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Tempestade expõe fragilidades da capital amazonense

Trânsito congestionado, destelhamentos de casas, árvores arrancadas, Internet desligada e falta de energia nas principais zonas foram alguns dos problemas causados por uma tempestade que durou aproximadamente 1h20, nessa segunda-feira (30) pela manhã 01/10/2013 às 07:35
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Carro ficou embaixo de telhado contorcido pelo temporal
Monica Prestes ---

Em aproximadamente uma hora e 20 minutos, uma tempestade com ventos de até 91,8 km/h e precipitação de chuva que superou em 56% a média esperada para o mês inteiro deixou expostas fragilidades de uma capital que tem 2 milhões de habitantes mas pára a cada temporal.

Ruas alagadas, deslizamentos e destelhamentos, redes de telefonia e Internet fora do ar, chuva de granizo, quedas de energia, semáforos desligados, trânsito caótico. Cenas que parecem se repetir a cada ano.

Nessa segunda-feira (30), a tempestade que começou no final da manhã só terminou mais de uma hora depois, com a precipitação de 114 milímetros de chuva. Fato que surpreendeu os profissionais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma vez que a média climatológica para o mês de setembro é de 73 milímetros, segundo o meteorologista Veríssimo Assis.

“Tempestades assim, inclusive com ocorrência de granizo, são comuns nessa época do ano, mas esta se formou muito rápido. No ano passado tivemos uma semelhante, que deixoua cidade destruída. Mas desta vez os estragos se concentraram na zona Centro-Sul”, explicou.

Um dos primeiros reflexos da tempestade foram os engarrafamentos, que se multiplicaram à mesma velocidade que os “alertas” que motoristas, presos no trânsito, faziam pelas redes sociais como Facebook e Waze. Agravados pela pane de 36 semáforos e pelo alagamento de vias e queda de árvores, placas e postes nas ruas, os congestionamentos se estenderam, como um efeito cascata, por pelo menos 28 ruas da capital, segundo relatos dos próprios motoristas nas redes sociais.

Entre as vias estavam as principais avenidas da cidade: Djalma Batista, Constantino Nery, Torquato Tapajós, Ephigênio Salles, Darcy Vargas e Umberto Calderaro, segundo informou o diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins.

Para ele, o reflexo da chuva no trânsito é um “fenômeno natural” comum às grandes cidades, mas que poderia ser minimizado com planejamento das vias e modernização do sistema operacional dos semáforos. Segundo Martins, o sistema de semáforos de Manaus é frágil porque nenhum dos 240 cruzamentos semaforizados da capital possui tecnologia para manter o funcionamento em caso de quedas de energia que, segundo ele, são frequentes. O resultado é um caos ainda maior no trânsito. “Recebemos o sistema desse jeito e só em 2014 vamos ter orçamento para corrigir os problemas. Até lá os agentes de trânsito serão deslocados para minimizar o problema”.

Apesar do problema identificado, Martins alega que o maior dano ao trânsito, ontem, foram as quedas de energia, objetos e água na pista. “Temos pontos da cidade onde qualquer chuva mais forte alaga, como as avenidas Tefé, Djalma Batista, Torquato, Constantino. Mas ali são problemas de drenagem, que dependem de obras da prefeitura. Nesses pontos, não temos o que fazer a não ser esperar a água baixar”.

Quatro zonas sem energia elétrica

Pelo menos 14 bairros das zonas Sul, Centro-Sul, Norte e Leste tiveram o fornecimento de energia elétrica interrompido após a tempestade da manhã dessa segunda-feira (30). A chuva, acompanhada de rajadas de vento de mais de 90 km/h, durou cerca de uma hora, mas deixou conjuntos inteiros sem luz até o anoitecer e muito prejuízo para quem depende da energia para trabalhar.

Em um posto de combustíveis localizado na avenida André Araújo, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul, os frentistas “ganharam” parte do dia de folga. É que, com o fornecimento de enregia interrompido por conta da tempestade, as bombas de combustível não funcionam. Restou ao proprietário do posto amargar o prejuízo.

A Eletrobras Amazonas Energia registrou 390 ocorrências no fim da manhã de ontem, em função da tempestade. A até as 12h, a empresa contabilizou 15 alimentadores desligados em razão de objetos, como placas e outdoors que atingirama rede elétrica.

As áreas mais atingidas pela falta de energia foram os bairros Adrianópolis, Parque Dez, Praça 14, Flores, Coroado, Petrópolis, Aleixo, Cachoeirinha, São Francisco, Centro, Chapada, Nossa Senhora de Fátima, Colônia Santo Antônio e Japiim, além dos conjuntos Shangrilá e Celetramazon.

Susto e prejuízo a casas, comércios e shopping

Na rua Benjamin Constant, bairro Petrópolis, Zona Sul, moradores ficaram assustados com a intensidade do vento que arrancou a cobertura de uma casa que está em construção. A estrutura de madeira com as telhas de zinco voou e ficou apoiada em fios da rede elétrica da rua.

E não foram apenas os moradores da rua Benjamin Constant que foram surpreendidos pela tempestade. Até as 15h dessa segunda-feira (30), a Defesa Civil de Manaus registrou, por meio do telefone de emergência 199, 50 ocorrências, sendo 25 destelhamentos.

Entre elas estavam dois tombamentos de árvore nos bairros Adrianópolis e Vieiralves, um risco de desabamento de casa no Educandos, um rompimento de bueiro no Alvorada, destelhamentos de casas nos bairros Petrópolis e São Francisco, quatro destelhamentos de prédios (Vieiralves, Aleixo, Praça 14 e Adrianópolis) e o risco de desabamento de um prédio no bairro São Geraldo.

Na rua General Glicério, no bairro Cachoeirinha, Zona Sul, foram cinco as casas destelhadas pelo vento. Ainda na Zona Sul, na rua Raul Antony, no Petrópolis, destelhamentos e quedas de árvores atingiram a rede elétrica. Postes de energia também foram derrubados pelo vento na avenida Carvalho Leal, na Cachoeirinha, e tombaram sobre um carro e um ônibus. Ninguém ficou ferido com gravidade.

Na avenida Mário Ypiranga (antiga Recife), Zona Centro-Sul, o vento forte derrubou a fachada de uma empresa de bebidas. As placas de publicidade da empresa caíram sobre os carros que estavam estacionados em frente ao estabelecimento. Mesmo com a chuva e o vento forte, os funcionários tentavam remover os pedaços de ferro.

O temporal também causou grandes transtornos a quem visitava o shopping Manauara, entre as vias Mário Ypiranga Monteiro e Jornalista Umberto Calderaro Filho. Por volta das 11h, os seguranças do shopping começaram a evacuar o local, onde parte do teto desabou. Quem estava nas lojas teve que sair às pressas. Para buscar os carros que estavam no estacionamento, as pessoas tinham sair do prédio e, debaixo de chuva, acessar a entrada lateral do shopping. Por volta de 12h funcionários do centro de compras quebraram algumas vidraças para escoar a água represada dentro do shopping.

Imóveis públicos também foram afetados pela ventania, segundo a Defesa Civil. O prédio onde funciona a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), no Aleixo, e o pavilhão dos idosos e a capela da Fundação Dr Thomas, no bairro Nossa Senhora das Graças, sofreram destelhamentos e acabaram alagados.

No Vieiralves, por trás do Manaus Plaza Shopping, foram registrados alagamentos de residências. O Corpo de Bombeiros registrou 21 ocorrências, a maioria envolvendo tombamentos de árvores.

* Colaboraram Carolina Silva e Jaíze Alencar

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