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Manaus
acidente aéreo

Tia do piloto do monomotor que caiu em Manaus diz que ele evitou tragédia maior

'Ele evitou que mais pessoas morressem porque, se o avião seguisse direto, iria cair em cima de um condomínio e seria uma catástrofe. Ele conseguiu reverter e jogou para o mato. Pra mim, ele foi um herói', Confira como foram os velórios e enterros das vítimas 08/12/2016 às 15:36
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Enterro do geólogo Fred Cruz (Foto: Antônio Menezes)
Kelly Melo Manaus (AM)

Saudades. Essa foi a palavra mais expressada por todos os familiares e amigos das vítimas do acidente aéreo que deixou seis mortos, entre eles, o piloto do avião, ontem (7), no bairro Parque Dez de Novembro, na Zona Centro-Sul. Nesta quinta-feira (8), três das seis vítimas foram veladas e sepultadas em Manaus. Houve muita comoção e lágrimas.

Considerado um dos principais defensores do meio ambiente na região, o geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), João Frederico Cruz, foi velado entre a noite quarta e a manhã de hoje na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), também no Parque Dez. Fred, como era chamado carinhosamente, recebeu muitas homenagens.

“Éramos amigos de infância. O Fred sempre foi um homem bom e nesse momento, ficamos sem palavras para descrever a partida dele”, desabafou o amigo, Carlos Ramalhosa.

No fim da manhã, dezenas de amigos seguiram o cortejo até o cemitério São João Batista, no bairro Adrianópolis, onde a vítima foi sepultada no mesmo jazigo que a mãe, falecida há dois anos.

A esposa de Fred, Valquíria Souza, estava muito emocionada, assim como o irmão de geólogo, Frank Cruz, e o dele, Michel Cruz, que juntos ajudaram a carregar o caixão de Fed até o jazigo da família. Nas redes sociais, os familiares de Fred Cruz receberam centenas de manifestações de apoio e condolências pela fatalidade.

“Eu quero agradecer a cada mensagem de apoio e condolências que nós recebemos de todos os amigos. O que posso dizer é que eu e o Fred tínhamos uma relação que era muito mais de que uma  irmandade. Ele deixou um legado enorme e com certeza nós perdermos um dos mais ilustres filhos dessa terra", afirmou Frank.

O assessor técnico da Casa Civil Amilton Gadelha, 57, também destacou a importância do profissionalismo de Fred Cruz para o Estado. Segundo ele, que era amigo do geólogo, “foi uma perda inestimável”.

“Na última segunda  estivemos juntos em um audiência pública na Ale e quando recebi essa notícia, fiquei sem chão.  O Fred fez história aqui no Amazonas e um dos seus principais legados foi a organização da mineração do rio Madeira, em 2006, que beneficiou mais de 5 mil famílias. Não temos outro geólogo há altura dele”, afirmou.

Translado

O empresário Jefferson Juarez, que foi o único a ser resgato com vida do local do acidente foi levado para ser sepultado em Curitiba. Já o universitário Ruan Lemos e filha dele, Ana Alice Lemos, de apenas 6 anos, foram enviados para o município de Novo Aripuanã.

'Evitou catástrofe', diz tia sobre piloto

Nesta tarde, estão sendo sepultados os corpos do piloto do monomotor Embraer 720, prefixo PT-REI, João Jerônimo da Silva Neto, e do engenheiro florestal e empresário Henrique Tiez Neto, 38.  De acordo com a tia de João, Rita de Cássia Maranhão, o piloto sempre foi apaixonado por aviação e possuía mais de 15 anos de experiência.

“Ele evitou que mais pessoas morressem porque, se o avião seguisse direto, iria cair em cima de um condomínio e seria uma catástrofe. Ele conseguiu reverter e jogou para o mato. Pra mim, ele foi um herói”, relatou ela. O corpo dele foi sepultado no cemitério Recanto da Paz, na rodovia Manoel Urbano (AM 010).

O cunhado do engenheiro florestal, Lúcio Farias, afirmou Henrique Tiez iria para Novo Aripuanã junto com o amigo, Jefferson Luiz Juarez, 39, para fechar negócios de trabalho, tendo em vista que eles trabalhavam com manejo de madeiras. “Ele era casado com a minha irmã e, infelizmente, nos deixou.  Ele era uma pessoa muito alegre e como ele era engenheiro florestal,  escolheu morar no Amazonas por gostar de tudo isso”, relatou.

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