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Manaus
Morte no posto

Vigilante tem que seguir série de recomendações antes de sacar a arma

Instrutor afirma que há uma série de recomendações antes de um vigilante sacar a arma e efetuar um disparo. Entre as principais medidas está o gerenciamento de crise, cujo objetivo é preservar a vida e aplicar a lei 15/03/2017 às 05:00
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Instrutores de curso de vigilância da AFV João Bosco e Jezreel Pinto (da esquerda para a direita) falam sobre a formação deste profissional (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

O vigilante tem que seguir uma série de recomendações antes de sacar a arma e efetuar um disparo. Entre as principais medidas está o gerenciamento de crise, cujo objetivo é preservar a vida e aplicar a lei. O disparo só deve ser feito em último caso e mesmo assim tem que ser de advertência. Se o infrator continuar desobedecendo é que o vigilante pode tentar imobilizá-lo acertando um tiro em sua perna ou braço.

Apenas se ele tiver armado e contrapuser é que um novo disparo pode ser feito e acertar, portanto, qualquer parte do seu corpo. As informações são de instrutores de curso de vigilância que avaliaram pelas imagens de vídeo que o vigilante Juliano Cesar Tanabe Azevedo, 25, não seguiu todos os procedimentos ao alvejar o adolescente Isaque Jorge da Silva Correa, 17, na cabeça, na madrugada do último domingo.

O instrutor João Bosco, da Academia de Formação de Vigilante (AFV), explica que o plano de segurança estabelece o limite que o vigilante tem que proteger. Nas imagens é possível identificar que o local onde o adolescente estava com os amigos não devia fazer parte do limite da Empresa Brasileira de Instraestrutura Aeroportuária (Infraero), para qual prestava serviço. Logo, não era sua responsabilidade ir até lá.

“Ninguém sabe o que ele foi fazer lá, se foi por conta própria ou se porque alguém mandou. Se alguém mandou também está errado. Mas, diante de uma ordem absurda como essa, não era para ele nem sequer ter sacado a arma. O que era para ser feito era o gerenciamento de crise para resolver o problema da melhor forma. Existe uma série de parâmetros para ser seguido antes de atirar, infelizmente ele não obedeceu”.

O instrutor Jezreel Pinto, que trabalha há 14 anos na área de formação de vigilante, enfatizou que é difícil fazer algum tipo de comentário sobre o que levou o vigilante a fazer o disparo. Porém, ele também destacou que fora o armamento, o profissional tinha como contornar a situação através do gerenciamento de crise ou até mesmo de outras medidas. “Ele poderia pedir apoio da equipe, o que não fez”, afirmou.

Além disso, os instrutores salientaram que é preciso saber a situação psicológica do vigilante, se ele estava sofrendo algum tipo de pressão interna na empresa onde trabalha ou se algum tipo de problema em casa que fez com que se excedesse no trabalho. “Uma série de fatores deve ser levada em conta. É por isso que as empresas precisam fazer de seis em seis meses teste psicológico com os vigilantes para saber se eles estão aptos ou não a usar o armamento”, pontuou Pinto.

Destaque

Os laudos da perícia técnica feita no local onde o adolescente Isaque Jorge foi morto após ser atingido por um tiro disparado pelo vigilante Juliano Cesar ainda não têm previsão para serem concluídos. A informação é da Polícia Civil. Até ontem, de acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o vigilante estava na Central de Recebimento e Triagem (CRT), que fica em uma ala dentro do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM).

Saiba mais

A Amazon Security LTDA informou que se solidariza com a família do adolescente Isaque Jorge, com os quais está mantendo contato com a intenção de prestar toda a assistência necessária. De acordo com a empresa, o profissional envolvido no incidente possui curso de formação e reciclagem profissional em dia, bem como era devidamente habilitado e treinado para o correto exercício da profissão. A Security informou, ainda, que está prestando total colaboração para a apuração dos fatos junto a Polícia Civil para que o caso seja elucidado o mais rápido possível.

Box

Para atuar na área de vigilância a pessoa tem que ser brasileira ou naturalizada, ser maior de 21 anos, estar em dia com as obrigações eleitorais e militares, não registrar antecedentes criminais e ter sido aprovada em exame de saúde física e mental. Os cursos de formação deste profissional têm carga horária de 200 horas/aula, seguem rigidamente as recomendações da Portaria nº 3.233 de 2012 (alterada pela Portaria nº 3.258/2013), e é fiscalizado pela Polícia Federal.

O instrutor de curso de vigilante João Bosco afirmou que o treinamento é rigoroso. Dentre os principais conteúdos do curso estão: legislação aplicada, armamento e tiro, defesa pessoal, gerenciamento de crise e criminalística. “Tem outras matérias como rádio, segurança eletrônica, primeiros socorros, combate a incêndio, educação física, entre outras. Tem muita gente que desiste no meio do curso. Quem trabalha nesta área não é uma pessoa despreparada”, observou.

“As pessoas acham que ser vigilante é só ficar em pé, abrir portão ou dormir a noite no posto. Não entende que a nossa profissão é regulamentada e autorizada pela Polícia Federal. Não somos um mérito guardinha como muitos falam. O profissional que está no posto de vigilância é qualificado, treinado e apto para trabalhar na função de segurança patrimonial. Esta profissão é credenciada pela Lei 7102 de 1983”, esclareceu o instrutor Jezreel Pinto.

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