Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
DESCASO

Trabalhadores reivindicam mais infraestrutura em feiras de Manaus

Sujeira, falta de estacionamento e goteiras estão entre os pontos destacados por quem trabalha nas feiras da capital



feira_8C69885C-A5F7-4343-8F38-F46E15A6571E.JPG Foto: Junio Matos
01/10/2019 às 08:06

Ausência de vagas para veículos, investimentos e estrutura adequada, descaso do poder público. Estes são os principais alvos de reclamação dos permissionários que trabalham nas feiras Manaus Moderna, da Banana e da Panair, além do mercado municipal Adolpho Lisboa, localizados na Zona Sul da cidade.  

“Falta estacionamento, e o Manaustrans não orienta direito os motoristas. Eles aplicam multas e não sabemos por quê”, diz o  vendedor de peixes Paulo Sérgio Nascimento, 44, que trabalha na Manaus Moderna há mais de vinte e cinco anos. 



“O movimento caiu. Antigamente havia comerciais na televisão para divulgar a feira e os preços dos produtos. Era uma opção para comprar mais barato, mas hoje o preço do peixe, da carne e da verdura aumentou muito. Por isso os clientes dizem que preferem fazer compras em outros bairros”, lamenta Nascimento.

O vendedor de miudezas Etevaldo da Silva, 55, chama a atenção para a sujeira no entorno da Manaus Moderna. Seu funcionário, o vendedor Júlio César da Silva, 25, afirma que os vendedores ambulantes que proliferam naquela área costumam ocupar as vagas dos automóveis, atrapalhando o deslocamento dos clientes.

Em compensação, o comerciante Francisco Nazário Silva, 66, não economiza elogios à qualidade e variedade dos produtos. “Para mim, não está faltando nada. Gosto de me abastecer de peixes e verduras aqui”, comenta, ressaltando que “uma feira não fica limpa cem por cento”. 

Autointitulado “bucheiro com muito orgulho”, atividade que exerce há mais de cinquenta anos, seu Arlindo Lisboa, 65, critica a ausência de estacionamento próprio no local e reclama da falta de organização do espaço. “Aqui tá cheio de goteiras. O mercado deveria ser tratado com mais carinho, afinal é uma área turística. Ao contrário das feiras, que recebem o povão, o público que frequenta o mercado é mais específico”, observa.

Lisboa conta que o local ficou alagado depois da forte chuva que atingiu Manaus na última sexta-feira, situação que se repete há tempos. A mudança no foco dos serviços e produtos oferecidos no Adolpho Lisboa, com destaque para a venda de artesanato voltado aos turistas, também é alvo de críticas. “Hoje você não encontra mais arroz, feijão e farinha. O turista não vai comer”, ironiza.

“Em matéria de limpeza, o mercado está bom. Falta divulgação. Tem gente que mora em Manaus e não conhece o Adolpho Lisboa, até porque a Manaus Moderna e a Feira do Produtor são as mais conhecidas”, analisa Raimundo Adelino dos Santos, 58, que vende produtos naturais, como guaraná e castanhas, além de remédios produzidos à base de plantas típicas da Amazônia. “Deveriam instalar mais ventiladores também. No verão, é muito difícil ficar aqui”, acrescenta.

Custos

Na Feira da Banana, o permissionário Bento Nunes de Lima, 58, diz que gasta cerca de R$ 600 por semana para custear o transporte dos produtos nas balsas e caminhões. “Com o porto privatizado, todos os serviços são cobrados, por isso a mercadoria fica mais cara”, explica. “O poder público deveria olhar mais para a nossa categoria. Hoje, os municípios do interior dependem das feiras”.

Diante da ausência de medidas administrativas, os feirantes se mobilizam para pagar obras de reparo e instalação de estruturas. De acordo com um funcionário da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc) que pediu sigilo sobre sua identidade, em 2016 os comerciantes investiram R$ 115 mil para instalar o gradeamento da Feira da Banana.

Na Manaus Moderna, os feirantes aproveitam a taxa de R$ 30 paga semanalmente ao Comitê Gestor da feira para bancar as reformas no telhado, piso e colocação de cerâmica nas paredes. A tarifa é utilizada para a manutenção do espaço e pagamento dos zeladores e vigias.

“Estamos vegetando”, declara Eli Moreira, 58, que vende pirarucu na Feira da Panair, Zona Sul da cidade, única que mantém um centro de tratamento de esgoto. “Faltam serviços de limpeza e estrutura elétrica adequada. Com uma boa administração, a situação seria diferente”. O feirante acredita que o descaso é decorrente da ausência de representantes do bairro na Câmara de Vereadores de Manaus (CMM) e afirma que os próprios permissionários costumam deixar o lixo jogado fora dos depósitos.

A secretária da Comissão Gestora da Feira da Panair, Rosimar Frazão, informou que o sistema de energia elétrica foi reestruturado, com instalação subterrânea e custo total de cerca de R$ 100 mil. “Há permissionários que utilizam duas geladeiras, o que não é permitido”, diz destacando que os comerciantes pagam uma taxa mensal de R$ 13 para custear serviços de manutenção, mas o consumo de água e luz é subsidiado pela prefeitura. A reportagem solicitou resposta da Semacc a respeito das reclamações dos usuários, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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