Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
RELIGIÃO

Terreiro de Mãe Zulmira precisa de ajuda para manutenção de espaço e tambores

Tradicional espaço de culto aos Orixás na Zona Sul de Manaus luta para reconquistar seus dias de grande audiência



MAE.JPG Anne Anderssen, filha espiritual de Mãe Zulmira, mostra desgaste da janela do terreiro de Mãe Zulmira. Foto: Jair Araújo
19/11/2017 às 19:28

O terreiro de Mãe Zulmira, no Morro da Liberdade, Consagrado à Santa Bárbara, pede socorro. Com cinco janelas precisando serem arrumadas e os couros de quatro tambores da tradição africana necessitando ser trocados, o espaço mais tradicional do culto aos Orixás da Zona Sul luta para reconquistar seus dias de grande audiência.

Mãe Zulmira faleceu em 2007 e seu reinado durou 48 anos. Neste período, vários governadores do Amazonas como Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga  e o atual vice-governador Bosco Saraiva,também ex-presidente da Escola Reino Unido do Morro da Liberdade, passaram pelo espaço e receberam às bençãos da rainha espiritual da negritude amazonense.



Situado na parte mais elevada do Morro da Liberdade e com suas janelas de madeira em forma de arcos, o terreiro se prepara para tocar seus tambores em homenagem à Santa Bárbara, no dia 4 de dezembro.Mas as dificuldades materiais que afetam o espaço consagrado aos orixás africanos tem impedido que o esplendor do passado ressurja.

Nos tempos de Mãe Zulmira não faltavam oferendas aos espíritos e os alimentos eram compartilhados com seus filhos, em festas que ficaram na lembrança dos moradores da região. A rainha espiritual da negritude foi homenageada pela Escola de Samba Reino Unido do Morro da Liberdade em 1989, um momento inesquecível pelos sambistas e de toda a nação seguidora dos orixás. O samba: 'Axé Mãe Preta' em homenagem a Mãe Zulmira, é um clássico da cultura negra amazonense e garantiu um título à escola verde e branca.

Hoje, Anne Anderssen, filha espiritual de Mãe Zulmira, segue as tradições do terreiro e luta para fazer todas as mudanças necessárias para deixar a casa pronta para as festas em consagração aos orixás. “Aqui tenho paz e vivo em contato com o mundo espiritual”, comentou.

Ela deseja fazer uma grande festa para Santa Bárbara (4/12) e Nossa Senhora da Conceição (8/12). Mas, antes, quer arrumar as janelas e revestir os tambores com couros selvagens, tão apreciados pelas entidades africanas em seus cultos.


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