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Terminal Rodoviário de Manaus sofre com o descaso e abandono

Uma das ‘portas de entrada e saída’ da capital, a rodoviária está no meio de um impasse: sem gestão, o cenário é de abandono 21/06/2015 às 18:28
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O terminal rodoviário é o único que opera na ligação intermunicipal em Manaus
Luana carvalho ---

Trabalhando há 22 anos em uma vitrine de perfumaria do Terminal Rodoviário de Manaus, o comerciante Miguel Filho, 54, não está otimista com a realização de jogos das Olimpíadas 2016 na cidade. “Isto aqui está entregue às baratas. Na Copa do Mundo vieram aqui, fizeram uma maquiagem mal feita e disseram que reformaram a rodoviária. Tudo enganação”.

Miguel é um dos comerciantes inconformados com a falta de administração da rodoviária, por onde passam, mensalmente, aproximadamente 20 mil pessoas. Além dele, passageiros também se dizem insatisfeitos sem a oferta de serviços básicos.

A estrutura precária e a falta de segurança são algumas das principais reclamações. Atualmente, o local é “gerenciado” pelos próprios permissionários, pois nem a Prefeitura de Manaus e nem o Governo do Estado se responsabilizam pelo terminal.

O  presidente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, garante que a secretaria não possui vínculos com a rodoviária desde 2013. “Nós ficávamos na rodoviária porque nossa sede funcionava lá, contudo, administrávamos o prédio. Hoje, o único órgão que está lá e pode responder é a Arsam”.

O  diretor da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam), Fábio Alho, no entanto, afirmou que o órgão tem como função somente regular e fiscalizar o transporte rodoviário intermunicipal, interestadual e internacional. “Nós temos um escritório dentro da rodoviária, que serve como base de fiscalização em Manaus, mas não temos competência para administrar. É a Seinfra quem está com esta função. A Arsam não pode gerir uma rodoviária”, esclareceu.

Procurada, a Secretaria de Estado de Infra-Estrutura do Estado do Amazonas (Seinfra) informou que “ainda não houve uma delegação de responsabilidade no que diz respeito à rodoviária. Ou seja,  ainda não está na Seinfra”. A pasta informou ainda que  só poderá atuar na elaboração de projeto, licitação e contratação de empresa para a reforma ou construção de uma nova rodoviária quando houver uma definição nesse aspecto.


Nem mesmo a Secretaria de Estado de Comunicação Social  (Secom), que também foi procurada para esclarecer qual pasta estaria cumprindo a função de administração da rodoviária, sabe dizer quem gerencia o local.

Permissionários pagam pela limpeza e segurança

Para não sofrerem tanto com o mau cheiro que exala dos banheiros e com a falta de segurança, os permissionários da rodoviária pagam, mensalmente, cerca de R$ 200 para manter os serviços gerais e um segurança no local.

“Um comerciante tomou frente e é ele quem está tentando organizar isto aqui. Pois nós já estamos desacreditados dessas promessas. Estamos abandonados. Isso sem falar no calor. Até os ventiladores somos nós, permissionários, quem trazemos de casa”, disse o comerciante Miguel Filho.

As salas, que antes eram ocupadas pelos setores da SMTU, ficaram vazias e sem uso. O posto policial, onde policiais militares deveriam fazer plantão, está vazio. A sala de atendimento ao turista idem. “É uma insegurança constante. Ficamos à mercê dos bandidos. O governo deveria oferecer, no mínimo, segurança para os passageiros”, ressaltou a vendedora Carla Sílvia, 34.

“É uma vergonha, pois até taxa de embarque eles cobram na hora de cobrar a passagem e nos oferecem uma rodoviária deste jeito. Sem nenhuma condição de receber turistas”, criticou o funcionário público José Fernandes, 38, que estava esperando o ônibus para Boa Vista (RR).

A falta de oferta de restaurantes e lanchonetes, pouca luminosidade e diversos moradores de rua que se abrigam no espaço assustam visitantes. “Estou em Manaus pela primeira vez e vou conhecer o município de Presidente Figueiredo, mas fiquei chocada com a realidade deste terminal de passageiros. Já viajei bastante e em todos há, no mínimo, segurança, seja pública ou privada”, comentou Eduardo Figueiredo, 27.   

Propostas para uma nova rodoviária

Em março deste ano, uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) discutiu  os atuais problemas e possíveis destinos do Terminal Rodoviário de Manaus. Na reunião, propostas para um novo terminal foram feitas.  Entre as três opções de espaço estão: a proximidades do aeroporto ou perto da Ponte Rio Negro, ambos na Zona Oeste, ou ainda o bairro Santa Etelvina, Zona Norte.

Porém a Seinfra, responsável pela execução dos projetos, ressaltou que “uma discussão sobre a localização da rodoviária ainda irá acontecer”, mas não informou prazos para a efetivação de medidas. Na ocasião, o autor da audiência pública sobre a rodoviária, o deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM) criticou a postura do poder público em relação ao espaço. “Hoje o Estado e o município não se entendem sobre a administração do terminal rodoviário. Quem sofre com isso são os mais de 20 mil usuários e convivem com os problemas”, disse.


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