Publicidade
Manaus
Mobilização

Mudanças na saúde do Estado gera protestos na capital

Servidores e movimentos sociais foram às ruas em manifestação contra a mudança proposta pelo governo do Estado e debateram o tema em Audiência 31/05/2016 às 09:30
Show capturar2
Manifestação na ALE contra a mudança proposta pelo governo (Fotos: Antônio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

"Um grande retrocesso”. É assim que entidades sindicais e da Sociedade Civil veem a reestruturação da ‘Rede de Atenção em Saúde’, na capital. Ontem, mais uma vez, diversas manifestações contra a mudança proposta pelo governo do Estado foram registradas em vários pontos da capital. Pela manhã, uma Audiência Pública foi realizada no auditório Belarmino Lins, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), para debater o assunto e a situação dos profissionais da área.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, não tem como maquiar. O fechamento de unidades de saúde e a diminuição do leque de serviços com a transformação de Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) causará restrição no atendimento, além de fazer com que outras unidades sejam sobrecarregadas. Mas o pior, conforme ele, é que essa reordenação sequer foi comunicada, antecipadamente, a sociedade. 

“Essa mudança proposta pelo governo estadual ela sequer foi comunicada aos diretores das unidades envolvidas. A população e as entidades representativas de profissionais da área de saúde também não foram informadas. O Conselho Estadual de Saúde não teve participação nessa discussão. Isso rasga um grande avanço da sociedade democrática brasileira que é o controle social. É um imenso retrocesso, principalmente pela falta de discussão”, afirmou Vianna. 

A integrante da Comissão de Saúde da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Rosimere Teles, lembrou que, se a situação vai complicar para os brancos, imagina para os indígenas, que há anos sofrem com a deficiência de atendimento nessa área. “Nós temos uma política pública diferenciada, mas não temos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), em Manaus e em seu entorno. Quando vamos a unidades da rede municipal e estadual ninguém quer nos atender”, disse. 

A moradora da comunidade ribeirinha Nossa Senhora de Fátima, Maria Francisca Mota, 55, veio a Manaus, ontem, para defender o SPA Joventina Dias, no bairro Compensa, Zona Oeste. De acordo com as medidas de reestruturação da Rede de Atenção em Saúde, na capital, o SPA se transformará em uma UBS. Os usuários não aceitam. “Todos os pacientes da Zona Rural são atendidos, primeiramente, no Joventina Dias, se o governo fechar o SPA onde o pessoal vai ser socorrido”, indagou.

Encontro para ouvir segmentos

Na Audiência Pública de ontem, proposta pelos dos deputados estaduais Luiz Castro (Rede) e José Ricardo (PT), a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) foi convidada, mas não enviou nenhum representante. O fato não comprometeu a realização da reunião, uma vez que o encontro tinha o objetivo de ouvir os vários segmentos da sociedade. “As preocupações e eventuais denúncias feitas durante o pleito serão encaminhadas para o governo”, garantiu José Ricardo.

Já Luiz Castro (Rede) enfatizou que a audiência serviu não só para ouvir a população sobre a crise na saúde, mas informar sobre os dois grandes acontecimentos que irão ocorrer hoje: a ida do secretário estadual de Sáude, Pedro Elias de Souza, à ALEAM e a reunião do Conselho Estadual de Saúde. “Nós precisávamos informar a população sobre esse golpe que é a tentativa de utilizar o Conselho para golpear a saúde pública da nossa capital”, disse. 

A Susam informou que, por conta das reuniões agendadas para ontem e por ter marcado com antecedência audiência com todos os deputados, hoje, não foi possível a equipe participar do evento que os deputados José Ricardo e Luiz Castro promovem.

Manifestações

Manifestantes voltaram a se reunir ontem para protestar contra o reordenamento das unidades de saúde de Manaus. Os atos foram registrados na avenida Cosme Ferreira, bairro São José, Zona Leste, e na rua Taumaturgo Vaz, na Colônia Oliveira Machado, Zona Sul. 

A primeira reuniu em torno de 50 pessoas e foi contra o fechamento do Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) Dra. Corina Batista, que faz parte das unidades que serão remanejadas pelo Governo. A segunda, com pelo menos 100 pessoas, entres lideranças comunitárias e moradores da Zona Sul foi contra a mudança no Caimi E Caic da Colônia Oliveira Machado.

Hoje, a partir das 8h, Cáritas, Pastorais Sociais e Conselho de Leigos vão realizar uma caminhada contra o desajuste da saúde. A concentração será em frente à Susam, na avenida André Araújo, Zona Centro-Sul, onde haverá a reunião do Conselho Estadual de Saúde. “Vamos pedir que a entidade não assine a mudança. De lá, vamos ao Ministério Público  pedir que fiscalize e revogue essa decisão do governador e depois vamos à sede do governo pedir a ele que não faça essa reordenação”, disse o padre Orlando Gonçalves.

Reunião sobre medidas

Ontem à tarde, o titular da Susam, Pedro Elias de Souza, acompanhado dos secretários Afonso Lobo (Fazenda), e Evandro Melo (Administração) participou da Comissão de Saúde da CMM, para apresentar as mudanças que estão previstas no reordenamento da rede estadual de atendimento. A reunião integra o cronograma que está sendo executado pela Susam, com o objetivo de esclarecer a população sobre as medidas.

Publicidade
Publicidade