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Tia paterna culpa mãe de bebê por sumiço da criança no Rio Negro

Paradeiro do pai da criança é desconhecido até pela própria família. De acordo com a irmã do suspeito, desde sexta-feira, dia do crime, os familiares perderam contato e ele não foi mais visto no porto onde trabalha como transportador 17/08/2015 às 21:19
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Josenilda Oliveira faz buscas pelo irmão desaparecido, Josias Alves (foto), pai suspeito de ter jogado o filho no Rio Negro.
Oswaldo Neto Manaus (AM)

“Ela prometeu que acabaria com a vida dele”. A fala é de Josenilda Oliveira, 24, irmã de Josias da Silva Alves, 29, apontado até o momento como suspeito de ter jogado um bebê de quatro meses no Rio Negro, nas proximidades do porto do São Raimundo, Zona Oeste.

Em entrevista ao A CRÍTICA, ela afirma que o irmão e a ex-cunhada, Cleudes Maria Batista de Moraes, 22, possuíam uma relação conturbada carregada por ciúmes e brigas. Apesar da versão apresentada por Cleudes sobre o que aconteceu no dia do crime, Josenilda afirma que o irmão é inocente. Ele ainda não foi localizado pela polícia. O corpo do bebê também não foi encontrado. 

O caso ocorreu na noite da última sexta-feira (14). Conforme depoimento de Cleudes ao delegado do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Carlos César Rufino, ela teria ido ao porto para cobrar de Josias um dinheiro que seria destinado à criança.

Segundo o delegado, Cleudes contou que Josias teria a enganado e tentado matá-la enforcada no meio do rio. Na ocasião, o bebê acordou e começou a chorar. Cleudes afirmou que nesse momento a criança foi arremessada no rio por Josias, enquanto ela conseguiu escapar.

A versão da mãe do bebê, segundo Josenilda, é mentirosa. “Ninguém da minha família aceitava o envolvimento deles dois. O dinheiro que ele recebia era todo na mão dela. Ela era muito ciumenta... Tinha ciúmes até da minha mãe. Ela já havia prometido que se ele a deixasse ela acabaria com a vida dele”, relatou Josenilda.

Ainda segundo a estudante, o irmão seria incapaz de cometer o crime. Ela chega a acusar Cleudes de ter matado a criança para incriminar Josias. “O meu irmão amava a criança. Ele dava o salário pra não faltar nada, e enquanto isso ela nem trabalhava. Infelizmente eu não duvido que foi ela que jogou o filho no rio, e eu vou provar isso quando achar meu irmão. Isso é uma injustiça”, declarou.

Mãe em luto

Por meio de uma rede social, a reportagem tentou contato com Cleudes Moraes, porém ela não respondeu às mensagens até o fechamento desta edição. Entretanto, em seus últimos textos postados, ela demonstra estado de luto pela perda do filho, Pablo Pietro. “Eu preciso acordar desse pesadelo. Senhor Deus, tenha misericórdia, faça justiça, meu Deus. Eu sei que para você nada é impossível (sic)”, disse Cleudes em uma postagem.

O caso do bebê foi registrado no 19º DIP. A polícia segue em busca do suspeito do crime.   

Família desconhece paradeiro

O paradeiro de Josias é desconhecido até pela própria família. De acordo com a irmã do suspeito, desde sexta-feira, dia do crime, os familiares perderam contato com Josias e ele não foi mais visto no porto onde trabalha como transportador. Desesperada e sem notícias, Josenilda chegou ontem a ir em busca do irmão por conta própria em um barco.

“Eu preciso encontrar ele. Ele pode estar passando fome e sangrando muito por causa da briga que teve com ela (Cleudes)”, disse.

De acordo com a estudante, o irmão não entrou em contato com ninguém da família desde semana passada. Josenilda admite que apesar das versões controversas das duas partes, o depoimento de Josias será essencial para tentar esclarecer o que houve no barco. “Ele precisa contar o que aconteceu, mas eu tenho certeza que ele é inocente. Se ele estiver vivo, vai provar isso pra todo mundo”. 

Dois dias de busca no rio Negro

De acordo com  o Corpo de Bombeiros, as buscas para tentar localizar o bebê desaparecido foram encerradas ontem após dois dias de tentativas. Segundo o tenente Janderson Lopes, uma equipe de três mergulhadores cobriram um perímetro de aproximadamente 10 quilômetros entre o porto de São Raimundo e o Encontro das Águas.

Ele explica que caso o corpo da criança tenha afundado, é possível que os membros do bebê tenham se arrebentado devido à profundidade do rio. Outra possibilidade seria o fato do bebê ter sido levado pela correnteza para uma área distante. A corporação acredita que o caso ocorreu em uma área a 800 metros da margem.

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