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Manaus
CIDADANIA

Trabalhadores vizinhos de paradas de ônibus cuidam dos abrigos em Manaus

Pessoas que trabalham ao lado dos pontos de ônibus zelam pelos espaços como se fossem extensões das suas casas. Um artesão montou até uma biblioteca em uma parada na Zona Norte 02/12/2018 às 09:35 - Atualizado em 03/12/2018 às 08:47
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Artesão Evilásio montou jardim e biblioteca em abrigo do bairro (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Karol Rocha Manaus (AM)

As paradas de ônibus são espaços que precisam ser zelados pelos usuários do transporte coletivo e, principalmente, pelo poder público. Mas, em alguns casos, quem cuida de fato desses locais como se fosse extensão da própria casa são pessoas que trabalham ao lado dos pontos de ônibus.

Um exemplo é o artesão Evilásio Alina Oliveira, de 34 anos. Ele trabalha montando peças de artesanato como jarros e araras de barro que são vendidos ao lado de um abrigo de espera de ônibus localizado na rua Paulo Eduardo de Lima, antiga rua G, na divisa entre os conjuntos Renato Souza Pinto 2 e Campo Dourado, no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus. Evilásio teve a ideia de montar uma biblioteca na parada e, usando conhecimentos de paisagismo, criou também um pequeno jardim.

“A biblioteca surgiu por vontade minha. Eu sempre gostei muito de ler e, como aqui há um grande fluxo de alunos, pensei em aliar a prática da leitura à espera do transporte público. A caixa de madeira foi feita por mim: fui colocando livros e hoje algumas das pessoas também contribuem fazendo doações. Há livros de química, história do Amazonas e por aí vai”, explica ele.

Na parada de ônibus há uma placa de conscientização pela limpeza do local. “Quando eu comecei a trabalhar aqui tinha muita sujeira, papel jogado no chão e lixo, como latas e garrafas. Então, fui limpando, inclusive coloquei uma placa de advertência para que as pessoas mantenham o lugar conservado”, disse Evilásio. “Espero que isso possa incentivar a outras pessoas também cuidar de suas paradas”, acrescenta ele.

O contador Israel da Silva, de 31 anos, espera o coletivo diariamente nessa parada de ônibus da rua Paulo Eduardo de Lima. Para ele, pequenas iniciativas como a do artesão Evilásio fazem grandes diferenças. “Ele desperta a consciência e também a cultura da leitura nas pessoas e isso é muito bom. Com certeza, apoio e acho válido. Um local sujo, por exemplo, muda totalmente o humor, negativamente, mas quando é cuidado e limpo se torna agradável e traz harmonia”, ressalta.

No intervalo entre uma venda e outra, o vendedor de bananas João Pereira Falcão, de 52 anos, é outro exemplo de trabalhador ambulante que mantém zelo com parada de ônibus. Ele varre o espaço, que fica ao lado da parada da praça do conjunto Ribeiro Júnior, também localizado na Cidade Nova. “Todo o dia eu varro aqui e cuido da área. A comunidade se mobilizou para fazer um jardim e sempre tenho zelado pelo local. Arrumo a grana e, quando vejo alguém sujando, eu repreendo mesmo”, explica o vendedor.

Morador da área, o autônomo Silvio Ferreira, de 65 anos, elogia os cuidados e a atitude do vendedor. “A comunidade se juntou para fazer um mutirão. Capinamos e fizemos a plantação. As plaquinhas são para educar um pouco a população e foi bem aceito porque as pessoas respeitaram. Esse rapaz que trabalha por aqui, ele tenta conservar a área. Você vê que é o tempo todo limpinho. Acho que isso diminuiu até o índice de assalto por aqui”, afirma.

Ambulante em parada

Em outro ponto da cidade, na avenida Torquato Tapajós, ao lado de uma tradiconal escola particular, Ivaneide Travassos, de 42 anos, trabalha também como vendedora ambulante. Entre outras coisas, ela colocou um grande relógio e um espelho no local para ajudar os usuários dos coletivo, que também são seus clientes, a não perderem a hora e nem a ficarem “desarrumados”.

“Fiquei desempregada e aqui foi um meio que eu achei para ter uma renda. Eu cuido desse espaço como uma forma de melhor atender meus clientes. Eu varro, cuido da lixeira, junto todo o lixo diariamente porque aqui é meu lugar de trabalho. Aqui, se o relógio esculhamba, as pessoas querem fazer cotinha para comprar um novo. Quando eu não venho, eles reclamam e pedem para eu avisar se irei faltar", conta.

SMTU promete reformas

Há três modelos diferentes de abrigos de espera ônibus em Manaus. Eles são diferentes em relação às dimensões: o Tipo A, tem 9m x 3,50m, Tipo B, com 6m x 2,40m e o Tipo C, com 6m x 1,25m, construídos com telhas de cerâmica sobre estrutura metálica, além de plataformas localizadas nos corredores preferenciais de ônibus, terminais de integração e terminais de bairros.

Até o primeiro semestre, aproximadamente 60 pontos de parada foram implantados na cidade, dentre outros que receberam trabalhos de manutenção. Para os próximos meses, a  Superintendência Municipal de Transportes Urbano (SMTU) informou que planeja intensificar o cronograma de manutenção dos abrigos do transporte coletivo da capital.

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