Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
SALÁRIOS PENDENTES

Terceirizados da prefeitura cobram pagamento de salários atrasados

FGTS também não está sendo pago há um ano, segundo funcionários da empresa, que presta serviços gerais em órgãos do Município. Colaboradores devem realizar protesto



WhatsApp_Image_2019-09-21_at_17.52.07_1D4CB000-4B1E-4E8A-8285-202F6B6EA26E.jpeg Categoria deve realizar novo protesto por conta de atrasos recorrentes. Foto: Arquivo/AC
21/09/2019 às 19:01

Um grupo de trabalhadores terceirizados vinculados à Prefeitura de Manaus marcaram um protesto em frente à sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) para reivindicar pagamento de salários e benefícios atrasados. Segundo funcionários da empresa LBC, de serviços gerais, são meses sem salário e um ano sem o pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O ato está previsto para iniciar às 8h, da segunda-feira (23), conforme a organização.

As denúncias contra a empresa vão desde a falta de materiais para o trabalho diário a cargas horárias abusivas. Um dos apoiadores da manifestação, Silvio Cristiano, contou que o grupo já fez uma série de protestos nas sedes de órgãos públicos, como a Câmara Municipal de Manaus (CMM) e a Prefeitura.



“Quando manifestamos, eles pagaram um mês, mas deixaram outros dois atrasados. Sempre é assim. Prometem prazos de pagamentos aos funcionários, porém nunca os cumprem”, detalhou. 

Um grupo de quase 300 colaboradores é esperado no ato. O encontro será também para entregar provas de supostos abusos trabalhistas, como extratos bancários e analíticos do FGTS e INSS, bem como solicitações de férias atrasadas.

Apesar de não ser funcionário da empresa, Cristiano disse que media e apoia as causas do grupo. “Já participei de manifestações antigas, como as das merendeiras escolares há alguns anos e sei o caminho a percorrer”, frisou, emendando que o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima (MPT-AM/RR), Jorsinei Dourado, irá receber ua parte do grupo.

Uma ex-funcionária da LBC, Maria Sueli da Silva, 49, disse que contraiu um transtorno mental após sofrer abusos trabalhistas durante os quatros anos de contratada. “Quando chegava, passava o dia do pagamento e eu não via o dinheiro no banco, entrava em pânico. Ficava dois, três meses sem pagar as contas”, contou ela, que está desempregada e em tratamento pela doença. 

“Quando trabalhava sempre faltou luva e botas para o trabalho, faltava materiais, eles controlavam meu horário e não tinha hora para sair. Entrava às 7h30 todo dia e saía às 18h30, 18h15. Hoje, depois disso, é como se uma parte do meu cérebro sofresse blackout de vez em quando”, continuou.

Segundo o Portal da Transparência, a empresa LBC fornece serviços de limpeza e manutenção para secretarias da Prefeitura desde 1º de agosto de 2014 a órgãos como Fundação de Apoio ao Idoso e Secretaria Municipal de Educação (Semed). Há indicações de contratações de serviços em valores que vão de R$ 485 mil a R$ 582 mil que não são especificados o destino das verbas.

O grupo que deve protestar na segunda é de trabalhadores na maioria lotados na Semed, com contrato firmado originalmente em setembro de 2015 e renovado até o fim deste mês. A Prefeitura, questionada sobre o histórico dos atrasos e se haverá renovação contratual, disse em nota, por meio da secretaria, que “a empresa atrasou a entrega da documentação necessária para liberação do pagamento, que já estava garantido no orçamento da secretaria”.

Sem os guias entregues, e exigidos por lei, como o de recolhimento do FGTS, comprovante de pagamento de vale transporte, alimentação, comprovante de depósito bancário do pagamento dos funcionários referentes ao mês anterior, a pasta informou que ficou impedida de efetuar quaisquer pagamentos. 

A semed informou ainda que há previsão de pagamento nesta segunda-feira (23), confirmada pela LBC. “Vale destacar que o contrato da LBC tem validade até 29 deste mês e não poderá ser renovado. O órgão fará uma nova licitação para escolha da empresa substituta”, diz trecho do comunicado.

A reportagem tentou contato com a empresa por telefone, mas não obteve sucesso até a publicação desta reportagem.

Repórter de A Crítica

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