de acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau-RR) no último domingo (6).

O Brasil havia recebido o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2016. Porém, no dia 20 de fevereiro deste ano, voltou a confirmar um caso da doença em Roraima. Na data, o estado informou que mais sete pacientes estavam com suspeita de sarampo, sendo que, das oito notificações, sete envolviam venezuelanos que migraram ao Brasil motivados pela crise no país.

Dos 341 casos de sarampo notificados em Roraima, 83 já foram confirmados, 20 descartados e 238 permanecem em investigação. Em Manaus, dos 395, ocorreram 30 confirmações e 47 descartes, mas 318 casos ainda estão sendo investigados.

A população de Roraima, no entanto, é menor que a de Manaus, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa do instituto para 2017 era de que população do estado fosse de 522.636 habitantes, enquanto a da capital amazonense de 2.130.264 moradores.

De acordo com a Sesau-RR, 70,4% dos casos confirmados em Roraima são em pacientes venezuelanos. Na última semana, o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, afirmou que o vírus registrado no Estado é do mesmo genótipo que circula na Venezuela e Roraima, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “O Amazonas faz parte do corredor de transmissão, tendo em vista a aproximação da população com Boa Vista e Venezuela”, afirmou Albuquerque.

Casos no interior do Amazonas

No interior do Amazonas, 12 municípios já registraram casos suspeitos de sarampo. Ao todo, o Amazonas já contabilizou 422 notificações, sendo 27 fora de Manaus, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). São 6 casos em Humaitá, 6 em Parintins, 5 em Tefé, 2 em Iranduba e 1 em Anori, Beruri, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Novo Airão, São Gabriel da Cachoeira e Careiro da Várzea.

Nenhum caso de sarampo foi confirmado em municípios do interior e 4 foram descartados, segundo a  7ª edição do Boletim Epidemiológico divulgado pela Susam nesta quarta-feira (9).

Em Roraima, 11 cidades, entre elas a capital Boa Vista, possuem suspeitas de sarampo, segundo a Sesau-RR. Boa Vista, com 217 notificações, e Pacaraima, município na fronteira do estado com a Venezuela, que tem 60 suspeitas, são as cidades com mais registros.

Boa Vista possui pouco mais que o dobro de confirmações de sarampo em comparação com Manaus: 62 ao todo. A Prefeitura da capital estima que mais de 40 mil venezuelanos tenham entrado na cidade. Em Manaus, segundo a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), a entrada de 337 venezuelanos índigenas da etnia Warao no município foi registrada no município. A Semmasdh ressalta, no entanto, que existem venezuelanos que chegaram a Manaus sem procurar os órgãos oficiais.

Zona Norte de Manaus possui mais notificações

Em relação à distribuição de casos por zona geográfica de residência do paciente, o último Informe Epidemiológico da Semsa mostra que a Zona Norte de Manaus concentra o maior número de notificações com 43,80% dos casos, seguida das zonas Sul (24,81%), Leste (15,95%), Oeste (14,94%) e Rural (0,51%).

O infectologista Antônio Magela, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), declarou, em março deste ano, que o fato de a maioria das notificações estar concentrada na região Norte da capital pode ter relação com o surto da doença em Roraima.

“Se nós levarmos em consideração que o vírus pode ter se expandido a partir de Boa Vista (RR) em direção a Manaus pela BR-174, a Zona Norte é o primeiro local de impacto para a população de Manaus”, afirmou Magela à época.

Não cabe comparação, diz Semsa

Questionada sobre o fato de as notificações de sarampo em Manaus e no Amazonas terem ultrapassado os registros de Roraima, a Semsa afirmou que a comparação entre Manaus e Roraima não era cabível.

"O número de casos notificados em Manaus reflete a sensibilidade do Sistema de Vigilância Epidemiológica de todas as Unidades de Saúde da Prefeitura de Manaus. Não cabe comparação dos números de Roraima com Manaus, considerando a diferença numérica entre as populações das duas cidades", afirmou a Semsa em nota.

A Susam também afirmou que a comparação não era possível em função da diferença populacional e explicou que outras doenças com sintomas semelhantes aos do sarampo estão entrando na conta das notificações que ainda precisarão de confirmação laboratorial.

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