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‘Todo mundo vai pagar várias vezes’, afirma CDL Manaus sobre recriação da CPMF

Para Corecon-AM e CDL Manaus, ‘é um imposto ruim e todo mundo perde poder aquisitivo’ 22/09/2015 às 10:12
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Economista Marcus Evangelista, presidente do Corecon-AM e Empresário Ralph Assayag, presidente da CDL Manaus
Oswaldo Neto ---

Com o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) próximo do bolso do consumidor, representantes de entidades e órgãos comerciais do Amazonas avaliam que o consumo no Estado sofrerá uma redução. Caso seja aprovado, o novo imposto será cobrado sobre transações bancárias, incluindo compras no varejo pelo cartão magnético em estabelecimentos comerciais.

A CPMF é uma cobrança de alíquota de 0,2% sobre todas as movimentações praticadas por pessoas físicas e empresas, no entanto, governos estaduais pretendem aumentar a fatia de arrecadação em até 0,38%. A proposta ainda precisa ser enviada ao Congresso Nacional para votação.

Segundo a análise do presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Evangelista, a partir da aprovação da medida, o consumidor vai precisar considerar o novo peso da CPMF no dia a dia. Isso significa dizer que cada transação financeira na conta em questão deverá ser planejada para que o brasileiro gaste menos com o tributo sem precisar abrir mão do uso frequente do cartão, substituto direto do uso de dinheiro de papel.

“Movimentações financeiras que fazemos sempre, diariamente, serão afetadas pelo tributo. Comprar um picolé com cartão; pagamentos de boletos via caixa eletrônico ou pelo celular; abastecer um carro; transferência de valores; saques; em tudo será cobrado a alíquota de 0,2%, se aprovado o retorno dessa contribuição provisória. Se você movimenta a conta cinco vezes ao dia, imagina o quanto será pago de CPMF”, explicou Evangelista.

Prejuízos

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, afirma que a medida deve prejudicar todos os setores financeiros. “Todo mundo vai pagar várias vezes o mesmo produto. Isso tira o poder de giro do dinheiro. Como o efeito é de cascata, você paga o meu imposto várias vezes, por exemplo: quando a fábrica compra material ela paga, quando ela vende ela paga, quando o consumidor compra ele paga. É um imposto ruim e com isso todo mundo perde poder aquisitivo, logo, o consumo diminui”, ponderou.

Já a presidência da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio-AM) destacou que as exportações também sofrerão um impacto. “Não podemos esquecer que a CPMF irá onerar indiretamente o custo do produto final da exportação. A contribuição é um absurdo e prejudica toda a atividade econômica, mostrando que o fator político se sobrepõe ao fato econômico em um momento que a indústria vem sofrendo com uma redução em suas exportações”.

Em números

Menos 6%: O comércio varejista do Amazonas registrou em julho uma queda de -6% no volume de vendas em comparação a junho, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o oitavo mês consecutivo que o Estado amarga resultados negativos de vendas.

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