Sábado, 14 de Dezembro de 2019
DEBATE

Taxistas lotam Câmara Municipal e fazem pressão contra a Uber em Manaus

Muitos taxistas e mototaxistas acompanham o debate do lado de fora, porque não conseguiram entrar no plenário. A audiência pública foi convocada pelo vereador Chico Preto



corpo.JPG Foto: Kelly Melo
19/04/2017 às 15:40

Taxistas contrários à implantação da plataforma Uber em Manaus lotaram as galerias da Câmara Municipal de Manaus, no bairro Santo Antônio, na Zona Oeste, na tarde desta quarta-feira (19).

Alguns acompanharam o debate do lado de fora, porque não conseguiram entrar no plenário. A audiência pública foi convocada pelo vereador Chico Preto (PMN).



Participaram da audiência os vereadores, o superintende municipal de transportes urbanos, coronel  Audo Albuquerque, representantes de taxistas e mototaxistas. Houve debates mais acalorados e o vereador Marcelo Serafim, que defende o Uber na cidade, chegou a ser vaiado. 

O vereador Gilvandro defendeu que há a necessidade de uma discussão profunda sobre a questão, mas saiu em defesa dos taxistas. “Precisamos discutir porque esse sistema se mostra malsucedido no mundo inteiro e não podemos massacrar uma atividade que está sobrecarregada. Não sou contra a concorrência, mas tem que haver regulamentação e regularização dessa atividade”, explicou.

O represente do movimento “Queremos Uber Manaus”, Carlos Cesar Reis, e o vereador Marcelo Serafim (PSB), que é a favor da atuação da plataforma na cidade, foram vaiados durante seus discursos. Carlos Cesar Reis afirmou ainda que o movimento vai protocolar um pedido de consulta pública para que a população seja convocada para a discussão.

Marcelo Serafim, por sua vez, afirmou que vaias não iriam intimidá-lo. "Estão querendo se impor pela intimidadação e pelo medo. Esta casa não vai se intimidar com vaias", afirmou ele, que aproveitou a oportunidade para cobrar que a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) fiscalize aquilo que de fato é irregular dentro de sua competência. "Esperamos, coronel Audo (Albuquerque, superintendente da SMTU e presente à audiência), que o senhor fiscalize mototaxistas irregulares e que tenha a mesma coragem para fiscalizar os taxistas irregulares também. Que vocês tenham coragem de coibir esse aluguel vergonhoso de placas de táxi e que vossas excelências tenham a coragem de enfrentar os coronéis covardes do sistema de transporte coletivo". 

Divergências

Nas galerias, o que se via era a união entre taxistas e mototaxistas contra a nova plataforma que vem caindo no gosto dos amazonenses. No plenário, no entanto, havia discordâncias. Havia vereadores, como Marcelo Serafim (PSB), Joana D'Arc (PR) e Professor Fransuá (PV) que defendiam a regulamentação imediata do serviço. Outros, como Bessa (PHS),  taxaram o serviço como ilegal. 

O vereador Professor Fransuá é autor de um projeto de lei que autoriza a utilização de vias públicas para serviços de transporte indivudual operado por plataforma - como o Uber e o Cabify, que ainda não funciona em Manaus. Segundo ele, a regulamentação do aplicativo em Manaus é uma vontade da população, e por isso os vereadores devem atender ao pedido. 

"Fomos eleitos pelo voto popular e somos representantes do povo. Por isso temos o dever de regulamentar o serviço que já está em operação. Essa guerra existe por não ter regulamentação, como já ocorre em Brasília e Vitória, onde taxistas e motoristas do Uber coexistem tranquilamente", afirmou ele, lembrando que até mesmo taxistas devem migrar para o Uber por conta de explorações vividas no dia a dia. "Existe uma grande parcela de taxistas sendo explorada, vivendo como verdadeiros escravos modernos. Eles precisam trabalhar em dois turnos para ter um pouco de sustento. Esse taxista vai migrar e vai prejudicar as empresas que fazem isso (a exploração)", defendeu. 

Para Bessa, o Uber não pode funcionar em Manaus por ser, na visão dele, ilegal. "O Uber não tem legalidade pelo sistema que ele trabalha. O aplicativo não transporta ninguém, quem transporta são os veículos", argumentou ele, dizendo que o aplicativo traz insegurança ao usuário. "Você não sabe quem está no volante, não sabe o cadastro, não sabe se o motorista tem passagem pela polícia ou não, se esse veículo foi vistoriado ou não". 

Recentemente, em entrevista publicada pelo Portal A Crítica, o diretor da Uber na Região Norte, Henrique Weaver, afirmou que, para aderir ao Uber, todos os motoristas precisam entregar a documentação do veículo em dia e que passam por uma checagem completa de antecedentes criminais, contrariando as palavras do vereador. Veja abaixo os detalhes da entrevista:

 

Bessa ainda repetiu os argumentos do presidente da Câmara, Wilker Barreto, também do PHS. Wilker disse que era uma afronta o Uber instalar-se em Manaus sem falar com a Prefeitura de Manaus, o que foi repetido por Bessa. "É uma afronta esse aplicativo entrar na cidade sem falar com ninguém. Cadê o representante dessa empresa? Cadê o alvará? O recolhimento de ISS, de ICMS se for o caso? Não tem". 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.