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Manaus
CENTRO

Terminal de integração da Constatino Nery está sucateado

Com lâmpadas queimadas, grades danificadas e estrutura em condições precária, T1 teve iluminação e gradis recuperados por improviso dos ambulantes 10/06/2017 às 05:00
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Com luminárias queimadas, é dos ‘gatos’ de ambulantes que vem a iluminação. Foto: Winnetou Almeida
Isabelle Valois Manaus

A cada dia que passa, o terminal de integração da avenida Constantino Nery (T1) fica mais sucateado. À luz do dia é fácil entender o motivo de tanta reclamação de usuários, motoristas e vendedores ambulantes que atuam no local: total falta de infraestrutura, banheiros precários, goteiras no teto, ligações clandestina de energia e buracos nas grades de proteção - que são usados por vândalos e ladrões para fugir após pequenos furtos cometidos dentro do terminal -  são apenas os problemas mais visíveis. Mas é de noite que a situação fica mais crítica: com todas as luminárias queimadas, a única iluminação vem de ‘gatos’ de energia improvisados pelos próprios ambulantes.

É dos ambulantes também a única iniciativa adotada no sentido de reduzir a criminalidade dentro do T1. Usando arame farpado, os vendedores improvisaram remendos às grades quebradas por vândalos e ladrões, que além de roubarem usuários, aproveitam a falta de segurança para arrombar bancas de ambulantes que ficam no local durante a madrugada, contou  o vendedor ambulante, Anderson Carvalho, 29. “Fizemos o que era papel da prefeitura porque era necessário. Mas não é nossa obrigação”, reclamou.

Segundo Anderson, os vendedores fizeram uma cota para comprar fio de arame farpado para colocar nos buracos dos gradis e em outras áreas vulneráveis. “Estamos aguardando há tempos pela reforma do terminal e até agora nada. Por conta das ligações irregulares, quando chove, os gradis nos dão choque”.

Acesso restrito
E o que já está ruim pode ficar ainda pior. É que a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), responsável pela gestão dos terminais, criou uma medida para restringir o acesso dos ambulantes ao terminal, e ela pode afastar boa parte deles de lá.

É que, segundo  o camelô Rosemberg Santana de Souza, 52, a ideia é limitar a entrada dos vendedores a uma única vez por dia. Caso eles saiam para buscar mais produtos e queiram voltar para o local, terão que pagar uma passagem inteira: R$ 3,80. Eles também não poderão sair do local para almoçar ou tomar água, por exemplo. O comunicado, segundo os vendedores, foi entregue a eles pela própria SMTU.

 “Nossa situação tem ficado cada vez mais precária. Não temos luz, não temos um banheiro digno de uso e nem água. Conseguimos luz puxando do poste de maneira irregular, mas se não for feito desse jeito, nem o terminal teria iluminação durante a noite. Agora estão querendo nos obrigar a pagar passagem, assim ficará mais difícil. Se isso ocorrer, nós vamos deixar o terminal e buscar outro canto. E, além de ficar sem opção para comprar uma água ou uma merenda, os usuários aqui também vão ficar no escuro”, disse  Rosemberg.

Usuários reclamam do caos
Quem precisa utilizar o Terminal 1, na avenida Constantino Nery,  diariamente, reforça as denúncias feitas pelos vendedores ambulantes. É o caso da dona de casa Maria Brandão, 57. Para Maria, o terminal de integração (T1) está totalmente sucateado. “Se nem a pista do terminal tem asfalto, imagina o resto. Quando chove aqui é um inferno: as telhas são cheias de buracos, o chão é totalmente sujo e, por conta disso, fica encoberto por lama, sem contar que os ônibus não param no local onde deveriam. Pagamos caro por um serviço precário”, disse.

Para o comerciante Valdenor Ferreira Pinheira, 48, a situação no terminal 1 é pior no período da noite, por conta da falta de iluminação pública. “Sempre preciso passar pelo terminal para seguir viagem tanto para casa como ao trabalho. De dia até que é tranquilo, mas à noite o terminal fica totalmente escuro,  o que escapa são as luzes das barracas de vendedores ambulantes. Essa escuridão facilita muito para assaltos. Uma vez presenciei até um rapaz levando o celular de uma estudante. Toda a ação ocorreu dentro do terminal, isso por conta da falta de energia, que facilita”, reclamou.

Projeto ‘em elaboração’
De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), a reforma do Terminal de Integração da Constantino Nery (T1) está em processo de elaboração do projeto, com uma “nova concepção”. A pasta não informou prazos.

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