Domingo, 15 de Dezembro de 2019
ALIMENTO

Tradicional caldo de cana vendido em feiras da cidade sob suspeita de contaminação

A conclusão é de uma pesquisa realizada com amostras coletadas em feiras da Zona Sul por biomédica que apontou alto índice de contaminação



Capturar.JPG Foram recolhidas 15 amostras de caldo  de cana na Manaus Moderna, Feira da Panair e do bairro da Betânia. (Foto: Clóvis Miranda)
05/07/2017 às 09:08

O tradicional  caldo de cana vendido nas barracas de pastéis de feiras de Manaus pode causar sérios riscos à saúde humana, em função de parasitas encontrados na bebida.  A conclusão é de uma pesquisa realizada com amostras coletadas em feiras da Zona Sul pela biomédica Mellina Victória Rodrigues  Miléo, 22, que apontou alto índice de contaminação. 

Segundo Mellina, ao longo de duas semanas, foram recolhidas 15 amostras de caldo  de cana na Manaus Moderna, Feira da Panair e do bairro da Betânia e o resultado foi que havia parasitas em todas as porções analisadas. O trabalho foi iniciado na Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro) e apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), mas diante de tanta contaminação a pesquisa continuará e será apresentada pela jovem. 



“Iniciamos ainda na faculdade, como trabalho de conclusão de curso. Porém, como foi possível observar bastante contaminação, demos prosseguimento e estamos trabalhando para publicar e alertar a sociedade e os órgãos fiscalizadores”, disse. 

Conforme a biomédica, os parasitas encontrados podem causar sérios riscos que vão desde uma simples dor de barriga até casos graves de anemia, se não for identificado e tratado ainda no início. “Os parasitos comensais podem causar um simples desconforto, enquanto os parasitos patogênicos podem causar graves problemas.  O thaenia pode causar a doença neurocisticercose, que é grave e causando convulsões”, explicou a pesquisadora. 

Apesar do alto índice de contaminação, Mellina disse que ainda não pode afirmar em que momento do  processo de produção a contaminação é causada. De acordo com a biomédica, o contágio pode ocorrer na hora da colheita da cada, transporte, armazenamento ou manuseio do produto na hora que o suco está sendo processado. 

“Não posso dizer que hora a contaminação ocorre, mas nós encontramos parasitas no caldo de cana de todas as amostras. O que acontece a partir desse momento? Acontece que esse produto está impróprio para o consumo. Se consumido, as pessoas podem passar muito mal e terem problemas como anemia grave”, disse.  

Para Mellina a sociedade enfrenta grande desafio quando o assunto é alimentação devido à forma duvidosa e inadequada como os alimentos são manuseados e até a ausência de fiscalização, recolhimento de alimentos de estabelecimentos comerciais e até a punição dos proprietários.

Evento nacional


Mellina informou que pesquisa irá continuar com novas coletas e análises mais profundas para saber a real dimensão do problema e o trabalho será apresentado no Congresso Nacional de Medicina Tropical, no mês de agosto, em Curitiba.

Visa Manaus faz fiscalização

A  A Crítica entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para questionar se há fiscalização regular para coibir e punir a venda de alimentos contaminados nas feiras da cidade. 
Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que de acordo com a Vigilância Sanitária de Manaus (Visa Manaus), por se tratar de um produto vegetal, cabe a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) fiscalizar e inspecionar estabelecimentos que manipulam esse alimento. 

A nota informou ainda que a Visa Manaus mantém ações de atendimento de denúncias por meio do disque-denúncia 0800 092 0123.  Nos casos de comprovação da veracidade da denúncia, os responsáveis são multados, o estabelecimento interditado, apreensão de alimentos e inutilização do produto. 
 


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