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Taxista desenvolve turismo alternativo na cidade de Manaus

Além de revistas sobre a Amazônia, carregadores de celular e até balança para pesar malas, Olímpio Carneiro carrega no carro um animal de estimação incomum: uma jiboia de um metro e meio 14/12/2014 às 17:08
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Cada turista anda no táxi pela cidade com a bandeira de seu estado ou País
luana carvalho ---

A gentileza, alegria e criatividade de um cearense de 55 anos desperta atenção de quem entra em seu táxi pela primeira vez. Além de revistas sobre a Amazônia, carregadores de celular e até balança para pesar malas, Olímpio Carneiro carrega no carro um animal de estimação incomum: uma jiboia de um metro e meio que atrai olhares por onde passa.

“Sufia” - nome dado à cobra - possui documentação de órgãos ambientais e faz ‘corridas’ com o taxista a pedido dos clientes. “Ela é meu bicho de estimação e é muito amada. Como a maioria dos meus clientes me conhecem através da internet, ficam sabendo da minha cobra e pedem para eu levá-la junto”, conta.

Mas esse não é o único diferencial de Olímpio, que mora em Manaus há 29 anos. “Quando comecei minha carreira de taxista, notei que as pessoas queriam um diferencial de atendimento. Eu não atendo função, eu atendo pessoas. Para mim tanto faz ser um diretor de uma multinacional ou faxineiro. O importante é fazer com que o cliente se apaixone pela cidade”.

Há 18 anos como taxista e há pelo menos 12 atuando como agente de turismo informal, Carneiro coleciona histórias e amizades. Em sua página no Facebook, muitos turistas e clientes deixam mensagens de carinho ao nordestino.

“A minha preocupação é só em como vou fidelizar o cliente. Muitos quando chegam aqui pensam que vão encontrar animais e índios. Mas quando apresento a cidade, eles ficam admirados”.

O ‘city tour’ é o mais alternativo possível. Carneiro procura fugir do ‘convencional’ e mostra os dois lados da cidade. “Em toda obra que passo, informo o valor e a história do local. Procuro levar os clientes nas palafitas, mostrando como Manaus era antes. Mas também mostro o Prosamim, pra verem a transformação da cidade”.

Além disso, ele oferece um inusitado cartão de visita. “Meu cartão é um chaveiro de escama de pirarucu. Faço pimentas com embalagens personalizadas, presenteio os clientes com cuias e bombons da Amazônia, terços feitos com sementes de açaí, entre outros brindes”.

Para ele, o prazer está em agradar o cliente. “Quando querem um peixe, eu vou ao mercado e compro. O meu atendimento é para turista amar e conhecer Manaus como eu conheço”.

Tema de dissertação na UFAM

A inovação de Olímpio Carneiro é a tese de mestrado do professor de turismo da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Roosevelt Moldes. “Faço mestrado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e minha dissertação abarca o trabalho do Olímpio. Com o tema envolvendo meio ambiente e sustentabilidade, estou trabalhando na linha de pesquisa de turismo informal”.

Roosevelt vivenciou o dia a dia do taxista, participando de todos os roteiros turísticos durante a pesquisa de campo. “Eu o acompanhei durante os últimos dois anos. Fui motorista algumas vezes. Como turismólogo, eu diria que ele é um ícone de Manaus. Não conheço outra pessoa que desenvolva serviço turístico como ele”, comentou.

Na dissertação, ele pontua a inovação e marketing do taxista. “O vejo como um empreendedor que inova dentro do ramo de turismo. Olímpio Carneiro se tornou uma marca, pois todo cliente que ele atende, vira amigo. É como se fosse uma agência de turismo em uma pessoa só”.

Ele explicou que em uma agência formalizada, os agentes levam os clientes apenas em atrativos turísticos”. O Olímpio faz diferente. Ele consegue captar o interesse da pessoa e apresenta tudo sobre Manaus, desde os lugares mais inóspitos, até os mais bonitos”.

Tratamento VIP

Antes de buscar o cliente no aeroporto, Olímpio Carneiro procura saber a cidade de origem do turista e ornamenta o automóvel com bandeiras do Estado ou país. Além disso, ele organiza passeios turísticos, como mergulho com os botos, visita ao Museu do Seringal, encontro das águas e focagem de jacaré.

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