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Manaus
IRREGULARIDADE

Tomadas clandestinas são disputadas para recarregar celulares no Centro de Manaus

Nas avenidas Eduardo Ribeiro, Sete de Setembro e Epaminondas é possível recarregar o celular ou o tablet sem pagar nada 10/10/2017 às 22:12 - Atualizado em 11/10/2017 às 07:28
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Pedestre colocar o celular “em dia” na Eduardo Ribeiro com Saldanha Marinho (Foto: Gilson Melo/Freelancer)
Danilo Alves Manaus (AM)

Dezenas de ligações clandestinas foram encontradas em pelo menos três ruas do Centro histórico de Manaus, com a função de recarregar baterias de celulares e outros equipamentos eletrônicos. A disputa entre os pedestres para conseguir um espaço pode ser vista a qualquer hora do dia. Comerciantes e clientes ficam parados em frente aos postes de energia elétrica, com um ponto irregular de energia, carregando os aparelhos.

Aos 35 anos, o vendedor ambulante Pedro Villar Traios já passou metade da vida dele vendendo acessórios de celulares na avenida Eduardo Ribeiro. Ele explicou que os pontos irregulares de energia já existem há pelo menos 12 anos, mesmo antes da retirada dos camelôs de algumas vias do centro. Segundo ele, a maioria dos “gatos” que existiam, foram retirados pela Eletrobras, em fevereiro de 2014.


Foto: Gilson Mello/Freelancer

“Foi quando houve o ‘choque de ordem’ da prefeitura. Houve um trabalho conjunto de várias secretarias, inclusive da Eletrobrás. Algumas ligações continuaram, outras foram refeitas”, disse. O ambulante também explica sobre a disputa entre os pedestres sobre os pontos. Não são muitos, alguns ficam parados na esquina com a José Clemente. Estudantes gostam de ficar aqui, além de funcionários de lojas do centro.

“Até taxistas e mototaxistas param uns cinco minutos para recarregar o celular. Alguns até discutem sobre isso”, resumiu. 

Furto de energia a todo instante

A gerente de loja Lorenna Portelo, 47, trabalha em um estabelecimento que comercializa roupas, na avenida Epaminondas. Lá, o “compartilhamento de energia” é feito a todo o momento. “Muitas vezes, vendedores de rua e estudantes se arriscam em colocar o aparelho nesses extensores de energia”, denunciou.

Para um universitário de 24 anos, que não quis se identificar, muitas pessoas não são mais acostumadas a ficar com o celular sem bateria, por isso, fazem o errado para ficar “on line” a todo o instante: “Eu confesso que já fiz isso. Um ponto de energia na avenida Sete de Setembro. Fiquei 20 minutos esperando ligar meu celular para eu ver uma mensagem urgente da minha mãe. É sempre alguma urgente, não é mesmo?”.


Foto: Gilson Mello/Freelancer

O mototaxista de 28 anos Orlando Gil denunciou que faltam pontos de energia regulares para recarregar equipamentos eletrônicos nas ruas do centro. “É muito difícil você ver isso por aqui. Principalmente em um centro histórico, que deveria existir esse equipamento”, reclamou ele.

Centro tem mil ligações clandestinas

Enquanto em toda a capital a Eletrobras Amazonas Energia identificou 6 mil ligações clandestinas entre janeiro e julho deste ano, a regularização das ligações nas mais de mil bancas de camelôs ainda é uma realidade distante. A estimativa é do vice-presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Manaus, Raimundo Sena. Segundo ele, nos últimos oito anos mais de mil bancas surgiram ou mudaram de proprietário, o que agravou o problema.

“Para ter energia, uns pagam para a empresa, outros fazem gato. Os mais antigos tiveram as ligações feitas pela empresa, após um cadastro na prefeitura, mas quem entrou de lá pra cá está clandestino. Hoje, metade dos camelôs está no gato”, disse.

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