Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
DEZEMBRO VERMELHO

Taxa de detecção de Aids no AM cresceu 1,4% nos últimos 10 anos

Em Manaus, a taxa chega a 47,1 por 100 mil habitantes. Dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde em edição especial do Boletim Epidemiológico HIV/Aids



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05/12/2019 às 20:51

O Amazonas apresentou crescimento de 1,4% na taxa de detecção de Aids nos últimos dez anos. Em 2018, foram 29,1 casos notificados a cada 100 mil habitantes, número acima da média nacional e da região Norte.Em Manaus, a taxa chega a 47,1 por 100 mil habitantes.

Também foi registrado aumento de 9,5% na taxa de mortalidade no Amazonas. O estado registrou 6,9 óbitos por 100 mil habitantes em 2018, figurando na quinta posição entre as maiores taxas. A capital também apresentou números superiores à taxa do estado: 12,2 óbitos por 100 mil habitantes.



Taxa de detecção de Aids, por unidade da Federação. Fonte: Ministério da Saúde

Os dados foram divulgados em uma edição especial do Boletim Epidemiológico HIV/Aids, publicado na última segunda-feira (2) pelo Ministério da Saúde, como uma das atividades do Dezembro Vermelho, mês marcado mundialmente pela prevenção ao HIV/Aids. O compilado ainda não traz dados conclusivos em relação a 2019. 

Na comparação ano a ano, no entanto, foi apresentada queda. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), houve uma redução de 20,73% em Manaus.

A gerente de ISTs, Aids e Hepatites Virais da Fundação de Medicina Tropical (FMT), hospital referência no diagnóstico e tratamento da infecção, Dra Dessana Chehuan, lembra que nem todo portador do vírus HIV possui Aids.

“A Aids está relacionada ao vírus do HIV. Quando o indivíduo tem o vírus, mas não faz acompanhamento seja por desconhecer o diagnóstico ou por não fazer o tratamento corretamente, ele acaba desenvolvendo infecções oportunistas”, explica.

Segundo a enfermeira Rita de Cássia, chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) da Semsa, as campanhas de conscientização são peça chave para mudar esse cenário.

“Tão importante quanto evitar novos casos de HIV, o que pode ser feito por ações como o uso do preservativo nas relações sexuais, o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento são essenciais para interromper a cadeia de transmissão do vírus e aumentar a expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV”, explica ela.

A Susam ainda não se manifestou sobre os dados divulgados.

Propaganda enganosa

Para Rafael Arcanjo, ativista da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ AM), o crescimento evidencia uma estratégia de desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nos últimos anos nós voltamos a ter campanhas estigmatizantes e medonhas, que lembram aquelas dos primeiros anos, quando ainda não se sabia muito sobre o HIV. Isso afasta as pessoas da testagem e, por consequência, também do tratamento”, afirma.

Rafael contesta as peças publicitárias do Ministério da Saúde sobre o HIV/Aids, que, segundo ele, querem educar pelo medo. “A campanha do terror não funcionou. Muito pelo contrário, só aumentou o número de casos e mortes”, pontua. 

Para ele, o Estado instaurou uma política do silêncio em relação ao tema. “O governo quer invisibilizar a todo custo. Inclusive com campanhas alterando a cor do laço vermelho, que é símbolo mundial da luta contra AIDS”, acrescenta.

Dezembro Vermelho

No Amazonas, os serviços de saúde irão ampliar a oferta de testagem rápida para diagnóstico do HIV e outras ISTs, de forma conjunta com atividades educativas, enfatizando a prevenção, bem como a oferta de preservativos e gel lubrificante durante o mês de dezembro.

Confira a lista com todas as unidades de saúde que oferecem o teste rápido.


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