Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
Denúncia

HPS João Lúcio está sem material para cirurgia ortopédica há mais de 20 dias

A direção do hospital e pronto-socorro informou que houve atraso na entrega de insumos que são utilizados, mas que está formalizando contrato com novo fornecedor e começa a regularizar a agenda de cirurgias nesta terça (9)



jo_o_lucio.JPG Acompanhantes de pacientes do João Lúcio apontam indignados a precariedade do atendimento na unidade de saúde do Estado (Euzivaldo Queiroz)
08/08/2016 às 21:14

Os últimos dias tem sido de muita angústia para as famílias de pacientes que precisam passar por cirurgia ortopédica no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste. Mesmo o procedimento sendo considerado urgente para a maioria dos casos, ninguém consegue fazê-lo por falta de materiais e não há previsão de quando a situação se normalizará. A informação é de acompanhantes que, indignados, apontam a precariedade do atendimento na unidade de saúde do Estado.

O estudante Lucas Abraão Martins Paes Lemes, 16, está internado há 12 dias à espera de uma cirurgia no fêmur. Desesperada, a mãe dele, Fernanda Martins Vasconcelos Maia, 37, afirma que o procedimento ainda não foi feito devido à falta de materiais básicos como placas e parafusos que são usados para tratar fraturas. “Tem mais de 30 pacientes precisando de uma cirurgia, mas não tem material e os próprios médicos dizem que não há previsão para chegar”, contou.



Fernanda disse que o filho sofreu um acidente de moto no último dia 27, quebrou o fêmur em duas partes e torceu os ossos. O médico diz que é grave e quanto mais demorar em fazer a cirurgia pior é a sequela. “O médico disse que era para fazer o procedimento cirúrgico no primeiro dia de internação, depois deu sete dias, mas está com 12 e nada. Procuramos o diretor do João Lúcio, porém ele não quer nos atender. Ninguém dar uma solução. Estou desesperada”, frisou.

O motorista Laércio Queiroz, 46, está com o filho Luiz Felipe Roque de Queiroz, 22, internado há 23 dias no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio e a família não tem condições de arcar com um atendimento particular, já que a cirurgia custa em torno de R$ 23 mil. “Tem muita gente que não tem como pagar por um procedimento desses. Hoje (ontem), o médico disse que tem 35 pessoas esperando por uma cirurgia ortopédica só no segundo andar do hospital”, revelou.

O esposo da dona de casa Gabriela Ferreira Gomes, 21, Antônio Audiofro Correia Lopes, 23, quebrou os dois braços em um acidente de moto. Ele está há oito dias no João Lúcio sem previsão de quando passará pela cirurgia. O pintor José Cleberson dos Santos, 37, está na mesma situação, de acordo com sua esposa Francimar Oliveira, 43. “Ele está internado há dez dias com a fratura no braço exposta. O médico disse que o caso dele é muito grave. Estou sem saber o que fazer”, disse.

O autônomo Júnior dos Santos, 34, precisa urgentemente de uma cirurgia no joelho, mas conforme sua esposa, Josenilce Diniz, 32, há 18 dias ele aguarda pelo procedimento. “Meu esposo pode ficar com sequela como a maioria dos que estão internados no João Lúcio a espera de uma cirurgia. Mas isso não faz com que o hospital compre materiais para fazer os procedimentos cirúrgicos. É um total descaso com os pacientes”, declarou.   

“A única solução que os médicos nos deram foi ir ao Ministério Público e a imprensa para denunciar a falta de material para a realização de cirurgia no João Lúcio”. Fernanda Martins Vasconcelos Maia, mãe do estudante Lucas Abraão, que está internado há 12 dias no João Lúcio (Euzivaldo Queiroz)

Medicamento

Além da falta de material para a realização de cirurgias ortopédicas, familiares de pacientes internados no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio dizem que têm recorrido ao próprio bolso para não deixar faltar medicamentos a quem está internado, principalmente os que aliviam dor.

'Atraso'

A direção do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio informou que houve atraso, por parte da empresa Ortomax, na entrega de insumos que são utilizados nas cirurgias ortopédicas, o que ocasionou atraso na realização dos procedimentos agendados. Conforme a direção da unidade, a empresa foi acionada, mas ela alega não querer mais fornecer os produtos, com os valores indicados pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, a direção do João Lúcio explicou que esses valores são estabelecidos e só podem ser alterados pelo Ministério da Saúde. Devido ao impasse, a direção está formalizando contrato com novo fornecedor e começa a regularizar a agenda de cirurgias ortopédicas nesta terça-feira, realizando uma média de cinco procedimentos por dia.

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que liberou recursos emergenciais no valor R$ 420 mil, para reforçar o estoque de material para cirurgias ortopédicas no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.