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Manaus
PERIGO

Tragédia em SP acende alerta para abandono e ocupação irregular de prédios em Manaus

Rachaduras, ligações clandestinas denunciam o perigo vivido por ocupantes irregulares em edifícios no Centro da capital 03/05/2018 às 04:30 - Atualizado em 03/05/2018 às 09:27
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Edifício onde funcionou a Defensoria Pública do Estado está visivelmente comprometido. Fotos: Antônio Lima
Danilo Alves Manaus (AM)

A olho nu é possível perceber que prédios públicos abandonados e ocupados de maneira irregular no Centro de Manaus apresentam problemas não apenas sociais, mas também de infraestrutura. Rachaduras e ligações clandestinas presentes nestes locais ampliam o risco de incêndios e até desabamentos, como o que ocorreu em São Paulo, onde um prédio de 24 andares despencou no centro da capital paulista, na última terça-feira (1º).

Uma dessas edificações está localizada na rua Barroso, próxima ao Largo São Sebastião. No local funcionava a casa do estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, atualmente, 24 famílias vivem no local, segundo um dos moradores, o aposentado Francisco Carvalho, 72.

Ele explicou que todos os ocupantes juntaram cerca de dois mil reais para pagar o serviço de instalação da tubulação de esgoto e ligação clandestina de energia. Porém, as fiações ficaram suspensas no meio dos corredores do prédio, o que pode trazer riscos a todos que vivem na área. Além disso, há rachaduras visíveis na frente e no topo de prédio.

“Nós sabemos que fazer ‘gato’, é crime, além de ser perigoso, no entanto, nós vivemos aqui desde o dia 8 de maio de 2016, e nada aconteceu. É bom lembrar que muitos de nós não têm para onde ir”, disse. 

Francisco também contou que a reitoria da Ufam está dando apoio para os ocupantes no intuito de identificarem outras moradias para essas pessoas, pois, segundo ele, a universidade deve reocupar o prédio em breve. “Eles já disseram que vão reativar a casa, mas ainda não saiu do papel. Enquanto isso eu acordo com um teto, mas amanhã não tenho certeza”, afirma.


Casa do estudante da Ufam está ocupada desde 2016 e ocupantes fizeram ‘gatos’ para ter acesso à energia elétrica. Foto: Antônio Lima

Entre as ruas Quintino Bocaiúva e Guilherme Moreira, cinco andares do prédio que pertence ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - foto abaixo - foram ocupados por pessoas que se dizem indígenas ou de movimentos políticos de sem terras.

Nenhum deles quis conversar com a equipe do Portal A Crítica. Apesar disso, foi possível perceber que há ligações clandestinas nesses locais, devido à fiação exposta na rua. 

Já na avenida Floriano Peixoto, o antigo prédio da Defensoria Pública do Estado não está ocupado, porém, há comerciantes regulares que trabalham no térreo do edifício. Uma delas é Luzinete Pinheiro, 43. Ela comentou que paga R$ 1,2 mil reais por mês para ficar no saguão de entrada no prédio. Há anos o acesso às escadas foi vedado e ela disse que sofre com rachaduras e até queda de azulejos de prédios antigos vizinhos.

“Eu já escapei de morrer pelo menos quatro vezes, por conta desses azulejos. Além disso, quando chove por aqui é uma tensão. Nós ficamos com medo, mas preciso sustentar minha família”, disse ela. 

Procurada para informar se tem algum tipo de controle a respeito dos prédios abandonados e em ruins condições da capital, a Prefeitura de Manaus se limitou a dizer que vai realizar uma ação sobre a situação dos locais, mas não divulgou data.

Município é o responsável

Em nota, o Corpo de Bombeiros explicou que age na prevenção e fiscalização de diversas instalações tanto comerciais, industriais e prediais, de forma pré-agendada e mediante denúncia. Órgãos e cidadãos fazem as denúncias.

“Uma edificação abandonada, em tese, oferece normalmente riscos de colapso estrutural, que é o caso de serem avaliados por engenheiros da prefeitura, que venham a atuar na área de urbanização da cidade”, explicou a corporação na nota.

“Quando uma edificação que deveria estar abandonada, por falta de todas as estruturas mínimas de segurança, passa a receber em seu interior diversos habitantes e estes complementam a estrutura interna com materiais de grande carga incêndio como madeiras, pallets, colchões, roupas e outros objetos, normalmente amontoados uns próximos aos outros, o risco de princípios se transformarem em grandes incêndios torna-se ainda mais real, inclusive com o risco de mortes de seus ocupantes que terão certamente grande dificuldade de abandonarem a edificação”, completou.

Incêndio e desabamento em São Paulo

Um acidente doméstico, causado pela explosão de um botijão de gás ou de uma panela de pressão, é a principal hipótese para o incêndio em São Paulo, segundo o secretário de Segurança Pública Mágino Alves.

A situação, que ocorreu no edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, começou por volta das 1h30 de terça-feira. O fogo se expandiu rapidamente até o desabamento do prédio, que ocorreu por volta das 3h. O local abrigava a antiga superintedência da Polícia Federal, na avenida Rio Branco, na região do Largo do Paissandu.

Quatro pessoas são consideradas desaparecidas. Um rapaz caiu durante a tentativa de resgate e ainda não foi localizado.

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