Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
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SEGURANÇA PÚBLICA

Todos os dias 120 pedestres são roubados ou furtados em Manaus, aponta SSP-AM

Até outubro a Secretaria de Segurança (SSP-AM) registrou 38.421 ocorrências de roubos ou furtos a transeuntes


08/12/2018 às 16:26

Transitar a pé pelas ruas de Manaus é uma prática perigosa. Quem se arrisca está sujeito à ação fortuita de bandidos. Até outubro a Secretaria de Segurança (SSP-AM) registrou 38.421 ocorrências de roubos ou furtos a transeuntes. Foram 26.637 roubos, quando há uso da violência e coação, e 11.784 furtos, quando não existe essa abordagem e, geralmente, a vítima está distraída.

São mais de 120 roubos e furtos a pessoas que estão andando pelas ruas da cidade por dia. Neste ano, já são quase quatro mil registros a mais do que em todo o ano de 2017.  E, em dezembro, a tendência é que os casos aumentem ainda mais por conta do movimento mais agitado no comércio. 

Algumas avenidas e ruas da capital são pontos frequentes dessas ocorrências, como é o caso da André Araújo, onde os assaltos são quase diários, principalmente nas paradas de ônibus.

Um dos assaltos de maior repercussão na avenida da Zona Centro-Sul foi o que resultou na morte do estagiário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Jabson Franco da Costa, 34, no dia 31 de julho.

Jabson foi baleado após se negar a entregar seu celular para uma dupla armada em uma motocicleta. O local do crime, hoje com uma faixa em homenagem ao colaborador pedindo por justiça, é um dos pontos de ônibus da via. 

Nem esse ocorrido serviu para diminuir os crimes na região, onde órgãos como o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e Centro Integrado de  Comando e Controle (CICC) mantêm suas sedes.  

Ao longo da avenida, os crimes não têm hora e nem trecho específico para acontecer. O estudante Lucas Fonseca, 17, por exemplo, foi vítima de um assalto nas proximidades a Escola Estadual Sant’Ana. Era por volta das 6h30 quando ele viu um homem vindo em sua direção a pé. “Parece até que a gente sabe quando vai ser assaltado. Quando eu o vi, pensei: é hoje”, relata.

Ele conta que o homem estava armado e que ele não reagiu. Hoje, para evitar situações assim, Lucas costuma esconder o celular. “Eles costumam levantar a camisa do cara, então, às vezes esconder não resolve”, observa. 

Uma autônoma que trabalha na André Araújo e que preferiu manter a identidade preservada conta que, do outro lado a avenida, nas entradas do Morada do Sol, no Aleixo, as pessoas que trabalham no conjunto de deslocam das parada até o local de trabalho em pequenos grupos. “Conheci uma menina que foi assaltada cinco vezes. Ela pediu demissão porque não aguentava mais a situação”, relata.

Reforço de viaturas

Em nota, a SSP-AM afirmou que  ampliou a frota de viaturas, o que se converteu em mais policiamento nas ruas. Mais de 900 viaturas foram entregues às  polícias. A pasta ressaltou que, na semana passada, foi lançada a operação “Boas Festas 2018”, que aumentará o efetivo  na área central e em centros comerciais espalhados pela cidade.

Área de conjunto nas proximidades da Constantino Nery é temida por transeuntes. (Foto: Jair Araújo)

Mês mais perigoso é dezembro

O secretário de Segurança, Amadeu Soares, disse que crimes assim costumam a aumentar em época de fim de ano por causa do chamado “ativo circulando”. “Aumenta a quantidade de dinheiro circulando, então o bandido trabalha na questão da oportunidade. Ele vai a esses locais para perceber essas pessoas que estão ali distraídas ou ostentando algo”, explica.

Ele dá dicas para se proteger, como guardar bem as bolsas e carteiras, evitar andar com joias chamativas e caras, ser discreto e circular em horários considerados normais. “Evitar aglomerações, pois nelas sempre tem alguém atento para subtrair objetos. Também tem que ter o cuidado no transporte público. E, nesse período, entrar em lojas com toda a discrição”, aconselha.

Para o comandante geral da Polícia Militar, José Cláudio Nonato, o cidadão também é responsável pela sua segurança. “Ele tem que evitar comportamentos de riscos como transitar em locais em que crimes assim aconteçam. Mulheres devem evitar jogar a bolsa para trás e homens, colocar o porta-cédula no bolso de trás da calça”, aconselhou. 

Objetos de valor que possam chamar a atenção também devem ser evitados. “Jovens e adolescentes têm que evitar o uso de celulares e fone de ouvidos, pois distraem o cidadão”, observou.

Ele também ressaltou sobre a importância do registro dos boletins de ocorrências. “O policial pode tentar reaver o objeto roubado e o registro é importante para haver mais policiamento no local”, disse.

Medo impera onde há assaltos todos os dias

Outras partes da cidade enfrentam problemas similares ao da  avenida André Araújo.  A rua A, no bairro Chapada, nas proximidades da avenida Constantino Nery, é outro caso. Alunos de uma faculdade localizada na via contam que os roubos são frequentes e em vários horários, mas principalmente no fim da tarde.

Uma universitária que quis manter a identidade preservada por medo diz que, muitas vezes, alunos, moradores e ou quem trabalha nas redondezas e precisa passar pela rua, principalmente em um trecho de mata próximo a igarapé, correm risco de serem assaltados.

Frequentando a área há dois anos, ela conta que já presenciou um assalto e soube de vários outros. “A rua não tem segurança nenhuma. À noite, é super escuro naquela área”, diz a jovem. 

Um agente de portaria de um condomínio na região que também preferiu não se identificar afirma que, nos oitos anos que trabalha no local, já ajudou várias pessoas. “Eu nem chego a ver (os roubos). Geralmente, a pessoa chega aqui pedindo ajuda porque foi roubada. Na última vez assaltaram quem estava em lanche ali para cima”, diz. 

Segundo ele, devido a um vídeo de um assalto no local ter “viralizado” nas últimas semanas, o patrulhamento da polícia ficou mais frequente, como mais viaturas circulando, o que serviu para inibir as ações criminosas. “Eles estão sossegados. Não sei até quando”, observa.

Mesmo sediando o Comando Geral da PM, o Petrópolis é um dos locais de roubos frequentes. A estudante Paula Taís, de 19 anos, foi assaltada duas vezes nesse ano no bairro. Uma vez  foi na rua de sua casa e outra em frente a uma quadra de esporte. “Nas duas vezes, eu estava sentada mexendo no celular. Daí, eles passaram, pegaram o aparelho e foram embora”, diz.

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