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Tecnologia ajuda Instituto de Criminalística a elaborar imagens úteis em investigações

A Polícia Civil utiliza o software denominado de Horus, cedido pela Polícia Federal. É um programa que permite o desenvolvimento de retrato falado a partir de um banco de imagens digitais, coloridas e em alta resolução. O resultado é semelhante a uma fotografia 26/05/2013 às 15:49
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Exemplo de envelhecimento facial: Shara Ruana, desaparecida desde 2007
Joana Queiroz Manaus

Identificar, localizar e prender um criminoso por meio do retrato falado está se tornando um desafio cada vez mais frequente no Amazonas. O retrato falado está sendo usado como uma ferramenta que auxilia nas investigações, pois se trata da representação fotográfica elaborada com fragmentos de faces humanas que se aproxima das características faciais de uma pessoa, vítima ou criminoso, que precisa ser encontrada.

A Polícia Civil utiliza o software denominado de Horus, cedido pela Polícia Federal. É um programa que permite o desenvolvimento de retrato falado a partir de um banco de imagens digitais, coloridas e em alta resolução. O resultado é semelhante a uma fotografia.

De acordo com a servidora Tânia Rocha, responsável pelo setor de Retrato Falado do Instituto de Identificação (IC) da Polícia Civil, muitos casos já foram solucionados por meio do retrato falado elaborado por profissionais do IC. Um deles foi do maníaco Anderson Pereira da Silva, que estuprou pelo menos 15 mulheres nas proximidades do Conjunto Eldorado, Zona Centro-Sul. O estuprador foi reconhecido pelos policiais do DERFD devido ao retrato falado, foi feito com as descrições dadas pelas vítimas.

O mecânico Marlon Brando Pimentel da Silva, 48, preso no ano passado, foi reconhecido por meio de retrato falado quando passava por uma das barreiras da Polícia Civil. O retrato dele estava espalhado por vários pontos da cidade. Ele era procurado por ter estuprado várias mulheres. Marlon tentou fugir da barreira ao ser reconhecido pelos policias civis, que tinham em mãos um retrato falado criado com base nas informações das vítimas.

Tânia elabora um retrato falado usando um banco de imagens coloridas de alta definição, além de um conjunto de técnicas de diminuição da distorção de tons de pele, inserção de marcas corporais, acessórios, projeções de envelhecimento e simulação de disfarces.

O Horus fornece quatro mil imagens de rostos, olhos, sobrancelhas, bocas e narizes que permitem ao profissional montar uma imagem com base nas informações passadas pela testemunha ou vítima de um crime. Segundo Tânia a imagem tem que ter pelo menos 60% de semelhança com a pessoa procurada para ser considerada legal.

Ela explica que, para ser elaborado um retrato falado, antes ela conversa com a pessoa que vai passar as informações. Muitas vezes é um momento difícil, principalmente quando as informações são passadas por uma vítima. “Há pessoas que ficam emocionadas e têm dificuldade de lembrar e a gente tem que dar uma parada, conversar, para recomeçar os trabalhos”, diz. Segundo ela, há casos em que se levam mais de seis horas para um retrato falado ficar pronto.

Envelhecer é o principal dos desafios
O maior desafio de quem trabalha com a elaboração de retratos falados é fazer a projeção de envelhecimento de pessoas desaparecidas. Pelo menos, na opinião de Tânia Rocha, do Instituto de Criminalística da Polícia Civil. Segundo ela, o trabalho tem como base a imagem dos pais ou irmãos mais velhos da pessoa, um trabalho demorado, mas que se torna possível com a aplicação de técnicas modernas.

Um dos trabalhos de envelhecimentos em fotos de desaparecidos produzido pela Polícia Civil que ficou mais conhecido é o de Shara Ruana. A menina tinha sete anos quando saiu na manhã do dia 28 de outubro de 2007 para comprar pão e não retornou. O caso de desaparecimento comoveu toda a cidade, na época. Para a polícia, o caso “Shara Ruana” ainda é um mistério. Tânia explicou que o trabalho foi feito com base nas imagens dos pais e de uma irmã mais velha da menina. O resultado foi o rosto de Shara Ruana com 11 anos de idade.

Horus

O Horus é um sistema que foi criado por papiloscopistas policiais federais e servidores administrativos do Instituto Nacional de Identificação (INI). História O primeiro retrato falado que se tem notícia no mundo foi criado em 1881 na França de um criminoso identificado como Percy Lefroy Mapleton. Ele é citado na história da ciência forense como o primeiro retrato falado registrado em cartaz e jornal. Pioneiro Segundo Tânia Rocha, no IC o retrato falado começou ser produzido na década de 90 pelo investigador Ibrahim Marques que, de forma espontânea, começou a fazer os primeiros retratos falados de criminosos que estavam sendo procurados pela polícia. Nos primeiros retratos falados eram utilizadas técnicas de desenhos.

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