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Manaus
Cobrança

Traficantes cobram pedágio de moradores do bairro Santa Etelvina

Moradores do Santa Etelvina têm que pagar de R$ 15 a R$ 20 ao passarem pelas ruas para não serem agredidos 26/09/2016 às 05:00
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São registradas cerca de cinco denúncias de pedágio por semana, no DIP (Foto: Arquivo AC)
Fábio Oliveira Manaus (AM)

O direito de ir e vir está explicitamente expresso no artigo 5º, inciso XV, da Constituição Federal de 1988. No entanto, em algumas ruas do bairro Santa Etelvina, na Zona Norte de Manaus, muitos moradores não têm essa mesma liberdade. Soldados de traficantes de drogas estão cobrando pedágios em ruas do bairro. A informação foi confirmada pelo delegado titular do 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Raul Augusto Neto.

De acordo com o delegado, desde que assumiu a titularidade da unidade policial, em junho deste ano, a delegacia recebeu cinco denúncias de cobranças de pedágio por semana. Com base nessa média, 60 denúncias desse tipo já foram enviadas para o 26º DIP. Segundo o delegado, os soldados do tráfico costumam cobrar valores entre R$ 15 e R$ 20 reais.

“Eles ficam rodando na área onde a polícia passa pouco. A Polícia Civil é movida a denúncia, claro, existem os pontos chaves, mas através da denúncia, a polícia chega mais rápido ao ponto. Nós levantamos já alguns pontos e descobrimos que as cobranças têm sido realizadas principalmente em ruas próximas de escolas, ou seja, na entrada e saída de alunos, pois eles são mais vulneráveis”, explicou.

De acordo com levantamento de investigação da equipe do 26º DIP, os horários mais comuns de cobranças ocorrem depois das 21h e também durante a madrugada, por volta das 4h30. “Eles ficam no finalzinho da noite e também no fim da madrugada, que é quando as pessoas estão saindo para trabalhar e eles aproveitam muito isso. As pessoas saem cedo por causa da distância e ficam vulneráveis”, complementou.

As principais vítimas dos “cobradores de pedágio” são pessoas que chegam da faculdade, pessoas que estão saindo para o trabalho durante o início da manhã, por volta das 5h, e também alunos de escolas municipais e estaduais. Segundo o delegado, o 26º DIP já está com uma equipe de investigação atuando no caso. “Nós temos um grande problema, pois as pessoas têm medo de denunciar o caso. Medo de ameaças porque preciso de denúncias formalizadas”, disse.

Por conta das constantes cobranças de pedágio e de ameaças, muitos moradores declararam na delegacia que iriam se mudar do bairro. “Eu entendo o lado das vítimas e não querem ser ameaçados. Inclusive têm famílias que se mudaram do bairro por causa disso, mas infelizmente temos esse problema de pessoas que estão com medo”, explicou o delegado Raul Augusto Neto.

Na madrugada de ontem, policiais do 26º fizeram levantamento de várias denúncias sobre pontos estratégicos usados pelos soldados do tráfico. Segundo o delegado, as ruas Nonato Queiroz, Nelson Bezerra, Palmeiras, Mucurupi são as principais usadas pelos suspeitos de cobrarem pedágio da população.

Relatos de agressão diários

O não pagamento da taxa imposta pelos soldados do tráfico tem custado caro para as vítimas.  Segundo o delegado, muitas vítimas dos “cobradores” foram agredidos com socos, tapas, puxões de cabelo e até esfaqueados. Segundo o delegado, anteontem, Cleynaldo Queiroz de Farias foi preso em cumprimento de mandado de prisão pela equipe Tucandeira, do 26º DIP, pelo crime de tentativa de homicídio.

De acordo com o delegado, Cleynaldo é responsável por quase matar um autônomo de 21 anos. O crime ocorreu em julho deste ano, na rua Mucurupi. O suspeito desferiu um golpe de gargalo de garrafa no pescoço da vítima, após a mesma ter se negada a dar R$ 20. “A vítima estava passando pela rua, quando Cleynaldo, Pretinho e Tássio cobraram R$ 20. Como ele se recusou, quase o mataram”, contou.

Além de Cleynaldo, apontado como um dos líderes do bando criminoso, o 26º DIP prendeu também Tássio de Souza Miranda, vulgo “Caderno”, que também participou da tentativa de homicídio contra o autônomo.

Alvos do crime

Segundo o delegado titular do 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Raul Augusto Neto, as ruas Nonato Queiroz, Nelson Bezerra, Palmeiras, Mucurupi são as principais usadas pelos suspeitos. Ao menos 60 denúncias já foram enviadas para o DIP.

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