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Manaus
Insatisfação

Demora e desconforto: o drama de quem depende de ônibus diariamente

Empresários conseguiram que prefeitura aumentasse a tarifa de ônibus, mas SMTU não consegue garantir qualidade e conforto aos usuários 14/03/2017 às 05:59 - Atualizado em 14/03/2017 às 09:00
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Usuários defendem que tarifa é cara para o serviço que é prestado. (Evandro Seixas)
Kelly Melo Manaus

Ônibus no prego, incendiados (propositalmente ou não), assentos quebrados, demora... A lista dos problemas em torno do transporte público de Manaus é extensa e cara. Para os usuários, a atual tarifa de R$ 3,80 não condiz com a prestação do serviço e quem depende dele sofre diariamente para ir ao trabalho, escola ou mesmo para voltar para casa. 

As polêmicas  e as cobranças não são de hoje: toda vez que há um reajuste, a promessa de melhorar o sistema vem, mas na prática, ninguém sente o efeito positivo da mudança. “Só piora. A gente está pagando R$ 3,80 mas não vemos nada melhorar. As paradas estão precárias, os ônibus são velhos e caindo aos pedaços e, pior de tudo isso, eles demoram cada vez mais para passar”, relatou a técnica de enfermagem Roseli Soares, 32. 

Ela mora no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste e, todos os dias, sofre para se locomover de casa até o Centro da cidade. Na semana passada, ela desistiu de um compromisso, depois de ficar esperando mais de 1h pela linha 604 - que faz o trajeto até o Centro -. Ela queria buscar o resultado de alguns exames médicos, mas como o ônibus demorou demais, o jeito foi voltar para casa. “Desisti porque ficou tarde. Até eu chegar no Centro, já vai ser quase 17h e até lá a clínica estará fechada. Não vai adiantar”, disse ela. 

Vinte minutos após ela retornar para casa, o 604 passou, lotado. Assim como Roseli, outras pessoas também ficam horas esperando as linhas 604 ou 085 (que vai até o Terminal 5) passarem, mas na maioria das vezes, os usuários aguardam muito mais tempo do que deveriam. “A gente espera quase 2h por um ônibus para chegar no terminal. Nos finais de semana, esse problema é pior e ainda temos que lidar com motoristas ignorantes, que não respeitam idosos ou pessoas com deficiência”, alfinetou o autônomo Aluísio Ferreira dos Santos, 65.

Precariedade

Não bastasse a falta de hospitalidade dos funcionários das empresas com os usuários, as condições dos carros estão cada vez piores. “É comum vermos os ônibus pregando no meio da estrada e, quando isso acontece, a gente fica horas esperando o resgate. Os ônibus estão velhos e todos quebrados”, reclamou ele. 

Na Zona Norte, a monitora Rosimere Carvalho, 43, afirma que as condições dos coletivos também são ruins. “Os ônibus pregam e parece que eles vão desmontar em cima da gente. Não sei o que acontece para não sentirmos as melhoras aparecerem de fato”, comentou ela, que mora no bairro Santa Etelvina. 

De rato a rede, tem de um tudo

As “façanhas” envolvendo o transporte público ganharam repercussão nas redes sociais nos últimos dias.  Além  serviço ser ineficiente, os usuários do transporte coletivo também flagraram até roedores andando pelos veículos.

Um vídeo que circulou nas redes sociais na semana passada mostra um rato saindo do teto de um ônibus da linha 652, da empresa Global Green, que faz rota do Terminal 4, no Jorge Teixeira, até o Centro. Os usuários ficaram assustados e os funcionários tentaram retirar o animal, que acabou fugindo.

Em protesto contra o aumento da tarifa, um homem decidiu atar uma rede em um ônibus. O vídeo viralizou nas redes sociais, como de forma cobrança por um transporte acessível e confortável.

De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes (SMTU) Urbanos, a frota de aproximadamente 1,5 mil veículos tem vida útil de seis anos, em média, e é renovada “gradualmente”. Por lei, os veículos de transporte público só devem circular por até 10 anos.

Fiscalização

A SMTU informou que fiscaliza o cumprimento de horários da frota, inclusive de forma eletrônica por meio da bilhetagem eletrônica, já que toda a frota possui GPS. Todas as reclamações  são registradas no SAC e apuradas.

Leandro Ferreira, 26,  Industriário

"Todo dia é esse tormento para pegar o ônibus para ir ao trabalho. Eu tenho que sair pelo menos 2h  antes de casa para chegar cedo. Eu já estou juntando dinheiro para comprar uma motocicleta porque vai facilitar e muito a minha vida. Eu trabalho a noite e quando saio da empresa  tenho que ir dormir na casa do pai, no Grande Vitória,  porque não tem ônibus aqui e fica muito perigoso. Sem contar que, se for colocar na ponta do lápis, vai sair mais em conta comprar combustível para a moto do que  pagar duas passagens. Hoje, com a tarifa estando em R$ 3,80 está mais caro que o litro de gasolina. Com R$ 10 de combustível vou rodar por mais tempo do que de ônibus. O transporte que temos hoje é falido”.

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