Sábado, 14 de Dezembro de 2019
CASO FLÁVIO

Traficante é ligação entre investigados no Caso Flávio

Depoimentos apontam que Matheus de Moura Martins apresentou Alejandro Valeiko para a vítima e para Junior Gordo, um dos presos sob suspeita de participação no homicídio



MATHEUS_2F650591-A0CA-4D08-8877-F63176C255F4.jpg Foto: Divulgação
12/11/2019 às 14:33

Matheus de Moura Martins, 25 anos, apontado pela equipe da Polícia Civil que investiga o Caso Flávio como sendo o traficante que fornecia drogas para Alejandro Valeiko, é ligação entre o filho da primeira-dama de Manaus com José Edvandro Martins de Souza Júnior, conhecido como Júnior Gordo, e a vítima de homicídio Flávio Rodrigues.

O nome de Matheus aparece em pelo menos três trechos importantes do inquérito que investiga a morte do engenheiro Flávio, encontrado morto no dia 30 de setembro em um terreno no Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, após participar de uma festa na casa de Alejandro.



Em depoimento à polícia no dia 7 de outubro, Alejandro afirma que foi por intermédio de Matheus que ele conheceu Junior Gordo e Flávio Rodrigues. Ele chama Matheus de colega e conta que o foi ele que o apresentou a Junior, há cerca de um mês da data do depoimento. Alejandro também afirma que foi por intermédio de Matheus que ele conheceu Flávio, fato que teria ocorrido no dia do crime.

A afirmação de Alejandro de que só conheceu Flávio no dia do crime é contestada pela polícia segundo fontes ouvidas pela reportagem. Entre os indícios de que ele pode estar mentindo está o depoimento de um dos agentes de portaria do condomínio Passaredo, na Zona Oeste, onde mora o filho da primeira-dama, que afirmou às autoridades que Flávio visitava com frequência a casa de Alejandro. 

Corrida para o Passaredo

Em depoimento no dia 8 de outubro, Junior Gordo afirma que conhece todos os investigados no caso há algum tempo. Segundo ele, o primeiro encontro com Alejandro e Vitório Del Gato – o cozinheiro se encontra em liberdade após não ter a prisão temporária prorrogada – ocorreu quando estava trabalhando como motorista de aplicativo e fez uma "corrida" para Matheus até a casa do filho de Elisabeth Valeiko.

José afirma que na ocasião recebeu um convite de Matheus para entrar no imóvel e se juntar ao grupo [nomes de todos não foram divulgados] que fazia o uso de bebida alcoólica. Lá viu pela primeira vez Alejandro e Vitório.

Momentos finais

Na véspera da data que daria início ao Caso Flávio, a noite do dia 28 de setembro, Junior relata que estava em um bar no Centro da cidade e que encontrou no local Flávio, Elielton, Matheus e um homem conhecido apenas como Pakalolo. No estabelecimento, ingeriram bebidas alcoólicas e usaram cocaína. Além disso, segundo Junior, Matheus fez o convite para que todos fossem à residência de Alejandro para continuar bebendo. Todos teriam então se dirigido à residência.

A outra citação a Matheus no inquérito é um print de uma conversa por aplicativo entre um dos vigias do Passaredo e Elizeu da Paz, PM cedido à Prefeitura que atuava na segurança de Alejandro Valeiko. Na mensagem, enviada na manhã do dia 29 de setembro, o segurança escreveu: "Bom dia, Flávio e Matheus entrou lá com seu Alejandro". E Da Paz agradeceu o aviso.

Mais detalhes após a prisão

No dia 5 deste mês, Matheus de Moura Martins, 25, foi apresentado no prédio da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), situado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste da capital. À época, segundo o delegado Paulo Martins, que trabalha na investigação do homicídio de Flávio Rodrigues, disse que Matheus foi procurado para depor sobre o caso porque teria ido à casa de Alejandro no dia do crime e era citado em vários depoimentos. No entanto, as informações dadas por ele não mudaram o rumo da investigação.

Delegado contou que no dia do crime, Matheus estava com Júnior, Magno, Alejandro e Flávio em um bar no Centro de Manaus. E que na manhã de domingo, todo foram à casa de Alejandro. Ele ficou no local até o início da tarde quando todos resolveram ir a uma festa rave.

De acordo com Paulo Martins, na noite de domingo, dia 29 de setembro, Alejandro, Júnior e Flávio foram embora da festa, mas Matheus permaneceu na rave e não foi à casa de Alejandro. Portanto, não estava no momento do crime e não pode ser enquadrado nesse caso.

Ao todo, cinco suspeitos de terem ligação com a morte do engenheiro Flávio permanecem presos temporariamente.

O outro lado

Por meio de nota, a defesa de Alejandro Valeiko alegou que o agente citado na matéria declarou à polícia que já tinha visto Flávio algumas vezes em datas diversas do ocorrido, "mas que não sabe informar se nas demais datas Flavio era visita de Alejandro", como diz claramente no depoimento. "Em nenhum momento afirma que Flávio ia a casa de Alejandro com frequência".

"Dos cinco porteiros e agentes de portaria, apenas um declarou que teria visto Flávio no condomínio outras vezes conforme esclarecido acima. Os demais foram unânimes em dizer que 'não sabiam informar' se o engenheiro esteve outras vezes no condomínio e que não o conheciam", encerra a nota.

*Matéria atualizada às 19h de 12/11/2019 para adição de nota oficial da defesa de Alejandro Valeiko.

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