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Manaus
Reunião na Semsa

Telefonistas do Samu são dispensados e cobram pagamentos de salários atrasados

Ex-funcionários prestavam serviços ao 192 e foram dispensados após a prefeitura rescindir contrato com a empresa terceirizada D. de Azevedo Flores, cujo dono foi preso pela Operação ‘Maus Caminhos’ 26/09/2016 às 14:49 - Atualizado em 26/09/2016 às 18:51
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O secretário de saúde do município, Homero de Miranda Leão, recebeu os ex-funcionários da D. de Azevedo Flores na sede da Semsa. Foto: Reprodução/Internet
Rafael Seixas Manaus (AM)

Trinta e dois telefonistas que foram dispensados da empresa D. de Azevedo Flores, que prestava serviços ao 192 do Samu, se reuniram na manhã desta segunda-feira (26) com o secretário de saúde do município, Homero de Miranda Leão, para solicitar esclarecimentos sobre o pagamento dos salários atrasados e direitos trabalhistas. Eles foram dispensados após dois dos proprietários terem suas prisões preventivas decretadas na Operação “Maus Caminhos”, que investiga um desvio de R$ 110 milhões nos recursos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. 

Na sexta-feira passada, a Prefeitura de Manaus rescindiu, preventivamente, dois contratos que tinha com a D. de Azevedo Flores. De acordo com uma das colaboradoras, que preferiu não se identificar, no mesmo dia todos os funcionários foram dispensados, mas há três meses a empresa não paga os salários.

 “Fomos afastados de nossas funções do Samu, da avenida Tarumã, no bairro Praça 14, e viemos aqui saber se vamos receber os três meses de salários atrasados. Também viemos nos reunir com o secretário para saber como ficará a nossa situação, porque ninguém chegou a nos dizer como fica o Seguro Desemprego, o FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] e a liberação da nossa Carteira de Trabalho”, declarou, complementando que o grupo entrará com uma ação no Ministério do Trabalho.

Posicionamento

O secretário informou à reportagem que a empresa contava com dois contratos, sendo um destinado ao serviço de telefonia para o Samu (192) e outro referente à contratação de serviço de controle vetorial do Aedes aegypti.

“O primeiro foi objeto de um Pregão Eletrônico, que é feito nacionalmente. Nove empresas participaram e ocorreram 77 lances de rebaixamento de preço. No final se estabeleceu o vencedor, que foi a D. de Azevedo Flores. Ela prestou o serviço de telefonia do 192 do Samu até a última sexta-feira (23). Os servidores sempre trabalharam com muita atenção e eficiência”, declarou.

“Temos outra relação com essa empresa, na Emergência do Zika Vírus. Quando o prefeito decretou estado de emergência na epidemia do zika vírus, a intenção foi justamente facilitar mecanismos administrativos que permitissem rápida resposta à epidemia. Dentre essas respostas, uma delas se refere à contratação de pessoas para fazer o manejo ambiental para o combate ao mosquito. A escalação foi fruto de uma dispensa de licitação, e nós precisávamos de pessoas para executar esse trabalho e isso aconteceu da forma mais transparente possível”, acrescentou.

O secretário explicou que, apesar da regularidade dos contratos, eles foram rescindidos devido à preocupação na continuidade dos serviços oferecidos, já que, com o afastamento dos proprietários, criou-se uma insegurança administrativa quanto à continuidade da prestação de serviços.

Ainda de acordo com ele, os funcionários da própria secretaria foram remanejados para ocupar os cargos, mas em breve uma nova licitação será feita. Sobre o atraso no pagamento, Homero de Miranda Leão relatou que a Semsa não fez o repasse dos meses de junho, julho e agosto porque a D. de Azevedo Flores está com débito na documentação dos dois contratos, ambos referentes à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP).

A reportagem tentou entrar em contato com a D. de Azevedo Flores por meio do número (92) 3622-45XX, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição.

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