Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
Manaus

Técnica de representação facial, retrato falado ajudou polícia a elucidar 137 casos ano passado

Em duas décadas e meia, procedimento para reproduzir rostos de pessoas desaparecidas ou suspeitos de crime evoluiu com a tecnologia, permitindo usar até efeitos de envelhecimento



1.jpg Fazer um retrato falado toma até três horas de trabalho dele
22/02/2015 às 13:41

É por meio da representação facial humana, uma técnica mais conhecida como retrato falado, que a Polícia Civil procura crianças desaparecidas e também busca identificar e prender os autores de crimes como estupro, furtos, roubo e homicídio.

Essa técnica  se beneficiou do avanço da tecnologia e hoje pode realizar efeitos  como envelhecer o indivíduo para atualizar a imagem e facilitar a busca do criminoso ou do bandido.



Mas no princípio, quando a ferramenta ainda era ‘artesanal’, apenas papel e lápis, o retrato falado foi decisivo para que a Polícia Civil obtivesse informações suficientes para deter uma quadrilha de assaltantes que aterrorizava Manaus em 1990.

As vítimas eram estudantes de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que faziam residência no hospital Getúlio Vargas. Elas tinham os  carros roubados e, por vezes, eram estupradas.

Para realizar o retrato falado dos elementos, o investigador, Gerente de Identificação Criminal, Antônio Ibrahim Marques dos Santos usou a experiência como publicitário somada aos dados colhidos nas entrevistas investigativas para ajudar na busca.

“Foi a estreia do retrato falado aqui na cidade e a primeira vez que ganhei um elogio do governador, na época, era o Vivaldo Frota”, recorda Ibrahim.

Reconhecimento

Desde então, o investigador passou a auxiliar na elucidação dos casos também produzindo retrato falado, apesar disso, o trabalho só foi oficializado em Manaus no ano de 2005.

Para se aprimorar, Ibrahim realizou um curso oferecido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) em 2009.

“Não dá para comparar com o trabalho de um artista. É importante conhecer a antropometria (ciência que estuda e avalia as medidas de tamanho, massa e proporções do corpo humano) e a biometria (o estudo estático das características físicas e comportamentais dos seres vivos) antes de se envolver nessa tarefa”, esclarece.

Superada a forma artesanal de fazer o retrato falado (apenas com o lápis e papel), Manaus adquiriu, em 2005, o “Faces” mesmo programa usado pelo FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos), que permitia a produção de imagens em preto e branco.


Para envelhecer q foto de Karla Vitória foram usadas as fotos dos seus pais

Atualmente, é possível conseguir imagens tão fidedignas que se assemelham a fotografias do retratado, isso graças ao uso do “Horus”, um aplicativo desenvolvido no Instituto de Identificação da Polícia Federal de Brasília que funciona em conjunto com o Adobe PhotoShop, desde 2009.

“Hoje em dia, demora cerca de duas até três  horas para concluir um retrato falado. A descrição normalmente é feita pela própria vítima, que acompanha todo o processo. Na época que era desenhado eu demorava até oito  horas para terminar”, afirma o investigador.

Cuidados

O desenvolvimento do retrato falado exigiu algumas medidas de segurança por parte dos papiloscopistas (profissionais que  confeccionam  retratos falados).

“Temos os códigos de cada fragmento do rosto e uma marca padrão (escrito: composição fotográfica)”, explica o investigador; ele diz, ainda, que esse cuidado é necessário para evitar que o retrato falado seja realmente confundido com uma fotografia do acusado.

Em números

Casos em Manaus foram elucidados com o auxílio do  retrato falado no ano passado. A maioria das ocorrências estava relacionadas a estupro e roubo. Diariamente, no Instituto de Identificação “Aderson Conceição de Melo”,  são feitos até dois retratos falados.

Hoje em dia, um retrato falado só é válido se a pessoa que o descreveu confirmar que a imagem se assemelhar pelo menos 60% com o acusado, caso contrário a imagem deve ser  é descartada e feita uma nova tentativa.

Avanços nas investigações

Foi por meio do retrato falado, que a Polícia Civil encontrou a suspeita de sequestrar  a menina Daiane de Paula Pessoa Ferreira, de 7 anos, em setembro de 2013.

O suspeito de matar a jovem Luanny de Brito Machado, 14,  em março de 2011, foi encontrado depois da divulgação do retrato falado. A imagem foi feita com base nas informações prestadas por uma das testemunhas, Maria da Conceição Fidelis Dávila, que foi assaltada minutos depois do crime, nas proximidades do local onde foi achado o corpo de Luanny.

Desaparecidos

O caso de Shara Ruana ganhou repercussão nacional. A menina tinha 7 anos saiu na manhã do dia 28 de outubro de 2007 para comprar pão e não retornou. O desaparecimento comoveu toda a cidade, na época.


Shara Ruana teve sua imagem envelhecida para facilitar investigação

Para a Delegada Linda Glaúcia, o caso “Shara Ruana” ainda é significado de mistério. “Foi feita uma divulgação nacional sobre o desaparecimento dela. Fiscalizamos todo o Estado em busca de pistas que justificassem o fato, mas nada de concreto foi encontrado”, disse.

Ainda sem solução, o caso de Karla Vitória Alves Ferreira, que no dia 2 de novembro de 2005, a menina de 5 anos, brincava com outras crianças em frente à casa de uma vizinha. As outras crianças voltaram para suas casas e Karla ficou para trás. Horas depois, a mãe, Francinete Alves Ferreira, notou que a criança havia sumido.


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