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'Titanic' é lacrado após retirada de famílias no Centro de Manaus

As doze famílias foram orientadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) para procurar uma nova moradia 24/05/2013 às 08:47
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O prédio foi identificado pela Semex a partir de um trabalho de levantamento da situação de edificações antigas, históricas e abandonadas na região central da cidade
Carolina Silva Manaus, AM

Duas das doze famílias que moravam no “Titanic” ainda faziam a mudança na manhã de ontem para as novas moradias. O prédio, localizado na rua Mundurucus, no Centro, foi condenado pela Defesa Civil Municipal por conta do risco eminente de desabar. O processo de desocupação havia iniciado na semana passada.

Uma das famílias que ainda retiravam os pertences para que o prédio pudesse ser lacrado era a do pedreiro Alexandre Ferreira, 34. Ele morava há 13 anos com mais oito familiares no segundo andar do prédio.

Natural do Município de Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus), quando veio para a capital, Alexandre conheceu a atual esposa que morava no prédio. “Permanecemos até hoje porque o valor do aluguel era baixo. Não tínhamos como pagar um aluguel mais caro para morar em outro lugar”, contou. Assim como Alexandre, as outras famílias pagavam R$ 130 para morar no local. O valor era pago ao proprietário do imóvel identificado apenas como Ivan Arteiro.

As doze famílias foram orientadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) para procurar uma nova moradia. Seis delas foram incluídas no programa ‘Aluguel Social’ e receberão a quantia de R$ 300 por mês, da prefeitura, para pagarem o aluguel dos imóveis escolhidos por elas.

Alexandre e a família se mudaram para um casa de dois cômodos no bairro Nova Cidade, Zona Norte. “Foi onde conseguimos um aluguel por R$ 350  e vamos completar com R$ 50 o dinheiro que a gente vai receber da prefeitura”, disse. A Semasdh também está dando apoio para que as famílias consigam transferir os filhos para escolas mais próximas de onde passarão a morar.

A retirada das famílias foi coordenada pela Secretaria Extraordinária para Requalificação do Centro (Semex) em parceria com Semasdh, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), o Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa) da Secretária Municipal de Saúde (Semsa) e a Defesa Civil municipal.

O prédio foi identificado pela Semex a partir de um trabalho de levantamento da situação de edificações antigas, históricas e abandonadas na região central da cidade. A edificação se encontra com a estrutura totalmente comprometida, pois apresenta ferragens expostas, trincas profundas nas vigas, laterais sem paredes e está em condições insalubres para a moradia de pessoas.

Problemas em outras edificações

Entre os prédios com condições precárias de moradia, um dos mais conhecidos continua sendo o da rua Japurá, no bairro Praça 14, Zona Sul. No prédio funcionaria uma maternidade do extinto Instituto de Previdência e Assistência Social do Estado do Amazonas (Ipasea).

Há décadas o prédio de três pavimentos é ocupado por centenas de famílias e tem moradores com direito a usucapião (direito a posse definitiva por tempo de uso). No mesmo bairro, um prédio particular na rua Major Gabriel, foi  ocupado por famílias que o transformaram em “condomínio”.

Outro que chamou a atenção também por conta da situação semelhante ao do “Titanic”, foi o prédio de seis andares que era localizado na rua São Domingos, bairro São Jorge, Zona Oeste. Conhecido como “Torre de Babel”, a edificação foi demolida em 2011.

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