Domingo, 13 de Outubro de 2019
Manaus

Tradição entre 'peladeiros', arremesso de chuteiras na rede elétrica traz riscos

Comum entre jogadores de futebol, hábito pode causar curtos-circuitos e prejuízos em equipamentos. Atletas comentam que acidentes nunca aconteceram



1.jpg Fiação elétrica próximo ao Campo 11 de Maio, lna rua Padre Mário, bairro Colônia Antônio Aleixo, está cheia de chuteiras
02/02/2015 às 10:29

Pendurar as chuteiras pode ser uma decisão triste na carreira de um jogador de futebol, mas em Manaus é uma “tradição” de “peladeiros”. O hábito se tornou um perigo, já que tem gente levando a expressão ao pé da letra e comprometendo a rede de energia elétrica da cidade. Normalmente, os cabos elétricos que mais parecem varais cheios de calçados têm como vizinho os campos de futebol, como acontece próximo ao Campo 11 de Maio, localizado na rua Padre Mário e perto do Campo Baiano da Fé, na rua Manuel Matias, ambos no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste.

Para agravar a situação do “curto-circuito iminente”, como define o engenheiro Lucas Avelino, também costuma ocorrer em espaços de grande circulação de pessoas. Vizinho ao Campo 11 de Maio, por exemplo, está o ponto final da linha 604, do transporte público. A rua também é o caminho de centenas de estudantes que vão para a Escola Municipal Lili Benchimol (antiga Escola Municipal Nossa Senhora das Graças) e para quem frequenta o Centro de Referência Esportiva do Amazonas. Além disso, é uma rua predominantemente residencial.

O quadro se repete ao lado do Campo Baiano da Fé, porque logo atrás da rede elétrica está a Escola Estadual Manuel Antônio de Souza, que durante o período letivo recebe diariamente quase mil alunos, somando os três turnos, calcula a merendeira Maria do Socorro Pinto da Silva.

“De manhã nós cozinhamos para 350 pessoas, à tarde para 390 e para 200, à noite. Esse monte de tênis pendurado nos fios preocupa a gente e tem mais: aqui na escola é poço artesiano, ou seja, se faltar energia (elétrica) vai falta água também. Como é que vai ter aula?”, questiona a funcionária pública.

De acordo com o engenheiro Lucas Avelino o curto-circuito pode acontecer a qualquer momento. “É um curto-circuito avisado. Vai acontecer no momento em que os cabos de energia elétrica se encostarem e isso deve ser logo por causa do peso, que está aproximando os cabos”, esclarece.

O especialista também alerta para o risco de morte. “Isso é fio de alta tensão. É um risco à vida de quem estiver passando debaixo ou para quem estiver no campo jogando futebol”, afirma o engenheiro, que também citou prejuízos com a queima de equipamentos elétricos e a ausência de energia na região até o problema ser sanado.

Tradição

Alguns jogadores de futebol do bairro assumem a autoria da “arte” e explicam que não existe significado nessa prática: eles amarram uma chuteira à outra e as jogam nos cabos de energia elétrica simplesmente porque elas já não lhes servem mais. O ato, muitas vezes, não passa de uma brincadeira de mau gosto.

E eles ainda destacam que existe até “técnica”: é preciso jogar um par longe do outro para “não causar problema à rede”. Obviamente, sem nenhum embasamento técnico. “Até hoje nunca aconteceu”, alegou um deles, que não quis se identificar.


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